EXPERIÊNCIAS ACADÊMICAS NO USO DO CISCO PACKET TRACER NO CURSO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
EXPERIÊNCIAS ACADÊMICAS NO USO DO CISCO PACKET TRACER NO CURSO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
Autores
  • Edvan Dos Santos
  • Lucas Rodrigues de Sousa
  • Cesar Henrique Lima Santos
  • Leandro Brandão Jacques
  • Victor Higor Alves Cardoso
  • Tiago Misawa Calixto
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Análise e Desenvolvimento de Sistemas
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271530-experiencias-academicas-no-uso-do-cisco-packet-tracer-no-curso-de-tecnologia-da-informacao
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Cisco Packet Tracer, Redes de Computadores, VLAN, Roteamento Dinâmico, Troubleshooting
Resumo
Este trabalho relata e analisa experiências acadêmicas desenvolvidas no curso de Tecnologia da Informação da Universidade Metodista de São Paulo a partir do uso sistemático do simulador Cisco Packet Tracer, enfatizando como a prática guiada em ambiente virtual contribuiu para consolidar conceitos de redes de computadores e resolver problemas típicos de infraestrutura com rigor técnico e postura investigativa. A proposta surgiu da constatação de que muitos estudantes compreendem a teoria de modelos e protocolos, mas encontram dificuldade em transferir esse conhecimento para situações reais de configuração, diagnóstico e documentação; nesse contexto, a ferramenta viabilizou experimentação segura, repetível e economicamente acessível, permitindo iterar rapidamente sobre topologias, parametrizações e cenários de falha. As atividades contemplaram desde fundamentos (modelo OSI e pilha TCP/IP, encapsulamento, ARP, ICMP, endereçamento IPv4 com VLSM e planejamento de sub-redes) até tópicos intermediários e avançados, incluindo criação de topologias hierárquicas em camadas, segmentação lógica por VLANs, configuração de troncos 802.1Q, spanning tree para prevenção de loops, agregação de enlaces com EtherChannel, atribuição estática e dinâmica de endereços via DHCP, tradução de endereços (NAT/PAT) em limites de rede, e publicação controlada de serviços internos com listas de controle de acesso (ACLs) padrão e estendidas. No roteamento, foram implementados e comparados cenários com rotas estáticas, RIPng de baixo custo didático, OSPF de área única e multiárea, além de EIGRP em ambiente de laboratório, observando convergência, métricas, sumarização e impacto de ajustes finos (hello/dead intervals, custos, passive interfaces). Em serviços, foram simulados DNS, HTTP e pequenas bases de dados para representar dependências de aplicações; na camada de acesso, foram avaliadas políticas simples de segurança de portas (port-security), desativação de protocolos legados e boas práticas de hardening em dispositivos de borda. A metodologia combinou estudos dirigidos, laboratórios guiados por roteiros com objetivos de aprendizagem explícitos, desafios práticos com requisitos abertos (por exemplo, “reduza o domínio de broadcast e garanta políticas de acesso entre setores X e Y, mantendo latência abaixo de N ms no caminho crítico”), e sessões de troubleshooting orientadas por evidências, usando o modo Simulation do Packet Tracer para inspecionar PDUs, tabelas e fluxos. Em cada entrega, o grupo registrou hipóteses, decisões de projeto, verificações (pings, tracert, tabelas MAC/ARP/roteamento), artefatos de configuração comentados e uma síntese de “lições aprendidas”, o que favoreceu metacognição e reprodutibilidade. Os resultados indicam ganhos expressivos em três frentes complementares: (i) domínio conceitual, evidenciado pela capacidade de associar sintomas a camadas/protocolos específicos, formular hipóteses plausíveis de causa-raiz e validar correções com testes mínimos e bem delineados; (ii) fluência operacional, refletida em configurações corretas e consistentes entre dispositivos, padronização de nomenclatura, uso de comentários e verificação de estado por comandos de show e debug; e (iii) competências socioemocionais e profissionais, como colaboração, comunicação técnica e gestão do tempo em sprints curtos. Um achado pedagógico relevante foi perceber que a simples execução de um roteiro não garante aprendizagem profunda: foi decisivo introduzir “travessias de zona de desconforto”, como falhas intencionais (cabos trocados, VLAN ausente no tronco, máscara incorreta, ACL invertida) e requisitos contraditórios que forçavam análise crítica e priorização, aproximando o ambiente acadêmico de pressões reais de operação. Também se observou que a documentação viva — topologias versionadas, tabelas de endereçamento, matrizes de VLAN, políticas de ACL, decisões de design justificadas — reduz retrabalho e acelera onboarding entre colegas, especialmente quando os grupos alternam funções (projeto, implementação, validação, auditoria) a cada sprint, o que ajuda a quebrar a dependência de “especialistas únicos” e favorece aprendizado transversal. Em termos de avaliação, além de rubricas de correção funcional (conectividade fim a fim, isolamento adequado entre domínios de broadcast, conformidade com requisitos de acesso), incorporou-se uma dimensão de observabilidade: clareza de testes, evidências coletadas e raciocínio diagnóstico. Nessas métricas, o desempenho médio evoluiu gradualmente, com redução de tempos de convergência humana (do primeiro ping falho à causa-raiz) e diminuição de incidentes reincidentes em laboratórios subsequentes, sinalizando consolidação de heurísticas de troubleshooting. Do ponto de vista de alinhamento com o mercado, as situações modeladas no Packet Tracer fizeram ponte com práticas corriqueiras de campo, como implantação de segmentos isolados para áreas sensíveis (ex.: RH e financeiro), exposição controlada de serviços internos via NAT e ACLs, e criação de trilhas de auditoria para mudanças de configuração; embora o simulador não substitua a complexidade de um ambiente produtivo, sua capacidade de representar fluxos, temporizações e tabelas fornece uma base sólida que encurta a curva de aprendizagem quando o estudante encontra equipamentos reais. As limitações reconhecidas incluem abstrações inevitáveis do simulador (desvios de temporização, ausência de alguns recursos proprietários, simplificações de rádio em redes sem fio), risco de “overfitting” à ferramenta e a tendência inicial de buscar soluções por tentativa e erro sem leitura sistemática de logs e tabelas; para mitigá-las, foram propostos momentos de transposição conceitual (comparando CLIs reais e documentação oficial), exercícios de estimativa de capacidade e latência sem apoio do Simulation, e revisão por pares com foco em justificativas técnicas. Em síntese, o percurso formativo com o Cisco Packet Tracer mostrou-se efetivo para integrar teoria e prática, promover pensamento sistêmico sobre redes e cultivar uma postura profissional orientada a evidências, ao mesmo tempo em que estimulou colaboração e comunicação técnica — competências essenciais em TI. Conclui-se que a abordagem didático-metodológica adotada, centrada em problemas autênticos, documentação viva e avaliação por evidências, potencializa o simulador como mediador da aprendizagem, oferecendo aos estudantes um laboratório seguro para errar, explicar, corrigir e consolidar, e aos docentes um ecossistema rico para observar processos, intervir pontualmente e avaliar além do binário “funcionou/não funcionou”. Como próximos passos, sugere-se incorporar cenários com dual-stack IPv4/IPv6, roteamento dinâmico com políticas mais restritivas, QoS básica para tráfego sensível, e integração com conteúdos de segurança (por exemplo, segmentação por VLAN associada a perfis de acesso e registros de auditoria), além de explorar a apresentação pública dos resultados — presencial ou remota — no congresso, como exercício adicional de síntese e comunicação científica.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANTOS, Edvan Dos et al.. EXPERIÊNCIAS ACADÊMICAS NO USO DO CISCO PACKET TRACER NO CURSO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271530-EXPERIENCIAS-ACADEMICAS-NO-USO-DO-CISCO-PACKET-TRACER-NO-CURSO-DE-TECNOLOGIA-DA-INFORMACAO. Acesso em: 12/02/2026

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