MULHERES RIBEIRINHAS E INDÍGENAS DA AMAZÔNIA EM CRISES HUMANITÁRIAS: DESAFIOS ESTRUTURAIS E PSICOSSOCIAIS

Publicado em - ISBN: 978-65-272-1868-5

Título do Trabalho
MULHERES RIBEIRINHAS E INDÍGENAS DA AMAZÔNIA EM CRISES HUMANITÁRIAS: DESAFIOS ESTRUTURAIS E PSICOSSOCIAIS
Autores
  • Maria Letícia Siqueira Monteiro
  • Talita Oliveira de Almeida Deiró
  • Jessé Sidney Bezerra Gomes
Modalidade
Resumo Simples
Área temática
3. Psicologia em Situações de Desastres, Emergências e Crises Humanitárias
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-psicologia-politicas-publicas-do-amazonas/1291512-mulheres-ribeirinhas-e-indigenas-da-amazonia-em-crises-humanitarias--desafios-estruturais-e-psicossociais
ISBN
978-65-272-1868-5
Palavras-Chave
Vulnerabilidade social; Amazônia; violência de gênero; Impactos psicossociais.
Resumo
No Brasil, embora exista um arcabouço normativo voltado à proteção das mulheres, persiste uma lacuna entre o previsto em políticas públicas e sua efetivação. Essa distância se acentua na Amazônia, região marcada por desigualdades estruturais de gênero, barreiras geográficas, diversidade cultural e recorrentes emergências sociais, onde a violência baseada em gênero assume contornos específicos, atravessando as dimensões do corpo e do território, compreendido como extensão da vida coletiva e identitária (Noal, 2024). Este estudo pretende realizar uma revisão narrativa sobre os impactos psicossociais decorrentes da fragilidade das políticas públicas de proteção às mulheres nas comunidades indígenas e ribeirinhas da Amazônia, destacando como a violência baseada em gênero intensifica vulnerabilidades e repercute na saúde mental em crises humanitárias. Para tanto, realizou-se levantamento em SciELO, PubMed e documentos institucionais do Instituto Igarapé, entre 2015 e 2025, utilizando os descritores “violência de gênero”, “saúde mental”, “mulheres” e “Amazônia”. Os achados revelaram que políticas públicas formularam-se de modo centralizado, sem considerar as especificidades regionais, culturais e identitárias, resultando em serviços pouco acessíveis a comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas, além de dificultar a identificação e o enfrentamento da violência baseada em gênero. Observou-se ainda limitação na rede de atenção à saúde, especialmente quanto à cobertura de profilaxia para ISTs e contracepção de emergência em casos de violência sexual (Cargnin, 2021), escassez de Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher em funcionamento integral e falhas nas investigações, gerando impunidade (Igarapé, 2023). A persistência do casamento infantil e da gravidez precoce, bem como os impactos ambientais decorrentes da mineração, também ampliam a vulnerabilidade feminina. No âmbito psicológico, mulheres relataram isolamento, solidão e adoção de estratégias defensivas individuais como mecanismos recorrentes de sobrevivência, os quais, embora funcionais, implicam desgaste emocional significativo. Mulheres indígenas em posição de liderança destacaram a necessidade de manter postura de força contínua, resultando em sobrecarga mental. Esses achados dialogam com a noção de “vulnerabilidade diferencial” proposta por Butler (2003), segundo a qual normas sociais e de gênero determinam quais vidas são mais expostas à precariedade, especialmente em contextos de crise, evidenciando que a violência baseada em gênero é simultaneamente estrutural e individual, atravessando os modos de existência dessas populações. Conclui-se que a ineficácia das políticas públicas na Amazônia agrava o sofrimento psicológico das mulheres, expondo-as a múltiplas formas de violência e precariedade. Apesar da resiliência demonstrada, o desgaste emocional decorrente da desigualdade estrutural evidencia a urgência de estratégias de cuidado psicossociais culturalmente sensíveis e integradas em rede. Nesse cenário, a Psicologia desempenha papel fundamental na prevenção de traumas, reconstrução de vínculos comunitários e fortalecimento de políticas públicas inclusivas, contribuindo para a mitigação da vulnerabilidade psicossocial das mulheres dessas comunidades amazônicas.
Título do Evento
1° CONGRESSO DE PSICOLOGIA E POLITICAS PUBLICAS DO AMAZONAS
Cidade do Evento
Manaus
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso de Psicologia e Políticas Públicas do Amazonas: Atuação do Psicólogo em Demandas de Vulnerabilidades Sociais
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MONTEIRO, Maria Letícia Siqueira; DEIRÓ, Talita Oliveira de Almeida; GOMES, Jessé Sidney Bezerra. MULHERES RIBEIRINHAS E INDÍGENAS DA AMAZÔNIA EM CRISES HUMANITÁRIAS: DESAFIOS ESTRUTURAIS E PSICOSSOCIAIS.. In: . Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-psicologia-politicas-publicas-do-amazonas/1291512-MULHERES-RIBEIRINHAS-E-INDIGENAS-DA-AMAZONIA-EM-CRISES-HUMANITARIAS--DESAFIOS-ESTRUTURAIS-E-PSICOSSOCIAIS. Acesso em: 21/05/2026

Trabalho

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