PRINCIPAIS CAUSAS PARA A NÃO PROCURA DE ATENDIMENTO DO HOMEM HIPERTENSO NA ATENÇÃO BÁSICA

Publicado em 30/12/2020 - ISBN: 978-65-5941-071-2

Título do Trabalho
PRINCIPAIS CAUSAS PARA A NÃO PROCURA DE ATENDIMENTO DO HOMEM HIPERTENSO NA ATENÇÃO BÁSICA
Autores
  • Alcilene Fernandes Garcia de Moraes
  • Gabriel clarete Afonso
  • Thiago Souza Fernandes
  • Janaina Michelle Oliveira do Nascimento
Modalidade
Comunicação oral (Resumo expandido)
Área temática
Enfermagem
Data de Publicação
30/12/2020
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/conigran2020/266023-principais-causas-para-a-nao-procura-de-atendimento-do-homem-hipertenso-na-atencao-basica
ISBN
978-65-5941-071-2
Palavras-Chave
homens, saúde pública, hipertensão arterial sistêmica
Resumo
INTRODUÇÃO: A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma das mais importantes doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) da atualidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), das DCNTs, as doenças do aparelho circulatório são responsáveis por cerca de 17 milhões de mortes/ano em todo o mundo. E dessas, cerca de 55,3% são decorrentes de complicações da HAS, doença multifatorial, modificável e de diagnóstico simples que pode ser realizado por qualquer profissional da saúde capacitado mediante a aferição da pressão arterial. A HAS associa-se ao histórico familiar de doença hipertensiva, bem como, a outros fatores de risco cardiovasculares modificáveis como sobrepeso e obesidade, sedentarismo, tabagismo, dislipidemias e diabetes mellitus. E devido o agravante da situação no mundo a respeito da HAS e a quantidade de pessoas acometidas por problemas cardiovasculares é então compreendida a necessidade de programas de controle. Para isso este controle é realizado em unidade de saúde da família (UBSF), através de programas como o Hiperdia ou controle de hipertensão arterial. Na saúde do homem a HAS é um problema ainda maior. O homem diante de sua saúde se mostra um participante pouco presente, levando em consideração a sua falta de adesão se fazem presentes à necessidade de um atendimento focado nesta classe que mesmo necessitando de atenção ainda negligência, não colocando em sua rotina o seu cuidado. Para isso vem a somar a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, com o foco total no homem e com o objetivo de aproximar e integra-lo junto à sua saúde, promovendo ações que provoquem um pensamento de mudança na visão do homem sobre o seu cuidado. OBJETIVO: Elencar os motivos que levam o homem hipertenso a não procurar o atendimento na unidade de atenção básica. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, do tipo revisão integrativa (RI) da literatura. Para a execução do trabalho foram cumpridas seis etapas pré-estabelecidas: definição do tema e da pergunta norteadora; busca na literatura; definição de critérios para categorização dos estudos que correspondam aos dados coletados (período de tempo; de critérios inclusão/ exclusão; escolha das bases de dados); categorização dos estudos; avaliação dos estudos selecionados; análise e interpretação dos dados; apresentação dos resultados da revisão. Para guiar a RI, formulou-se a seguinte questão norteadora: Quais são os motivos da não procura por atendimento pelo homem hipertenso? Para seleção dos artigos foram utilizados os seguintes descritores: homens, saúde pública e hipertensão arterial sistêmica. Os critérios de inclusão utilizados neste estudo foram: artigos publicados entre 2010 a 2020, artigos indexados na base de dados Literatura Latino-Americana em Ciências de Saúde (LILACS), na Scientific Eletronic Library Online (SciELO) e no Google acadêmico, artigos disponibilizados no idioma português. Foram os excluídos os artigos que não atenderam os critérios de inclusão e os que não apresentavam a sua versão completa. O levantamento bibliográfico foi realizado em março de 2020 e análises foram desenvolvidas no período de março a abril de 2020. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Mediante a utilização dos descritores estabelecidos, foram encontrados um total de 34 artigos publicados nas bases LILACS, Scielo e Gooogle acadêmico sobre o tema proposto, dos quais 20 contemplavam os critérios de inclusão. A questão homem e saúde vêm sendo analisada há tempos e em inúmeros estudos, buscam compreender as questões de gênero, como estas influenciam o comportamento masculino e como a construção social das diferentes masculinidades afeta a saúde dos homens adolescentes, adultos e idosos. A HAS é uma importante complicação para a saúde pública atribuída ao alto índice de pessoas acometidas por ela e seu controle mesmo sendo essencial é muitas vezes insatisfatório. No que diz respeito ao sexo, o homem apresenta seu controle menor do que a mulher, o que pode ser associado à falta de identificar a necessidade de saúde, semeando o conceito que exclui a possibilidade de ficar doente. Devido o aumento da população idosa as doenças crônicas não transmissíveis como a hipertensão tem a tendência de aumentar sua incidência, com isso o homem tem maiores chances de morbimortalidade em relação à mulher. Compreender o motivo pelo o qual o homem tem índices maiores de morbimortalidade e faz o uso dos serviços de saúde com menor frequência envolve tanto condições socioculturais como organizacionais. Historicamente o homem é o provedor, forte, invulnerável e invencível, capaz de se expor a riscos, de maneira ativa e dominadora. E todos estes aspectos que englobam o homem na sociedade só o conduzem para a maior posição de vulnerabilidade. Os homens embora mais poderosos do que as mulheres em alguns aspectos sociais, apresentam desvantagens em relação às taxas de morbimortalidade. Estes apresentam uma maior predisposição e vulnerabilidade em adquirir doenças em decorrência da maior exposição a fatores de riscos comportamentais e culturais permeados pelos estereótipos de gênero, que desvalorizam as práticas de prevenção e de cuidados com a saúde, elevando nos homens a vulnerabilidade aos agravos, em consequência da não procura pelos serviços. A necessidade, culturalmente construída, de parecer mais forte que as mulheres e, consequentemente, não adoecer e não necessitar de cuidados dificultam ou mesmo impedem o acesso dos homens a esses serviços. Além disso, os homens associam as Unidades Básicas de Saúde (UBS) com espaços feminilizados, frequentados basicamente por mulheres a exemplo de alguns estabelecimentos como centro de beleza e/ou estético. Segundo Silva et al. (2016) a prática de se deslocar ate o atendimento é de ordem cultural e também estrutural, e não está no hábito da população masculina, ficando estes cuidados de saúde um fenômeno de rotina feminina. O cuidar de si ou de outros é uma questão intrínseca de gênero, ou seja, para o homem, o processo do cuidar diz respeito somente à mulher. Outra questão apontada por Separavich; Canesqui (2013) é a dificuldade de se ausentar do trabalho nos horários comumente agendados para consulta e a falta de unidades específicas voltadas ao atendimento dos problemas da saúde masculina, além da equipe ser formada fundamentalmente por profissionais da saúde do sexo feminino. A procura por atendimento em unidades de saúde na população masculina é rara e acontece regularmente quando a dor é muito forte ou quando o homem fica impossibilitado de executar seu trabalho. Além disso, alguns mesmo nestas situações investem em remédios caseiros muitas vezes indicados por suas esposas e familiares (SALLES et al., 2019; VIEIRA et al., 2013). Moura et al. (2014) citam que por não terem suas especificidades inteiramente reconhecidas, os homens utilizam os serviços de saúde em situações extremas de emergência e/ou em nível especializado ou de urgência, não buscando os serviços para fins preventivos. Para Silva et al. (2012) a maneira na qual a saúde do Brasil se organiza, mostra que grande parte do atendimento nas unidades tende a beneficiar grupos apontados como vulneráveis na população. Deste modo, a saúde esta voltada especificamente para o público feminino, infantil e também para o idoso, promovendo pouca atenção a saúde do homem. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O tema abrangendo homem e saúde já vem sendo debatido cada vez mais por profissionais da saúde, com o intuito de contribuir na demanda da saúde do homem. Algumas das estratégias para aumentar a adesão de homens não só para o tratamento da hipertensão, mas também em outros programas voltados a atenção deste público pode ser a realização do atendimento em horários compatíveis com a realidade da jornada de trabalho existente na comunidade, inclusive em finais de semana proporcionando a flexibilidade do individuo de ir até a unidade de saúde. Além disso, capacitação dos profissionais são pontos indicados para que seja feita uma problematização precisa sobre a realidade de cada Unidade de saúde, com foco na elaboração de estratégias e programas direcionados. Compreender o modo como o homem se comporta diante a saúde é um avanço pra promover com efetividade as práticas do cuidado em saúde e a implementação de métodos de educação, visando a redução de comportamentos que o levam a situações de risco. Até mesmo a necessidade de sensibilizar os locais de trabalho para que se tornem ambientes de promoção de saúde. Desconstruir o pensamento de invulnerabilidade masculina se faz necessário diante da fragilidade existente nesta comunidade para o tratamento e agravamento tanto da HAS como para outras comorbidades existentes na saúde. REFERÊNCIAS: CAVALCANTIA, M. V. A. et al. Hábitos de vida de homens idosos hipertensos. Revista Gaúcha de Enfermagem. 40:e20180115, 2019. CARDOSO, F. N., et al. Fatores de risco cardiovascular modificáveis em pacientes com hipertensão arterial sistêmica, REME – Revista Mineira de Enfermagem, 24:e-1275, 2020. MOREIRA, R. L. S. F., et al. Dificuldades de inserção do homem na atenção básica a saúde: a fala dos enfermeiros. Revista de Enfermagem, 18(4):615-621, Out-Dez, 2014. MOURA, E. C., et al. Atenção à saúde dos homens no âmbito da Estratégia Saúde da Família. Ciência e Saúde Coletiva, Brasilia DF, 19(2):429-438, 2014. SALLES, A. L. O., et al. O enfermeiro e a questão da adesão do paciente ao tratamento da hipertensão arterial sistêmica. Revista de enfermagem da UERJ, Rio de Janeiro, 27:e37193, 2019. SILVA, P. A. S., et al. A saúde do homem na visão dos enfermeiros de uma unidade básica de saúde. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem, Rio de Janeiro, 16 (3):561- 568, jul–set, 2012. SEPARAVICH, M. A., CANESQUI, A. M. Saúde do homem e masculinidades na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem: uma revisão bibliográfica. Saúde e Sociedade. São Paulo, São Paulo, v.22, n.2, p.415-428, 2013.
Título do Evento
CONIGRAN 2020 - Congresso Integrado UNIGRAN Capital
Cidade do Evento
Campo Grande
Título dos Anais do Evento
Anais do CONIGRAN 2020 - Congresso Integrado UNIGRAN Capital
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI
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Como citar

MORAES, Alcilene Fernandes Garcia de et al.. PRINCIPAIS CAUSAS PARA A NÃO PROCURA DE ATENDIMENTO DO HOMEM HIPERTENSO NA ATENÇÃO BÁSICA.. In: Anais do CONIGRAN 2020 - Congresso Integrado UNIGRAN Capital. Anais...Campo Grande(MS) UNIGRAN Capital, 2020. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/conigran2020/266023-PRINCIPAIS-CAUSAS-PARA-A-NAO-PROCURA-DE-ATENDIMENTO-DO-HOMEM-HIPERTENSO-NA-ATENCAO-BASICA. Acesso em: 20/06/2024

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