QUALIDADE DE VIDA, SAÚDE EMOCIONAL E VIOLÊNCIA NO TRABALHO EM SERVIDORES DE INSTITUIÇÕES DO PODER JUDICIÁRIO FEDERAL EM MATO GROSSO DO SUL

Publicado em 30/12/2020 - ISBN: 978-65-5941-071-2

Título do Trabalho
QUALIDADE DE VIDA, SAÚDE EMOCIONAL E VIOLÊNCIA NO TRABALHO EM SERVIDORES DE INSTITUIÇÕES DO PODER JUDICIÁRIO FEDERAL EM MATO GROSSO DO SUL
Autores
  • Fernando Faleiros
  • Michele De Sousa Teixeira
  • Fabiana Quintana Salvaterra
Modalidade
Comunicação oral (Resumo expandido)
Área temática
Psicologia
Data de Publicação
30/12/2020
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/conigran2020/269976-qualidade-de-vida-saude-emocional-e-violencia-no-trabalho-em-servidores-de-instituicoes-do-poder-judiciario-fede
ISBN
978-65-5941-071-2
Palavras-Chave
Trabalho, Qualidade de Vida, Violência Laboral, Saúde Mental, Poder Judiciário Federal.
Resumo
Introdução: O mundo do trabalho nos últimos anos tem passado por diversas modificações com o intuito de aumentar a eficiência das organizações produtivas e/ou responder ao aumento das demandas latentes no mercado, logo, em um mundo competitivo é necessário pensar em um desenvolvimento sadio e organizado. Com o aumento da preocupação do ser humano com o seu bem-estar, as organizações pretendem fugir do contexto da época da revolução industrial, no qual, as pessoas eram tratadas como máquinas, sem sentimentos e estímulos e tendem a ter uma nova visão em relação às pessoas, constituindo, funcionários e organização um conjunto único. Por isso a necessidade de ampliação dos cuidados com a saúde emocional dos trabalhadores, que vem representando uma das principais causas para afastamentos e é um dos grandes problemas enfrentados na atualidade, comprometendo a saúde das populações geral e trabalhadora, portanto um ambiente mais saudável e uma melhor qualidade de vida no trabalho tendem a permitir pessoas e organizações mais saudáveis e produtivas. O presente estudo objetivou contribuir, por meio de um ciclo do PIBIC, com as pesquisas sobre as relações entre o trabalhador e seu respectivo ambiente de trabalho, por meio de temas vinculados à Qualidade de Vida no Trabalho (QVT), e à Saúde Emocional no Trabalho (SET), e ao combate ao assédio no ambiente de trabalho, visto que para a maior parte das pessoas, o trabalho se tornou algo crucial à vida (ZANELLI et al, 2014). Tais conceitos se ajustam e se complementam, pois: (i) QVT diz respeito a ações que envolvem diagnóstico e implantação de melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais tanto fora quanto dentro do local de trabalho, tendo em vista propiciar condições de desenvolvimento humano durante a realização do trabalho nas organizações (ALBUQUERQUE, LIMONGI-FRANÇA, 1998); (ii) SET diz respeito ao processo multifacetado e que atende, ao mesmo tempo, o adoecimento e a promoção da saúde, já que o trabalho tem papel estruturante na vida cotidiana do homem contemporâneo e na própria construção da condição humana e das sociedades. Sustenta-se assim o pressuposto da existência de nexo entre o trabalho e a saúde psíquica (BORGES, GUIMARÃES, SILVA, 2013); e, (iii) Assédio no ambiente de trabalho diz respeito a um conjunto de comportamentos hostis e antiéticos direcionados a um indivíduo por outro indivíduo ou grupo deles, resultando em sofrimento social e estados patológicos psicológicos ou psicossomáticos. Essas ações ocorrem de forma repetitiva (praticamente todos os dias), por um longo período. (LEYMANN 1990; BATTISTELLI et al, 2011; RAMOS, 2013). Objetivo: Conhecer as relações entre Qualidade de Vida, Saúde emocional no trabalho, percepção de violência no ambiente de trabalho e características sociodemográficas em servidores de instituições do Poder Judiciário Federal no Mato Grosso do Sul. Material e Método: Estudo exploratório-descritivo, epidemiológico e de corte transversal, cujos indicadores de escolha serão a prevalência de dimensões da Saúde Emocional e os níveis de Qualidade de Vida no Trabalho e percepção de violência laboral. Os participantes serão escolhidos por conveniência e a coleta de dados em campo realizada online e autorizada pelo CEP sob nº CAAE 25584219.6.0000.5159 e Parecer nº 3.833.939. Para acesso aos dados, serão aplicados os seguintes instrumentos: (i) Questionário sociodemográfico-ocupacional (QSDO), (ii) Self Reporting Questionnaire (SRQ-20); (iii) Escala de Conflito Trabalho Família (ECT-F); (iv) Instrumento de Avaliação da Qualidade de Vida no Trabalho (QWLQ-Bref) e (v) Escala Laboral de Assédio Moral (ELAM). Resultados: Participaram 100 trabalhadores das seis instituições vinculadas ao projeto de pesquisa, os quais representam 10% da população total. Destes 54% são homens e 48% mulheres com média de 43 anos de idade, em sua maioria são casados (60%), brancos (68%), com filhos (66%), pós-graduação (especialização) concluída (65%), tempo médio de 14 anos no serviço público (sendo 7 na função atual), 70% desempenham função gratificada, e 86% tem vínculo efetivo com o órgão no qual desenvolvem suas atividades. Nas interfaces das questões sociodemográficas com a saúde 55% realizam horas extras e destes, 47% o fazem cinco vezes na semana; 86% desenvolvem processos virtuais de trabalho, 74% se avaliam com boa qualidade de vida geral, e 46% relatam ter sofrido pelo menos um episódio (passado ou presente) de violência laboral, e destes 98% relatam se tratar de episódios de assédio moral ou psicológico. Quanto aos instrumentos de construtos específicos os seguintes resultados merecem destaque: (i) na Escala Laboral de Assédio Moral (ELAM), o principal resultado negativo está vinculado à dimensão “Condições de Trabalho”; (ii) na Escala de Conflitos Trabalho-Família foi percebido impacto Trabalho-Família em 40% dos participantes, e impacto família-trabalho em 28% dos participantes. Ainda foi possível perceber que para 50% daqueles que tiverem impacto Trabalho-família acima da média, também relataram a existência de impacto família-trabalho simultâneo; (iii) e quanto aos Transtornos Mentais Comuns (TMC), há incidência de quadro sintomáticos que podem afetar a saúde emocional da amostra, em 45% dos participantes. Discussões: Apesar dos ambientes de trabalho não terem apresentado altos índices de assédio, ainda assim, uma percepção levemente maior de atos que possam ser considerados como assédio reflete em resultados que poderiam ter resultados mais positivos em outras indicadores. As medidas de Saúde, Conflito Trabalho-família e QVT tornam possível identificar indícios de que quando o trabalho é executado sobre pressão excessiva, ou quando suas demandas são consideradas injustas, também apresentam uma percepção menor a respeito da autonomia em seu ambiente organizacional, o que pode explicar resultados piores na dimensão condições de trabalho da ELAM. O mesmo é verdadeiro para percepções negativas a respeito das possibilidades das relações trabalho-família-trabalho, propiciadas pela própria organização, pois há carga horária excessiva demandada pelas instituições, o que pode levar os trabalhadores a terem suas relações familiares prejudicadas por esse fator, bem como podem apontar um dos motivos do sofrimento somático e/ou emocional apontados na incidência de 45% de quadros de TMC nos participantes do estudo, ainda que tenham alto poder aquisitivo e alto índice de escolaridade, itens sociodemográficos que acabam (no presente estudos) por não atuarem como moderadores da saúde psíquica dos trabalhadores (BATTISTELLI et al, 2011; AGUIAR, BASTOS, 2013; LIMA, 2014; OLIVEIRA, GUIMARÃES, 2015; CAMPOS, RUEDA, 2016; GUIMARÃES et al, 2016). Considerações Finais: Ainda não foi possível precisar os impactos da pandemia do COVID-19 nos resultados da presente pesquisa, exceto na condução da aplicação da mesma, mas cabe ressaltar a quase imediata conversão da totalidade das atividades presenciais de trabalho para o meio digital de março até a presente data, tal qual a demanda de se observar os impactos do teletrabalho na saúde dos trabalhadores. Por esses motivos, bem como para ampliar e aperfeiçoar mais os estudos, se sugere a continuidade da parceria para que se possa atuar de forma mais qualitativa sobre os resultados quantitativos e também para que se possa promover e instituir um programa de atenção à saúde emocional para as instituições pesquisadas. REFERÊNCIAS AGUIAR, C. V. N.; BASTOS, A. V. B. Tradução, adaptação e evidências de validade para a medida de conflito trabalho-família. Aval. Psicol., 12(2), 2013. pp. 203-212. ALBUQUERQUE, L. G.; LIMONGI-FRANÇA, A.C. Estratégias de Gestão de Pessoas e gestão da qualidade de vida no trabalho: o stress e a expansão do conceito de qualidade total. Revista de Administração, São Paulo, v33, n2, p 40-51, abr./jun. 1998. BORGES, L. O.; GUIMARÃES, L. A. M.; SILVA, S. S. Diagnóstico e promoção da saúde psíquica no trabalho. In: Borges, L. O.; Mourão, L. (Org.). O Trabalho e as organizações: atuações a partir da psicologia. Porto Alegre: Artmed, 2013. BATTISTELLI, B. M.; AMAZARRAY, M.; KOLLER, S. O assédio moral no trabalho na visão de operadores do direito. Psicologia & Sociedade, 23(1), 2011, 35-45. CAMPOS, M. I.; RUEDA, F. J. M. Assédio moral: evidências de validade de escala e relações com qualidade de vida no trabalho. Aval. psicol., Itatiba, v15, n1, p. 21-30, abr. 2016. GUIMARÃES, L. A. M.; OLIVEIRA, A. L. M.; MENEGHEL, V.; MINARI, M. R. T. Saúde Psíquica de Trabalhadores da Justiça do Trabalho. International Journal On Working Conditions, v. 12, p. 86-104, 2016. GUIMARÃES, L. A. M.; OLIVEIRA, F. 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Título do Evento
CONIGRAN 2020 - Congresso Integrado UNIGRAN Capital
Cidade do Evento
Campo Grande
Título dos Anais do Evento
Anais do CONIGRAN 2020 - Congresso Integrado UNIGRAN Capital
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI
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Como citar

FALEIROS, Fernando; TEIXEIRA, Michele De Sousa; SALVATERRA, Fabiana Quintana. QUALIDADE DE VIDA, SAÚDE EMOCIONAL E VIOLÊNCIA NO TRABALHO EM SERVIDORES DE INSTITUIÇÕES DO PODER JUDICIÁRIO FEDERAL EM MATO GROSSO DO SUL.. In: Anais do CONIGRAN 2020 - Congresso Integrado UNIGRAN Capital. Anais...Campo Grande(MS) UNIGRAN Capital, 2020. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/conigran2020/269976-QUALIDADE-DE-VIDA-SAUDE-EMOCIONAL-E-VIOLENCIA-NO-TRABALHO-EM-SERVIDORES-DE-INSTITUICOES-DO-PODER-JUDICIARIO-FEDE. Acesso em: 16/06/2024

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