IMPACTOS NA SAÚDE MENTAL DE PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM DURANTE PANDEMIA DE UMA SÍNDROME RESPIRATÓRIA GRAVE

Publicado em 03/01/2023 - ISBN: 978-85-5722-522-0

Título do Trabalho
IMPACTOS NA SAÚDE MENTAL DE PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM DURANTE PANDEMIA DE UMA SÍNDROME RESPIRATÓRIA GRAVE
Autores
  • Thais Harumi Saito Katayama
  • MAYANE MAGALHÃES SANTOS
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)
Data de Publicação
03/01/2023
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/conigran2022/502269-impactos-na-saude-mental-de-profissionais-de-enfermagem-durante-pandemia-de-uma-sindrome-respiratoria-grave
ISBN
978-85-5722-522-0
Palavras-Chave
Saúde mental, Enfermagem, Covid-19.
Resumo
Introdução: Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), saúde mental se refere ao bem-estar de indivíduos que desenvolvem habilidades pessoais, conseguem lidar com as pressões da vida, trabalham com eficiência e são capazes de contribuir com a comunidade. No entanto, atualmente os transtornos mentais atingem cerca de 35% da população mundial (OMS, 2018). O Brasil tem a maior incidência de transtorno mental, afetando mais de 11 milhões de pessoas, em que a prevalência é maior em mulheres do que em homens. E a depressão é a segunda maior carga de deficiência no país, respondendo por 23% dos casos atendidos no Sistema Único de Saúde (SUS) (BRASIL, 2017). Com as transformações provocadas desde a declaração da OMS em janeiro de 2020, sobre o surto do novo coronavírus (2019-nCoV), toda população mundial, em especial os profissionais de saúde, enfrentaram significativos impactos relacionados à saúde mental (QUEIROZ et al, 2021). Na linha de frente ao combate a COVID-19, enfermeiros de todo o mundo enfrentaram carga horárias exaustivas de trabalho, participaram efetivamente da organização de ações preventivas para minimizar a disseminação do vírus, assim como, atuaram na assistência direta dos casos mais complexos (JACKSON et al., 2020). Dado o atual cenário de saúde, em que busca-se conhecer os impactos causados pela maior pandemia do século XXI, questiona-se: quais foram as repercussões para saúde mental dos profissionais de enfermagem durante a pandemia da maior síndrome respiratória aguda grave dos últimos tempos. Objetivo: conhecer por meio das produções científicas os impactos na saúde mental de profissionais de enfermagem causados pela pandemia, assim como, descrever quais os fatores que contribuíram para o adoecimento mental e, quais as estratégias utilizadas para minimizar os impactos à saúde mental nesses profissionais. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura científica, que possibilita a junção entre estudos experimentais e não experimentais, para integrar os resultados e possibilitando a combinação de dados da literatura empírica e teórica, conduzindo a elucidação de conceitos, revisão de teorias e avaliação de problemas metodológicos de um determinado tópico (SOUZA et al. 2010). Para a busca dos artigos, foram utilizados os descritores: Covid-19, Enfermagem e Saúde mental, associados ao operador boleano AND. A coleta foi realizada nas seguintes bases de dados: Scientific Electronic Library Online (SCIELO), Base de dados bibliográficos Especializada na Área de Enfermagem (BDENF) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). A seleção dos artigos foi designada através dos seguintes critérios de inclusão: formato de artigos disponíveis na integra e de livre acesso, publicados em português, espanhol e inglês, no período de 2019 a 2022, recorte temporal que se justifica pelo período de pandemia da COVID-19. Utilizando como critérios de exclusão: impossibilidade de aquisição do artigo na íntegra, produções cientificas em formatos de teses, dissertações, editoriais, resumos e textos incompletos; que não respondiam à questão de pesquisa. Quanto à análise de dados, as informações foram obtidas a partir da leitura dos artigos selecionados, sendo organizado num quadro analítico apresentando o título dos artigos, os participantes dos estudos, objetivos, metodologia utilizada, resultados e as principais práticas evidenciadas e categorizados conforme objetivo da pesquisa. Resultados: Dos 33 estudos elegíveis para essa revisão, estes apresentavam os seguintes níveis de evidências: integrativa (n=2), estudo do tipo qualitativo (n=6), descritivo (n=1), revisão sistemática (n=2), relato de experiência (n=2), exploratório (n= 1), quantitativo (n=4), narrativa (n=2), seccional (n=1), transversal (n=8), scoping review (n=2), observacional (n=3) e oito estudos apontaram para estratégias com os seguintes níveis de evidência: relato de experiência (n=4), revisão sistemática (n=1), narrativa (n=1), scoping review (n=1) e descritivo (n=1). Dentre os estudos analisados os fatores mais comumente citados nas evidências científicas, estavam relacionados a situação da carga de trabalho exaustiva, isolamento social, fadiga, desconforto, desamparo, intenso trabalho, risco de infecção para si e familiares, más condições de trabalho, pouco material para desempenho das atividades laborais, déficit de profissionais, baixa remuneração, esforço físico, cansaço, falta de equipamento de proteção individual e falta de medicamento, na qual desencadearam momentos de estresse, medo, preocupação, ansiedade, insatisfação, intenção de abandonar a profissão, burnout, angústia, insônia, raiva, depressão, tédio e distúrbio do sono. Devido ao quantitativo de artigos encontrados e elegíveis para esse estudo, foram elencados em duas categorias que foram apresentados em quadros analíticos, direcionados para I. Fatores e impactos da pandemia na saúde mental de profissionais de enfermagem e; II. Estratégias para mitigar os impactos na saúde mental de profissionais de enfermagem. Discussão: Identificamos que a pandemia da Covid-19 trouxe impactos que afetaram a saúde mental dos profissionais de enfermagem. Dados que já eram percebidos antes mesmo do período pandêmico, como visto no estudo desenvolvido no interior de Minas Gerais, que analisou o risco de transtorno mental comum (TMC) aos profissionais de enfermagem, que atuavam em serviços de atenção às urgências e emergências, dos 302 participantes, detectou-se rastreamento positivo para TMC em 62 (20,5%) dos sujeitos da pesquisa (MOURA et. al.,2022). Com a pandemia, os casos de desordens psíquicas se intensificaram, oriundas de causas multifatoriais como a necessidade de isolamento social, más condições de trabalho, cargas de trabalhos excessivos dentre outros. Preditores que já eram identificados nas pesquisas, à exemplo um estudo de revisão, que teve por objetivo verificar nas evidências científicas os fatores que favorecem o adoecimento da equipe de enfermagem, apontou elementos como: relacionamento interpessoal, sobrecarga de trabalho, dupla jornada, baixa remuneração salarial, falta de preparo e de capacitação, estrutura física e recursos materiais ineficientes (SOUZA et. al.,2020). O enfermeiro faz parte dos profissionais sujeitos a trabalho em horário dobrado, na qual cerca de 29% da população ativa trabalha por turnos dobrados para conseguir mais renda para sustentar a família (OLIVEIRA; PEREIRA; TELMO, 2012). Essa precarização nos vínculos de trabalhos apontado como uma das causas que contribuíram para as repercussões na saúde mental de profissionais de saúde durante a pandemia, já era enfrentada antes do advento da COVID-19, dados encontrados na revisão integrativa que identificou a precarização do trabalho de enfermagem no Brasil, trouxe achados como a baixa remuneração, os múltiplos vínculos, as diversas formas de contratação e jornadas de trabalho extensas, bem como a precariedade dos ambientes de trabalho e das condições de trabalho, geram elevada demanda física e emocional (GOMES et al., 2016; LALA et al.,2016). Embora a enfermagem seja amplamente reconhecida como atividade pública de inquestionável valor social, científico e tecnológico, a carga horária de trabalho excessiva e desproporcional da enfermagem em relação outros profissionais da saúde de nível superior no Brasil, revela-se como uma das principais consequências negativas do modelo político-hegemônico capitalista que se expressa institucionalmente no contexto do trabalho globalizado (OLIVEIRA et al., 2016). Desta maneira, torna-se importante utilizar estratégias de prevenção e promoção à saúde mental, em especial aos profissionais de enfermagem, à exemplo o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) disponibilizou um canal de atendimento 24h, todos os dias da semana, para que os profissionais de Enfermagem tivessem ajuda emocional em meio à situação de pandemia do Coronavírus, por meio de um chat online no próprio site do conselho (COFEN, 2020). Outra iniciativa desenvolvida no Brasil, foi o projeto Telepsi, que tinha por objetivo dar assistência a profissionais da saúde do SUS com sofrimento emocional no período de crise por meio da realização de teleconsulta psicológica e psiquiátrica para manejo de fatores estressores desencadeados pelo advento da COVID-19 (BRASIL,2020). Portanto, há necessidade de investir em suporte social e técnico para capacitar instituições para minimizar o adoecimento desses profissionais, a exemplo o Programa de Ação para reduzir as lacunas de cuidado em saúde mental proposto pela OMS, que recomenda um leque de intervenções psicológicas e farmacológicas que podem atender não só aos profissionais, mas também aos não - profissionais de saúde mental. (OPAS, 2022). O Enfrentando Problemas Plus (EP+), apesar de seu surgimento ser em 2016, também é uma intervenção psicológica em que abordagem inclui lidar com o problema (como aconselhamento ou terapia de resolução de problemas), plus (+) seria as estratégias comportamentais selecionadas. É aplicável para adultos com sofrimento emocional em comunidades que enfrentam adversidades, se caracteriza por intervenções psicológicas de baixa intensidade que requer recursos humanos profissionais menos intensivos, que teve sua versão traduzida em português recentemente (OPAS, 2022). Notou-se ainda que a utilização de recursos digitais se configura como um importante aliado tecnológico para aplicabilidade de intervenções em momentos pandêmicos. Sugere-se ainda como estratégia de planejamento, a busca de apoio instrumental, busca positiva de feedback e apoio emocional. É necessário a criação de espaços de escuta para que o trabalhador possa falar sobre seus sentimentos, a compreensão é possível e desejável, para que o processo organizacional possa exigir que o sujeito permaneça aberto, sem medo da transformação, ele se arrisca com otimismo, e o mais importante está satisfeito com a vida e consegue lidar com seus sentimentos nos momentos de adversidade. Conclusão: Conclui-se que a maior pandemia de síndrome respiratória dos últimos tempos, demonstrou diversas fragilidades que trouxeram repercussões à saúde mental dos profissionais de saúde e que esta foi uma problemática notória durante esse período, visto pelo quantitativo de trabalhos que envolveram o tema, o que se configura como uma preocupação à saúde desses profissionais, que desempenharam incansavelmente suas atribuições durante o estado de “guerra” que a população mundial enfrentou nos últimos pouco mais de dois anos. Evidenciou-se também que os impactos que acometeram a saúde mental desses profissionais foram em sua maioria em decorrência das exaustivas cargas horárias de trabalho, estresse, falta de materiais e equipamentos, baixa remuneração salarial, medo pelo desconhecimento da doença, falta de preparo e de capacitação. Portanto para poder permitir uma melhor disposição e diminuição dos impactos mentais e físico nos profissionais de enfermagem, existe a necessidade de intervenção nos fatores estressores, o que foi percebido no período analisado por meio de algumas estratégias de mitigação dos impactos. O que reforça a importância em investimentos no suporte social e técnico para minimizar o adoecimento desses profissionais. Enfatiza-se a existência dos limites inerentes ao estudo, como a predição a logo prazo das consequências da COVID-19, o que configura temática relevante para novas pesquisas, com a finalidade de delinear as repercussões a longo prazo na saúde mental de profissionais de enfermagem que desempenharam funções laborais durante a pandemia, bem como a reflexão sobre as estratégias que possam ampliar as ações em saúde mental desses profissionais. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Mais de onze milhões de brasileiros têm depressão. 2017. BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde investe em ações de saúde mental durante a pandemia. Brasília, 2020. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. COFEN disponibiliza canal para ajuda emocional a profissionais. Publicado em: 25/03/2020. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/cofen-disponibiliza-canal-para-ajuda-emocional-a- profissionais_78283.html. Acessado em: 22/05/2022. Enfrentando Problemas Plus (EP+) Atendimento psicológico individual para adultos com angústia em comunidades expostas à adversidade. Brasilia, D.F.: Organização Pan-Americana da Saúde; 2022. Licença: CC BY-NC-SA 3.0 IGO. FERNANDES, Márcia Astrêset al. Transtornos mentais associados ao trabalho em profissionais de enfermagem: uma revisão integrativa brasileira. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, v. 16, n. 2, p. 218-224, 2018. GONÇALVES, Angela Maria Corrêa et al. Prevalência de depressão e fatores associados em mulheres atendidas pela Estratégia de Saúde da Família. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 67, p. 101-109, 2018. Gomes HF, Gonçalves FGA, Pires AS, Jomar RT, Peres EM, Gallasch Ch. Precarização do trabalho de enfermagem e repercussões na saúde dos trabalhadores brasileiros: revisão integrativa. REVISTA ENFERMAGEM ATUAL IN DERME | 2016; 77 LALA, Adrian I. et al. Coping behavior and risk and resilience stress factors in French regional emergency medicine unit workers: a cross-sectional survey. Journal Medical and Life , Amsterdam, v. 9, n. 4, p. 363-368, out.-dez. 2016. OLIVEIRA, Bruno L. C. A.; SILVA, Alécia M.; CARNEIRO, Alan D. A distribuição de enfermeiros no Brasil segundo as pesquisas de assistência médico-sanitária. Revista Eletrônica Gestão & Saúde. Brasília, v. 6, n. 2, p. 1.334-1.353, 2015. Disponível em: http://periodicos.unb.br/index.php/rgs/article/view/22471/16068>. Acesso em: 22 ago. 2016. QUEIROZ, Aline Macêdo et al. O ‘NOVO’da COVID-19: impactos na saúde mental de profissionais de enfermagem? Acta Paulista de Enfermagem, v. 34, 2021. SOUZA, Marcela Tavares; SILVA, Michely Dias. Revisão Integrativa: o que é e como fazer. Einsten. São Paulo, v.8, n.1, jan./mar, p. 102-106. 2010.
Título do Evento
3º CONIGRAN - Congresso Integrado UNIGRAN Capital 2022
Cidade do Evento
Campo Grande
Título dos Anais do Evento
Anais do 3º CONIGRAN - Congresso Integrado da UNIGRAN Capital 2022.
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

KATAYAMA, Thais Harumi Saito; SANTOS, MAYANE MAGALHÃES. IMPACTOS NA SAÚDE MENTAL DE PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM DURANTE PANDEMIA DE UMA SÍNDROME RESPIRATÓRIA GRAVE.. In: Anais do 3º CONIGRAN - Congresso Integrado da UNIGRAN Capital 2022.. Anais...Campo Grande(MS) Rua Abrão Júlio Rahe, 325, 2022. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/conigran2022/502269-IMPACTOS-NA-SAUDE-MENTAL-DE-PROFISSIONAIS-DE-ENFERMAGEM-DURANTE-PANDEMIA-DE-UMA-SINDROME-RESPIRATORIA-GRAVE. Acesso em: 01/06/2026

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