FATORES DE RISCO E PREVENÇÃO DE AMPUTAÇÕES POR PÉ DIABÉTICO NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

Publicado em 10/02/2026 - ISBN: 978-65-272-2202-6

Título do Trabalho
FATORES DE RISCO E PREVENÇÃO DE AMPUTAÇÕES POR PÉ DIABÉTICO NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)
Autores
  • Elielson Felix Gonçalves
  • Mateus Magalhães Bessa
  • Victória Celeste Medeiros Tenuta
  • André Victor Teixeira Muniz
  • José Vinícius Maciel Félix
  • Maria Eduarda Braz Moreira
  • Zades Lira Ribeiro Filho
  • Antonio Claudio Rocha Mesquita Formiga
  • Kassio Melo De Sousa
  • Adna Cândido Nogueira
Modalidade
RESUMO EXPANDIDO
Área temática
Temas Livres
Data de Publicação
10/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-regional-de-doencas-cronicas-546139/1174126-fatores-de-risco-e-prevencao-de-amputacoes-por-pe-diabetico-no-sistema-unico-de-saude-(sus)
ISBN
978-65-272-2202-6
Palavras-Chave
Pé diabético; Amputações; SUS.
Resumo
1 INTRODUÇÃO A Diabetes Mellitus (DM) é uma doença metabólica crônica de etiologia multifatorial, caracterizada por hiperglicemia persistente decorrente de defeitos na secreção ou na ação da insulina. A DM pode ser classificada em dois tipos principais: o tipo 1, de origem autoimune, com maior incidência na faixa etária entre 10 e 14 anos; e o tipo 2 (DM2), responsável por aproximadamente 90% dos casos, associado à resistência insulínica e influenciado por fatores como obesidade, sedentarismo e envelhecimento (Khan; Hashim; King, 2019). Estima-se que mais de 476 milhões de pessoas vivam com DM2 em nível mundial, com projeções que ultrapassam 570 milhões até 2025 (Lin et al., 2020). A doença está associada a complicações microvasculares, como nefropatia, retinopatia e neuropatia, e macrovasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral, contribuindo, portanto, para o aumento da morbimortalidade global (Lin et al., 2020). Entre as complicações crônicas, destaca-se o pé diabético, definido como infecção, ulceração ou destruição de tecidos profundos dos pés associada a neuropatia e/ou doença arterial periférica em pacientes com DM. A neuropatia diabética leva à perda da sensibilidade, predispondo a traumas não percebidos, enquanto a isquemia impede a cicatrização, promovendo infecção e necrose. Estudos indicam que entre 19% e 34% dos pacientes com diabetes desenvolverão úlceras nos pés ao longo da vida, e essas lesões estão presentes em até 85% das amputações não traumáticas em pessoas com DM (Zhang et al., 2017). No Brasil, o volume de amputações é elevado, com uma média de 85 procedimentos diários em 2022, totalizando mais de 31 mil amputações de membros inferiores na rede pública (Ward et al., 2024). A taxa de mortalidade em cinco anos após amputações maiores pode atingir até 70%, superior à observada em muitos tipos de câncer (Ward et al., 2024). As repercussões funcionais incluem perda de mobilidade, declínio cognitivo, aumento do risco de novas ulcerações e dependência de cuidadores. No aspecto econômico, os custos com internações prolongadas, procedimentos cirúrgicos repetidos, reabilitação e fornecimento de próteses representam uma sobrecarga para os sistemas públicos de saúde. Em 2014, houve um gasto de aproximadamente R$ 586 milhões no Brasil apenas com tratamento de úlceras e amputações relacionadas ao DM (Zhang et al., 2017). Diante desse cenário, o presente trabalho tem como objetivo analisar os fatores de risco e os desafios associados às amputações por pé diabético no SUS, discutir estratégias preventivas e propor recomendações para a qualificação da atenção à saúde dessa população. 2 METODOLOGIA Trata-se de um estudo de revisão integrativa da literatura. A pesquisa foi realizada nas plataformas SciELO, PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), abrangendo publicações no período de 2015 a 2025. Foram utilizados descritores em português, inglês e espanhol, incluindo “pé diabético”, “diabetic foot” e “pie diabético”, combinados a termos como “prevenção”, “amputação”, “atenção primária” (e suas correspondentes “prevention”, “amputation”, “primary care”), por meio dos operadores booleanos AND e OR. Os critérios de inclusão englobaram artigos originais, revisões sistemáticas, diretrizes e documentos técnicos em português, inglês ou espanhol, publicados entre 2015 e 2025, que abordassem fatores de risco, barreiras assistenciais ou estratégias de prevenção de lesões e amputações em pés diabéticos – especialmente em sistemas públicos de saúde similares ao SUS. Foram excluídos estudos fora do recorte temporal, trabalhos focados apenas em terapêuticas curativas (e.g. técnicas cirúrgicas) e duplicatas entre bases. A construção da pergunta norteadora utilizou a estratégia PICO, estruturada da seguinte forma: “Em pacientes diabéticos (P), intervenções preventivas no cuidado do pé (I), em comparação à atenção usual (C), reduzem a incidência de amputações relacionadas ao pé diabético (O)?” . O processo de triagem envolveu leitura de títulos e resumos para elegibilidade, seguida da leitura integral dos estudos relevantes. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO As úlceras nos pés configuram uma das complicações mais severas e incapacitantes da DM, sendo diretamente associadas ao aumento do risco de infecções graves, internações prolongadas e amputações não traumáticas (Zhang et al., 2017). Dados epidemiológicos indicam que, anualmente, aproximadamente 18,6 milhões de pessoas com DM desenvolvem úlceras nos pés, e estima-se que até 34% dos pacientes enfrentarão essa condição ao longo da vida (Zhang et al., 2017; Ward et al., 2024). Do ponto de vista fisiopatológico, o desenvolvimento do pé diabético resulta da interação entre a neuropatia periférica diabética (NPD) e a doença arterial periférica (DAP). A NPD compromete fibras sensoriais, motoras e autonômicas, levando à perda da sensibilidade protetora, à atrofia muscular e ao surgimento de deformidades nos pés. Essas alterações favorecem a formação de pontos de pressão e calosidades, predispondo à ocorrência de lesões por traumas repetitivos (Zhang et al., 2017; Ward et al., 2024). Paralelamente, a DAP agrava o quadro ao reduzir a perfusão sanguínea dos tecidos distais, dificultando o processo de cicatrização e aumentando o risco de necrose isquêmica (Ward et al., 2024). Além dos fatores fisiopatológicos, há outros determinantes para a progressão e gravidade das lesões, como controle glicêmico inadequado, longa duração da doença, histórico prévio de úlceras ou amputações, além de infecções recorrentes, que comprometem o processo de cicatrização (Ward et al., 2024). Dados indicam que a recorrência de infecções, especialmente após episódios de osteomielite, pode elevar em até 9,4 vezes o risco de amputações subsequentes, além de aumentar em até 198 vezes a probabilidade de internações quando comparado a pacientes sem infecção ativa (Ward et al., 2024). Aspectos comportamentais, como tabagismo, excesso de peso e antecedentes de doenças cardiovasculares, estão diretamente relacionados à piora dos desfechos clínicos em indivíduos com diabetes (Lin et al., 2020; Khan; Hashim; King, 2019). Além disso, fatores socioeconômicos, como baixos níveis de escolaridade, limitações financeiras e dificuldades no acesso aos serviços de saúde, também representam barreiras para a detecção precoce de lesões, favorecendo a progressão para quadros mais graves (Zhang et al., 2017; Ward et al., 2024). Neste contexto, torna-se evidente que a prevenção deve ser priorizada. A aplicação sistemática de instrumentos de triagem, como o teste do monofilamento de 10g para avaliação da sensibilidade plantar e a palpação dos pulsos periféricos, consiste em uma estratégia eficaz na estratificação de risco (Zhang et al., 2017). Contudo, embora sejam práticas simples e de baixo custo, sua implementação ainda enfrenta desafios, sobretudo em ambientes com limitações de infraestrutura, escassez de recursos humanos e fragilidade na organização dos serviços de saúde (Ward et al., 2024; Khan; Hashim; King, 2019). 4 CONCLUSÃO As amputações relacionadas ao pé diabético estão associadas a fatores fisiopatológicos, como a NPD e a DAP, que comprometem a sensibilidade e a circulação dos membros inferiores. Também foram observados fatores comportamentais, como tabagismo, obesidade e histórico de eventos cardiovasculares, além de determinantes sociais, como baixa escolaridade e dificuldade de acesso aos serviços de saúde. A utilização de métodos de triagem, como o teste do monofilamento de 10g e a palpação dos pulsos periféricos, contribui para a identificação precoce de pacientes com risco de desenvolvimento de úlceras. Além disso, destaca-se a necessidade de reorganizar os fluxos de atendimento na atenção primária, ampliando a capacidade de identificar precocemente os casos, garantir acompanhamento adequado, com foco em evitar o agravamento das lesões e a ocorrência de amputações.
Título do Evento
Congresso Regional de Doenças Crônicas
Título dos Anais do Evento
Anais do congresso regional de doenças crônicas
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GONÇALVES, Elielson Felix et al.. FATORES DE RISCO E PREVENÇÃO DE AMPUTAÇÕES POR PÉ DIABÉTICO NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS).. In: Anais do congresso regional de doenças crônicas. Anais...Grajaú(MA) ON-LINE, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-regional-de-doencas-cronicas-546139/1174126-FATORES-DE-RISCO-E-PREVENCAO-DE-AMPUTACOES-POR-PE-DIABETICO-NO-SISTEMA-UNICO-DE-SAUDE-(SUS). Acesso em: 29/05/2026

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