COMPORTAMENTO OPERANTE VERBAL TATO SOB CONTROLE DE GÊNERO: UMA PESQUISA EXPERIMENTAL

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
COMPORTAMENTO OPERANTE VERBAL TATO SOB CONTROLE DE GÊNERO: UMA PESQUISA EXPERIMENTAL
Autores
  • Ana Carolina Bressanin do Nascimento
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271678-comportamento-operante-verbal-tato-sob-controle-de-genero--uma-pesquisa-experimental
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Gênero, Análise do comportamento, Psicologia Experimental
Resumo
A Análise do Comportamento tem como um de seus principais objetivos compreender as formas pelas quais os seres humanos interagem com o ambiente e como essas interações são moduladas por contingências de reforço. Entre os fenômenos estudados, o comportamento verbal operante é um fenômeno importante, visto que é por meio dele que os indivíduos não apenas se comunicam, mas também organizam práticas sociais, transmitem valores culturais e perpetuam distinções, como as relacionadas ao recorte de gênero. O comportamento verbal é definido como aquele mediado pela comunidade verbal, ou seja, não é a relação direta entre uma resposta e suas consequências físicas que importa, mas sim a maneira como outras pessoas respondem a tal emissão (Skinner, 1957). Nesse contexto, um dos operantes verbais mais relevantes é o tato: que são respostas verbais emitidas sob controle de estímulos discriminativos não verbais (por exemplo, apontar para um cachorro e dizer “cachorro” ou quando o bebê balbucia “mama” próximo a mãe), com a consequência de reforçamento social mediado por ouvintes. O comportamento verba tato é fundamental porque permite compreender como se estabelecem descrições, categorizações e classificações de pessoas, objetos e eventos. Em termos culturais, isso inclui desde a nomeação de fenômenos naturais até práticas de rotulação social, como quando brinquedos são descritos como de “menino” ou “menina”. Apesar de parecer simples, tais verbalizações carregam o peso de contingências culturais que modelam e mantêm distinções de gênero, muitas vezes reforçando práticas discriminatórias ou pouco flexíveis (Baum, 2005; Moreira & Medeiros, 2007). Com o avanço da pesquisa experimental em comportamento verbal, surgiram novas tecnologias para investigar não apenas o que as pessoas dizem abertamente, mas também os padrões implícitos de resposta. Entre essas tecnologias destaca-se o Implicit Relational Assessment Procedure (IRAP), um procedimento computadorizado que busca medir a rapidez e a coerência de respostas relacionais frente a estímulos apresentados. Em outras palavras, o IRAP avalia não só o “o que” se responde, mas também o “como” e o “quão rápido”, fornecendo indícios de vieses, resistências e padrões implícitos de comportamento verbal (Barnes-Holmes et al., 2006). Esse tipo de instrumento é particularmente útil na análise de fenômenos sociais como preconceitos, atitudes e vieses relacionados ao gênero. Afinal, muitas vezes as pessoas emitem verbalizações socialmente aceitáveis em público, mas apresentam padrões implícitos que revelam contingências culturais mais profundas e resistentes à mudança. Assim, o IRAP amplia as ferramentas do analista do comportamento para além do relato verbal direto, permitindo acessar nuances que escapariam em entrevistas ou questionários tradicionais. O projeto proposto busca compreender e articular esses elementos: investigará, em uma população de adultos entre 18 e 45 anos, como os tatos relacionados ao gênero são mantidos, modificados ou flexibilizados em função das contingências verbais e relacionais. Por meio do IRAP, serão analisadas tanto a rapidez quanto a consistência das respostas emitidas diante de diferentes estímulos relacionados a gênero, que estejam incluídos no cotidiano dos participantes, que podem possuir algum gênero e serão excluídos estímulos que não possuem gênero e sejam considerados socialmente neutros. Essa análise permitirá identificar se certos padrões de nomeação (como associar determinadas profissões, cores ou objetos a “homens” ou “mulheres”) são mais resistentes à mudança, verificar se novas contingências podem promover maior flexibilidade e a compreensão do quanto o comportamento verbal tato vinculado ao recorte de gênero possa influenciar nas escolhas da vida de um indivíduo. A relevância do estudo é objetiva, e discussões sobre recorte de gênero se mostram cada vez mais presentes na sociedade contemporânea e compreender como as distinções entre feminino e masculino são sustentadas, transformadas e mantidas é essencial para promover mais inclusão e fundamentação empírica para tais discussões. A análise do comportamento, ao enfatizar a seleção por consequências e o papel das contingências culturais, oferece uma observação e compreensão importante para investigar como determinados modos de falar e nomear perpetuam práticas discriminatórias (Skinner, 1953/2003; Todorov, 2012). Um exemplo para compreender a importância da temática de recorte de gênero é quando uma criança tem interesse por um brinquedo rosa e alguém diz que é coisa de menina. Esse comportamento não apenas estabelece um tato, mas também fortalece práticas culturais que reforçam e associam cor e gênero de forma rígida. Esse tato, mantido por reforçamento social, pode ser generalizado para outros contextos e influenciar nas escolhas do indivíduo, assim como nas expectativas que ele tenha com si mesmo e aos outros, logo, a compreensão desse comportamento cultural abre meios para intervenções que favoreçam repertórios mais amplos e menos restritivos. Dessa forma, ao realizar o estudo experimental do tato com a tecnologia do IRAP, este projeto propõe não apenas compreender, mas também oferecer bases empíricas para intervenções futuras em práticas sociais ligadas ao gênero. Em suma, a investigação proposta busca preencher uma lacuna entre teoria, pesquisa experimental e relevância social. Se o comportamento verbal é uma das ferramentas mais poderosas da cultura, então compreendê-lo e investigá-lo no contexto do gênero é uma forma de utilizar a ciência do comportamento para promover mudança cultural, aproximando-nos de práticas mais equitativas e inclusivas. Referências Baum, W. M. (2005). Understanding behaviorism: Behavior, culture, and evolution (2nd ed.). Blackwell. Barnes-Holmes, D., Barnes-Holmes, Y., Stewart, I., & Boles, S. (2006). A sketch of the Implicit Relational Assessment Procedure (IRAP) and the Relational Elaboration and Coherence (REC) model. The Psychological Record, 56(4), 489–511. Moreira, M. B., & Medeiros, C. A. (2007). Fundamentos da análise do comportamento. EDUFBA. Skinner, B. F. (1953/2003). Ciência e comportamento humano (J. C. Todorov & R. Azzi, Trads.). Martins Fontes. (Original publicado em 1953) Skinner, B. F. (1957). Verbal behavior. Appleton-Century-Crofts. Todorov, J. C. (2012). Seleção por consequências: Um conceito fundamental para a análise do comportamento. Instituto Walden4.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

NASCIMENTO, Ana Carolina Bressanin do. COMPORTAMENTO OPERANTE VERBAL TATO SOB CONTROLE DE GÊNERO: UMA PESQUISA EXPERIMENTAL.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271678-COMPORTAMENTO-OPERANTE-VERBAL-TATO-SOB-CONTROLE-DE-GENERO--UMA-PESQUISA-EXPERIMENTAL. Acesso em: 17/02/2026

Trabalho

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