ESTEREÓTIPO, IDEOLOGIA E ALTERIDADE: UM ENFOQUE (POLÍTICO) SOBRE O OUTRO EM VIDAS SECAS

Publicado em 07/10/2021 - ISBN: 978-65-5941-351-5

Título do Trabalho
ESTEREÓTIPO, IDEOLOGIA E ALTERIDADE: UM ENFOQUE (POLÍTICO) SOBRE O OUTRO EM VIDAS SECAS
Autores
  • Claudia Regina Camargo
Modalidade
Resumo
Área temática
ST12 - CULTURAS E DIFERENÇAS – O RECONHECIMENTO DO “OUTRO” E O EXERCÍCIO DA ALTERIDADE NA CONSTRUÇÃO DE SOCIEDADES PLURAIS
Data de Publicação
07/10/2021
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congressoestudosculturais2021/361362-estereotipo-ideologia-e-alteridade--um-enfoque-(politico)-sobre-o-outro-em-vidas-secas
ISBN
978-65-5941-351-5
Palavras-Chave
Linguagem. Identidade. Discurso ideológico. Desumanização. Infância. Representação da mulher nordestina.
Resumo
O presente trabalho tem como objetivo apontar alguns pontos principais para reflexão na obra Vidas secas, como a questão da ideologia dentro dos discursos, algumas características sobre a alteridade, e a representação estereotipada que obras com visível caráter denunciativo, ajudaram a criar e reforçar. A análise partirá de estudos de teóricos como Homi Bhabha (1991 e 1998), Edward Said (2005 e 2011) e Franz Fanon (2008). Percebemos na obra um tom denunciativo, levantando várias questões sobre o outro, sobre as vidas exploradas. Para contextualizar essa provável intenção denunciativa do autor, é bom lembrar que Graciliano esteve preso dois anos antes de escrever essa obra (1936), por sua afinidade com os pensamentos comunistas e marxistas, que colidem com a ideia de exploração da força de trabalho ou inferiorização do outro de qualquer forma. Foi na cadeia que Graciliano escreveu Angústia e o texto Baleia, que originou o romance Vidas Secas. O autor, de uma forma simples e econômica, nos apresenta algumas importantes reflexões, por meio da fenomenologia e da simbologia da seca (SANTA ROSA MATOS 2012, s.p.), como: a questão da identidade, da linguagem, da desumanização, da infância, da representação da mulher nordestina, da exploração do trabalho, temas importantes dentro da visão marxista. A importância de apontar essas características em uma obra do século passado, é justamente perceber como certos estereótipos foram se firmando e confirmando no tempo, já que essa concepção pode ter colaborado para uma representação imagética estereotipada do povo nordestino. Para melhor compreensão do texto, faremos uma breve descrição do momento histórico e das secas na região nordeste. Essa contextualização histórica da seca nos permite perceber que os problemas advindos dela, como a extrema pobreza, estão muito mais relacionadas a um discurso político-ideológico de preservação de poder, ou como pontua SANTA ROSA MATOS (2012, s.p.), um “artefato histórico-cultural”, que um fenômeno ecológico e pluviométrico, propriamente dito. Além da seca, devemos destacar o contexto histórico em que a obra foi escrita: durante a década de 30 (publicada em 1938), período de grande turbulência política no Brasil e no mundo. Os Estados Unidos viviam uma grande crise econômica, se recuperando ainda da Grande Depressão (quebra da bolsa em 1929) e a Europa ainda se recuperava do fim da Primeira Guerra (1918). No Brasil, além da crise cafeeira, aconteceu a Revolução de 30, com Getúlio Vargas instalando o Estado Novo em 1937, sendo este um regime autoritário e anticomunista. Graciliano Ramos, como já mencionamos, era influenciado pelo marxismo, chegando a ser preso, e, posteriormente, tendo se filiado ao Partido Comunista Brasileiro em 1945. Essa visão do todo que envolve a obra é importante para as reflexões que faremos. É preciso salientar que o título nos informa que a obra não irá tratar sobre a seca do Nordeste, mas de vidas secas, ou seja, vidas ressequidas não somente pelas condições climáticas, mas por todas as coisas que advém da miséria total: conformismo, falta de perspectiva, humilhação e alienação total da condição humana e dos direitos inalienáveis de todos.
Título do Evento
I Congresso Internacional de Estudos das Diferenças & Alteridade: Identidades Fraturadas, Memória Cultural e Processos Diaspóricos e I Seminário Internacional da Rede Internacional de Pesquisa em História e Culturas Contemporâneas: As Ciências Humanas no Olho do Furacão
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional de Estudos das Diferenças & Alteridade
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CAMARGO, Claudia Regina. ESTEREÓTIPO, IDEOLOGIA E ALTERIDADE: UM ENFOQUE (POLÍTICO) SOBRE O OUTRO EM VIDAS SECAS.. In: Anais do Congresso Internacional de Estudos das Diferenças & Alteridade. Anais...São Paulo(SP) Rede Internacional de Pesquisa em História e Culturas no Mundo Contemporâneo, 2021. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congressoestudosculturais2021/361362-ESTEREOTIPO-IDEOLOGIA-E-ALTERIDADE--UM-ENFOQUE-(POLITICO)-SOBRE-O-OUTRO-EM-VIDAS-SECAS. Acesso em: 04/04/2026

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