O ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE BRUMADINHO - MG: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DAS PRINCIPAIS MATÉRIAS JORNALÍSTICAS

Publicado em 30/12/2020 - ISBN: 978-65-5941-071-2

Título do Trabalho
O ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE BRUMADINHO - MG: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DAS PRINCIPAIS MATÉRIAS JORNALÍSTICAS
Autores
  • Ana Carla Fiirst dos Santos Porto
  • Heitor Romero Marques
Modalidade
Comunicação oral (Resumo expandido)
Área temática
Interdisciplinaridade
Data de Publicação
30/12/2020
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/conigran2020/270144-o-rompimento-da-barragem-de-brumadinho---mg--uma-revisao-sistematica-das-principais-materias-jornalisticas
ISBN
978-65-5941-071-2
Palavras-Chave
Barragem. Solidariedade. Necessidades Básicas Humanas. Desenvolvimento Local.
Resumo
O presente trabalho tem por objetivo desdobrar as principais matérias jornalísticas, a respeito de um acontecimento marcante no país, o rompimento da barragem de minério de ferro, na cidade de Brumadinho – MG, identificando os fatos que levaram às consequências. Com aproximadamente 40 mil habitantes, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Brumadinho é uma cidade da região metropolitana de Belo Horizonte, estado de Minas Gerais, com base econômica sustentada por atividade de mineração, sobretudo pela atuação da empresa Vale S.A. A cidade tem explorado amplamente suas paisagens naturais, estando localizada em serras, dando abertura para o turismo cultural e ecológico e, consequentemente, o crescimento do setor hoteleiro na região. Considerada uma das maiores mineradoras do mundo, a Vale é uma empresa privada, e não tem um único dono, sendo formada por diversas ações que são negociadas em bolsas de valores. Possui sede no Rio De Janeiro, e produz, além do minério de ferro, carvão, níquel, cobre, cobalto, entre outros. O Governo Federal possui 12 ações da Vale, uma participação considerada irrelevante, porém em classe especial, dando direito a intervenção em momentos estratégicos (Site: G1, 2019). A barragem de Brumadinho é uma das mais antigas da mineradora Vale, foi construída em 1976, e não é a única da região com risco de rompimento (ALBUQUERQUE, 2019). Por sua vez, a barragem de rejeitos da Vale, que se rompeu em Brumadinho, utilizava-se do método de alteamento e montante, em que se constrói degraus sobre o dique inicial, conforme a barragem vai enchendo, porém, é sabido que, essa barragem não era utilizada há pelo menos três anos. O estudo emerge um aporte teórico fundamentado em conceitos como: comunidade, identidade, cultura, desenvolvimento local, capital humano, solidariedade, necessidades básicas humanas, sustentabilidade e logística reversa. O método utilizado foi o dedutivo, com abordagem qualitativa, apreendendo percepções presentes na situação do rompimento da barragem, explorando a situação e suas necessidades. Quanto à coleta de dados, partiu-se de revisão bibliográfica, buscando os conceitos que permeiam a situação que o povo local enfrenta, unindo às informações trazidas pela mídia através de jornais, revistas e sites de notícias. Ou seja, articulando a revisão literária ao aprofundamento da situação. Bauman (2003) destaca que a palavra comunidade é carregada de significados e sensações, na qual sugere segurança e bem-estar, trazendo confiança em sua totalidade. “É como um teto sob o qual nos abrigamos da chuva pesada, como uma lareira diante da qual esquentamos as mãos num dia gelado” (BAUMAN, 2003, p. 7). Tönnies (1979) apud Lemos (2009), corrobora com esse conceito, explicando que as relações que compõem a comunidade são de sangue, de lugar e de espírito, derivadas do parentesco (casa), da vizinhança (convivência na aldeia) e da amizade (identidade e semelhança das profissões). Na perspectiva de Jacques (2006) a identidade é a forma que cada pessoa tem de se tornar parte de um grupo, seja pela etnia, raça, gênero, família ou profissão, como é o caso dos funcionários da empresa Vale, que também compartilham de aspectos identitários e culturais, dentro desse determinado grupo. Castells (2008), por sua vez, assinala que a identidade é construída a partir de significados com base em um ou mais atributos culturais, que são inter-relacionados, de forma individual ou coletiva e que podem haver identidades múltiplas. Percebe-se que a identidade é um elemento inerente a seu povo, está sempre em processo de construção, podendo ser alterada ao longo da vida, sendo que em alguns momentos o sujeito pode ter mais de uma identidade representada pela forma como se vive, diante de sua cultura. Impera ressaltar a definição de cultura, intimamente ligada à identidade. Para Laraia (2006), a cultura é um processo que resulta de experiências históricas, passado de gerações a gerações, e experiências do cotidiano, em um território habitado. Ávila (2006) traz noções básicas de cultura, para que se possa melhor compreender sua relação com o desenvolvimento, para tanto, avalia o termo cultura pelos ângulos sociológico, antropológico e filosófico, levantando questões a respeito da importância do presente. Esse autor compreende o Desenvolvimento Local a partir do desenvolvimento endógeno, ou seja, de dentro para fora, um processo em que o cidadão participa de forma ativa, potencializando suas competências e habilidades em prol de seu desenvolvimento. Mas não deixa de citar a importância do desenvolvimento exógeno, sendo de fora para dentro, quando a comunidade recebe ajuda por meio de agentes externos, contribuindo para a transformação da realidade local. Na concepção de Santos (2006) o tempo, espaço e mundo são fatos históricos, que devem ser conversíveis de modo mútuo, se a nossa preocupação epistemológica é totalizadora. Em qualquer ocasião, o ponto de partida é a sociedade humana em processo, isto é, realizando-se. Essa realização se dá sobre uma base material: o espaço e seu uso, o tempo e seu uso, a materialidade e suas várias formas, as ações e suas várias feições. Santos (2006) expõe que o espaço é constituído pelas formas, mais as vidas que o animam, enquanto resultado da participação da sociedade nele. “O espaço é a prisão original, o território é a prisão que os homens constroem para si” (RAFFESTIN, 1993, p.144). Carvalho e Souza (1999) afirmam que o capital humano é a capacidade, conhecimento, habilidade, criatividade e experiências que o sujeito possui, de tal forma que o torna em bem de valor para uma comunidade local, sendo um dos pilares do capital intelectual. No tangível às necessidades básicas humanas, é importante a análise das fragilidades e potencialidades de uma comunidade. As potencialidades incluem a ciência, cultura, religião, educação, e podem ser positivas ou negativas, de acordo com os atos de cada indivíduo. Maslow (1975), importante psicólogo americano, organiza as necessidades humanas em cinco categorias hierárquicas, colocadas em uma pirâmide: necessidades fisiológicas, de segurança, sociais, de status ou estima e de autorrealização.“Doyal e Gough (1994), em sua ‘Teoria das Necessidades Humanas’, argumentam que as necessidades humanas são socialmente construídas, mas universais, rejeitando as aspirações decorrentes das preferências individuais das pessoas e seu ambiente cultural” (PEREIRA, 2011, p. 57). Essa autora explica que a teoria das necessidades de Doyal e Gough pode ser classificada em duas grandes categorias: necessidades básicas e intermediárias. Para Max-Neff (1993), as necessidades são finitas, poucas e classificáveis. Em sua concepção, as necessidades humanas são as mesmas, independentes do tempo e cultura, sendo que “o que muda são os modos empregados na sua forma de satisfação e os recursos utilizados com esse fim. As necessidades são do tipo axiológico e existencial, que se cruzam em uma matriz” (PEREIRA, 2011, p. 58). “Muitas vezes o termo ‘necessidades humanas’ tem uma conotação tão ampla, relativa e genérica, que fica difícil identificar os conteúdos, contornos e particularidades desse conceito” (PEREIRA, 2006, p. 38). Segundo Pereira, alguns autores hierarquizam as necessidades a partir de uma dimensão primária, enquanto outros a veem como motivação para se preencher uma lacuna. A autora afirma que as necessidades são universais, visto que a concepção de sérios prejuízos é a mesma para qualquer indivíduo, independente da cultura, portanto “as necessidades básicas são objetivas, porque sua especificação teórica e empírica independe de preferências individuais” (PEREIRA, 2006, p. 68). Impera ressaltar os conceitos distintos de mínimo e básico. De acordo com a autora supracitada, mínimo “tem a conotação de menor, de menos, em sua acepção mais íntima, identificada com patamares de satisfação de necessidades que beiram a desproteção social” (p. 26). Enquanto o termo ‘básico’, refere-se a algo primordial. No estudo em tela, vale destacar a desumanização ou coisificação do ser humano, em que vem à tona a partir da globalização, com a aceleração do nível de competitividade, onde “a impressão que temos é a de estarmos correndo mesmo quando parados, a de que precisamos estar sempre em ação para justificarmos a nossa serventia nesta vida (...)” (FREITAS, 1999, p. 1). Conforme Arbache (2010), a discussão da ética e da responsabilidade social empresarial ganha contornos macros, a partir do momento em que se introduz o termo sustentabilidade, destacando a importância de entender o conceito de multiculturalismo. “Como vivemos em um mundo híbrido, compostos por sujeitos de diversas identidades culturais, ser ético é pensar nas diferenças, nas demandas trazidas pelo atendimento ao direito de todos, direitos emergentes, independente de raça, gênero, classe social, entre outras ancoragens desta temática (...)” (ARBACHE, 2010, p. 18). A mesma autora explica que, realizar uma gestão voltada para a sustentabilidade, implica em minimizar os riscos que os processos de uma determinada empresa podem gerar ao meio ambiente, isso inclui a perenidade da marca e sua credibilidade no mercado, além do que pode gerar como consequência a seus colaboradores e para a sociedade em sua totalidade. Por fim, as ditas boas práticas das empresas, devem seguir uma diretriz de sustentabilidade, integrada às ações baseadas no código de conduta ética e regulamentação de normatizações ambientais, sendo que a gestão é pautada com foco nas pessoas, e não apenas visando o lucro (ARBACHE, 2010). Assim, meio ambiente e desenvolvimento constituem desafios interligados, sendo que o desenvolvimento não se mantém se a base de recursos ambientais se deteriorar, bem como o meio ambiente não pode ser protegido se o crescimento não considerar as consequências da destruição dos recursos ambientais. Após três anos do maior desastre ambiental do país, em Mariana, o rompimento da barragem em Brumadinho, na Mina do Feijão, deixou rastros de destruição, indignando a população. No dia 25 de janeiro de 2019, um mar de lama avançou sobre a área administrativa, e parte das casas da Vila Ferteco, área rural da cidade de Brumadinho. A tragédia mudou a rotina dos quase 40 mil habitantes, da cidade histórica e pacata, em Minas Gerais. Quem não teve um familiar ou amigo morto na tragédia, encontrou a propriedade tomada pela avalanche de rejeitos, além do abalo emocional coletivo, com a destruição de casas, fazendas, vegetação e cursos d’água. São crianças, jovens, adultos e idosos atingidos indiretamente, que tiveram sua rotina e sonhos atingidos pelo desastre. Realizando reflexões, foi assinalada a necessidade de aplicação de leis que norteiam os direitos das vítimas do desastre, ao passo que a empresa mineradora responsável pelo acontecimento, também é a principal provedora econômica da população local. Portanto, a comunidade passa por um momento de instabilidade e incertezas, diante do cenário da tragédia. Vale salientar que, o fato de ter sido um crime ou um acidente, é apenas uma das lacunas vazias. A solidariedade ativa na cidade, não descarta os sentimentos de impotência na população, a preocupação com os impactos ambientais, bem como o caos econômico já instalado. Referências ALBUQUERQUE, N. Tragédia de Brumadinho: por que a história se repete em Minas Gerais? Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Meio-Ambiente/noticia/2019/01/tragedia-de-brumadinho-por-que-historia-se-repete-em-minas-gerais.html. Acesso em: 29 de janeiro de 2019. ARBACHE, A. P. B. Projetos Sustentáveis: estudos e práticas brasileiras. SP: Editorama, 2010. ÁVILA, V. F. Cultura de subdesenvolvimento e desenvolvimento local. Sobral, UVA: 2006. BAUMAN, Z. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Tradução de Plínio Dentzien. RJ: Jorge Zahar, 2003. CARVALHO, A. C. M., SOUZA, L. P. Ativos intangíveis ou capital intelectual: discussões da contradição na literatura e proposta para sua avaliação. Em: Prescpect. Cienc. Inf., Belo Horizonte, v.4, n.1, p.73-83,jan./jun. 1999. CASTELLS, M. 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SANTOS, M. A natureza espaço: técnica e tempo, razão e emoção. SP: USP, 2006
Título do Evento
CONIGRAN 2020 - Congresso Integrado UNIGRAN Capital
Cidade do Evento
Campo Grande
Título dos Anais do Evento
Anais do CONIGRAN 2020 - Congresso Integrado UNIGRAN Capital
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI
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Como citar

PORTO, Ana Carla Fiirst dos Santos; MARQUES, Heitor Romero. O ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE BRUMADINHO - MG: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DAS PRINCIPAIS MATÉRIAS JORNALÍSTICAS.. In: Anais do CONIGRAN 2020 - Congresso Integrado UNIGRAN Capital. Anais...Campo Grande(MS) UNIGRAN Capital, 2020. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/conigran2020/270144-O-ROMPIMENTO-DA-BARRAGEM-DE-BRUMADINHO---MG--UMA-REVISAO-SISTEMATICA-DAS-PRINCIPAIS-MATERIAS-JORNALISTICAS. Acesso em: 19/06/2024

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