O AUDIOVISUAL COMO MÉTODO DE PRODUÇÃO CIENTÍFICA. A POSSIBILIDADE DE UM ENSAIO-FILME.

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
O AUDIOVISUAL COMO MÉTODO DE PRODUÇÃO CIENTÍFICA. A POSSIBILIDADE DE UM ENSAIO-FILME.
Autores
  • Francisco Marcio Marques dos Santos
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Comunicação
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271845-o-audiovisual-como-metodo-de-producao-cientifica--a-possibilidade-de-um-ensaio-filme
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Audiovisual, Matrizes da Linguagem e Pensamento, Ensaio, Media Interventions.
Resumo
“Escrever é uma indecência.” Essa afirmação atravessou gerações e ainda ressoa atualmente. Já no século V a.C., Sócrates alertava sobre os riscos do uso recorrente da escrita. Desde então, muitas transformações ocorreram, especialmente no campo do pensamento científico. Com o tempo, a ciência foi se consolidando como o bastião da razão, e o racionalismo científico passou a ser visto como o guia mais seguro para a produção do conhecimento. O domínio das religiões foi gradualmente cedendo lugar a um método empírico e racional, cuja estrutura rigorosa acabou sendo adotada como padrão universal da ciência. Quando observamos a natureza da compreensão, as reflexões do professor Dimas Kunsch da UMESP são incrivelmente expansivas: afinal seria o rigor científico a única maneira de obter conhecimento? O professor comenta sobre a exigência inegociável de uma lógica rigorosa, o que justificaria a existência de cadeias de pensamento difíceis de acompanhar. Também menciona a chatice das rotinas acadêmicas assinalando que os pesquisadores novos lidam com o grande desafio de aprender a escrever de acordo com as normas, uma missão torturante. O ensaio é um formato de narrativa um tanto polêmico por assim dizer. De início porque ele é baseado principalmente na vivência do autor. O ensaio é mais permissivo que o discurso rigoroso do método científico. A mente aberta para a criatividade, aberta para percepção sensível do mundo. Adorno, um dos expoentes da escola de Frankfurt em 1954 publicou O Ensaio Como Forma. Para o autor, o ensaio não busca resolver ou reconciliar opostos, mas sim explorar e enfatizar as tensões e conflitos inerentes ao nosso objeto de estudo. Os ensaios são formidáveis catalisadores de ideias. É curioso que no cinema temos o filme-ensaio, um subgênero do cinema que se caracteriza pela expressão do pensamento do realizador no próprio filme. Nos filmes-ensaio o autor costuma transpor os conteúdos registrados com a sua câmera e o faz subvertendo o processo de edição, adicionando elementos autorais às suas narrativas como seus próprios textos narrações e performances. Com todas essas reflexões sobre o filme-ensaio seria possível sugerir o caminho contrário? Poderia haver um ensaio-filme? Até que ponto uma narrativa audiovisual poderia ser considerada um ensaio científico? Este artigo é uma tentativa de responder a tal questionamento. Posto que este texto foi adaptado de uma produção audiovisual, sugiro ao leitor que conheça a experiência original, disponível no YouTube . Já que escrever é uma indecência, nas palavras de Sócrates, vamos lembrar que há outras maneiras de se comunicar além da escrita. Tudo que tenta representar algo é um signo seja qual for a forma pela qual o percebemos. Linguagem é signo, o modo como pensamos também é organizado por signos. É a partir daí que a professora Lúcia Santaella da PUC São Paulo trabalha com o um conceito interessante em sua obra: As Matrizes da Linguagem e do Pensamento. De acordo com a professora, existem basicamente três matrizes para a elaboração das linguagens. Uma delas é a matriz verbal, a linguagem escrita e falada, a preferida do método científico. Ela está sendo útil no momento em que você compreende a o sentido deste texto. Não confundir com a matriz sonora que está relacionada com a nossa percepção auditiva, incluindo música, voz e outros ruídos. Já a matriz visual, segundo Santaella, refere-se ao conjunto de elementos imagéticos que compõem a experiência humana, incluindo imagens, formas, cores, símbolos e gestos. Na verdade, as diferentes matrizes se combinam para criar significados mais complexos e muito presentes nas mídias contemporâneas. É uma chave para compreender como a televisão, o cinema e a internet afetam a nossa percepção e a nossa comunicação. Há muitas considerações a partir desse ponto. O vídeo permite explorar outras possibilidades de compreensão pois o seu autor pode manejar livremente as diferentes matrizes. Assim como o espectador conta com uma série de recursos digitais que as linhas apenas descrevem para você, caro leitor. Uma boa trilha sonora não vai solucionar os problemas do mundo, mas a música pode ser uma boa ideia para garantir a escuta de grupos e minorias. O audiovisual é desafiador e requer uma técnica que vai além do ato de escrever. Mas conta com um potencial imenso de expressão e compreensão, que pode funcionar muito bem como método científico. E afinal, como diria Heidegger, não podemos deixar a técnica com os técnicos. Referências • ADORNO, Theodor. O ensaio como forma. In: COHN, Gabriel. Theodor W. Adorno. São Paulo: Ática, 1986. • BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica. Disponível em: http://www.mom.arq.ufmg.br/mom/02_babel/textos/benjamin-obra-de-arte-1.pdf. 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Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANTOS, Francisco Marcio Marques dos. O AUDIOVISUAL COMO MÉTODO DE PRODUÇÃO CIENTÍFICA. A POSSIBILIDADE DE UM ENSAIO-FILME... In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271845-O-AUDIOVISUAL-COMO-METODO-DE-PRODUCAO-CIENTIFICA--A-POSSIBILIDADE-DE-UM-ENSAIO-FILME. Acesso em: 12/02/2026

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