A AGONIA DA NARRATIVA: BYUNG-CHUL HAN E A CRISE DA NARRAÇÃO NA SOCIEDADE DO CANSAÇO

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
A AGONIA DA NARRATIVA: BYUNG-CHUL HAN E A CRISE DA NARRAÇÃO NA SOCIEDADE DO CANSAÇO
Autores
  • Wilson Akifumi Onishi
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Educação
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271572-a-agonia-da-narrativa--byung-chul-han-e-a-crise-da-narracao-na-sociedade-do-cansaco
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Byung-Chul Han; Sociedade do Cansaço; Crise da Narração; Sujeito de Desempenho; Pós-modernidade.
Resumo
Wilson Akifumi Onishi, Mestrando do PPGE, UMESP, wilonishi@gmail.com O presente trabalho investiga a profunda conexão entre a crise da subjetividade contemporânea, diagnosticada por Byung-Chul Han em “Sociedade do Cansaço”, e a desintegração das formas narrativas, explorada em sua obra “A Crise da Narração”. Vivemos um paradoxo: em uma era de hipercomunicação e exposição constante em redes digitais, experimentamos um esvaziamento do sentido e uma incapacidade crescente de construir narrativas coesas que deem forma à experiência humana. Este estudo parte do problema central: de que maneira o “sujeito de desempenho”, figura emblemática da sociedade neoliberal tardia, se torna incapaz de narrar a si e ao mundo, substituindo o relato pela mera acumulação de informações e vivências instantâneas? O objetivo é, portanto, analisar como a lógica da performance, da auto-otimização e da positividade excessiva corrói as fundações da narração – o tempo, a comunidade e a negatividade – levando a uma pessoa dispersa, cansada e sem uma direção clara na vida. Argumenta-se que a perda da capacidade narrativa não é um fenômeno isolado, mas um sintoma direto de uma transformação social que privilegia a produção em detrimento da contemplação e a informação em detrimento da formação (Bildung). O desenvolvimento se ancora em uma análise conceitual das obras mencionadas, traçando um paralelo direto entre a ascensão do sujeito de desempenho e o declínio da comunidade narrativa. Em “Sociedade do Cansaço”, Han descreve a transição da sociedade disciplinar, baseada na negatividade do “não dever”, para a sociedade do desempenho, movida pela positividade ilimitada do “poder fazer”. Nesse novo paradigma, o indivíduo não é mais coagido por uma força externa, mas por um imperativo interno de performance e sucesso. Ele se torna, simultaneamente, senhor e escravo de si mesmo, em um ciclo de autoexploração voluntária que o leva ao esgotamento, ou burnout. Essa condição de isolamento e competição constante cria o que Han chama de “inferno do igual”, onde a alteridade e a negatividade do Outro são eliminadas em favor de uma massa de indivíduos atomizados. É precisamente aqui que a tese de “A Crise da Narração” se torna crucial. A narração, para Han, não é um ato individual, mas fundamentalmente comunitário. Ela depende de um “nós”, de rituais compartilhados e de uma temporalidade que transcende o presente imediato. As narrativas criam comunidade (Gemeinschaft) e conferem sentido (Sinn) à vida, organizando o fluxo caótico de acontecimentos em uma totalidade com começo, meio e fim. Contudo, a sociedade do desempenho destrói essa base comunitária. O sujeito, focado em sua própria performance, perde a escuta atenta e a capacidade de se conectar com os outros de forma duradoura. A comunicação é substituída pelo fluxo incessante de informações – dados curtos, voláteis e desprovidos de contexto ou profundidade. A informação é aditiva e cumulativa, enquanto a narração é integradora e transformadora. Ao perder os rituais que estabilizam a vida e criam laços, o sujeito contemporâneo se vê imerso em um mar de dados que não se convertem em experiência ou sabedoria. A vida se torna uma série de “vivências” pontuais, prontas para serem postadas e consumidas, mas que não se sedimentam em uma história de vida coerente. A transparência exigida pelas plataformas digitais, outro conceito-chave de Han, acelera esse processo, eliminando a opacidade, a ambiguidade e o mistério necessários para o florescimento de um bom relato. Conclui-se, portanto, que a exaustão e a depressão, patologias centrais da sociedade do desempenho, são também patologias da narração. O sujeito esgotado é um sujeito que não consegue mais contar sua própria história, pois sua vida foi reduzida a uma sucessão de tarefas e projetos sem um fio condutor. A crise da narração é, assim, o reflexo cultural da atomização social e do adoecimento psíquico promovidos pelo neoliberalismo. Ao substituir a comunidade pela rede e a narração pela informação, o sujeito contemporâneo perde não apenas a capacidade de se comunicar de forma significativa, mas a própria possibilidade de construir um sentido para sua existência. A reflexão sobre esse diagnóstico se mostra urgente, especialmente para áreas como a educação e as humanidades, que têm na formação de sujeitos críticos e na capacidade de narrar seus pilares fundamentais.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ONISHI, Wilson Akifumi. A AGONIA DA NARRATIVA: BYUNG-CHUL HAN E A CRISE DA NARRAÇÃO NA SOCIEDADE DO CANSAÇO.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271572-A-AGONIA-DA-NARRATIVA--BYUNG-CHUL-HAN-E-A-CRISE-DA-NARRACAO-NA-SOCIEDADE-DO-CANSACO. Acesso em: 09/02/2026

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