ADOLESCÊNCIA E VIOLÊNCIA RELACIONAL: REFLEXÕES SISTÊMICAS BASEADAS EM ANÁLISE DOCUMENTAL AUDIOVISUAL

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
ADOLESCÊNCIA E VIOLÊNCIA RELACIONAL: REFLEXÕES SISTÊMICAS BASEADAS EM ANÁLISE DOCUMENTAL AUDIOVISUAL
Autores
  • Daniela Gouveia Viana
  • Fabiana Correa Mateus
  • Tatiane Oliveira
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271208-adolescencia-e-violencia-relacional--reflexoes-sistemicas-baseadas-em-analise-documental-audiovisual
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
adolescência, bullying, cyberbullying, teoria sistêmica, saúde mental
Resumo
A adolescência constitui-se como um período de profundas transformações biopsicossociais. É uma etapa marcada pela busca de identidade, pela necessidade de pertencimento a grupos sociais e pela construção da autonomia, aspectos que, muitas vezes, colocam os adolescentes em situações de vulnerabilidade emocional e relacional. Entre os fenômenos mais recorrentes nesse cenário estão as diversas formas de violência relacional, como o bullying e o cyberbullying, que podem impactar de maneira significativa a saúde mental, a percepção de si e as relações sociais dos jovens. Esse tema se torna ainda mais relevante quando articulado a uma perspectiva sistêmica, na qual o sofrimento individual não é interpretado isoladamente, mas em relação a contextos familiares, escolares, digitais e sociais mais amplos. O presente estudo objetiva analisar e refletir sobre as dinâmicas relacionais presentes na minissérie Adolescência (2025), dirigida por Philip Barantini e exibida pela Netflix, a partir da Teoria Sistêmica desenvolvida por Murray Bowen e Salvador Minuchin, articulando conceitos fundamentais como triangulação, diferenciação do self, fronteiras familiares e homeostase. Para isso, adotou-se uma abordagem qualitativa de análise documental audiovisual, utilizando a análise fílmica como estratégia metodológica, em diálogo com propostas contemporâneas de leitura da linguagem cinematográfica como expressão social. A coleta de dados ocorreu por meio da visualização integral da minissérie em quatro episódios filmados em plano-sequência, em diferentes momentos por três pesquisadoras, que realizaram registros sistemáticos de cenas, diálogos e recursos estéticos. O enredo acompanha a trajetória de Jamie Miller, um adolescente de 13 anos acusado de envolvimento em um episódio violento após ter vivenciado bullying e cyberbullying em seu contexto escolar e digital. A narrativa revela a negligência institucional, as dificuldades de comunicação entre pais e filhos e a ausência de espaços de escuta qualificada, aspectos que, quando interpretados à luz da teoria sistêmica, tornam-se fundamentais para compreender as vulnerabilidades emocionais que atravessam a adolescência. Do ponto de vista estético, a obra adota recursos visuais e sonoros que ampliam a percepção do espectador acerca do sofrimento do protagonista. O uso de paleta de cores frias, iluminação contrastante e planos fechados reforçam a sensação de vulnerabilidade, enquanto ângulos baixos retratam a posição de fragilidade de Jamie diante de seus pares e adultos. A trilha sonora minimalista intensifica a angústia e o isolamento vivenciado pelo adolescente, confirmando o potencial da linguagem audiovisual como dispositivo simbólico capaz de organizar e comunicar afetos. A análise contextual indica que a obra está inserida em um cenário pós-pandêmico, marcado pelo aumento do uso de mídias digitais, pelo enfraquecimento das redes de apoio e pela intensificação de sintomas de ansiedade, depressão e ideação suicida entre adolescentes. Dessa forma, a minissérie se configura como um documento cultural e social relevante para a sensibilização da sociedade sobre os riscos da violência relacional e digital, sobretudo em sua dimensão simbólica. Entre os principais resultados da análise, observa-se que o sofrimento de Jamie não é apenas uma experiência individual, mas expressão de relações familiares fragilizadas, de fronteiras difusas entre subsistemas familiares e da falta de diferenciação do self. A ausência de diálogo empático e a repetição de padrões disfuncionais evidenciam uma homeostase que perpetua o sofrimento, configurando um ciclo de retroalimentação negativa. O estudo destaca a importância de compreender o bullying e o cyberbullying não apenas como problemas individuais, mas como fenômenos relacionais enraizados em contextos sociais e familiares. Intervenções eficazes devem incluir estratégias de prevenção e enfrentamento integradas, como a criação de espaços de escuta qualificada, fortalecimento de vínculos familiares, mediação de conflitos escolares e promoção da educação digital crítica. Conclui-se que a minissérie Adolescência contribui não apenas como produto cultural e artístico, mas como dispositivo crítico e educativo, capaz de mobilizar reflexões éticas e sociais. Ao articular análise audiovisual e referencial teórico sistêmico, o presente estudo evidencia que a superação da violência relacional exige não apenas políticas públicas específicas, mas também a corresponsabilidade social no acolhimento e na proteção dos adolescentes. Obras audiovisuais, nesse sentido, assumem papel de destaque como recursos de sensibilização e de construção coletiva de redes de apoio.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

VIANA, Daniela Gouveia; MATEUS, Fabiana Correa; OLIVEIRA, Tatiane. ADOLESCÊNCIA E VIOLÊNCIA RELACIONAL: REFLEXÕES SISTÊMICAS BASEADAS EM ANÁLISE DOCUMENTAL AUDIOVISUAL.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271208-ADOLESCENCIA-E-VIOLENCIA-RELACIONAL--REFLEXOES-SISTEMICAS-BASEADAS-EM-ANALISE-DOCUMENTAL-AUDIOVISUAL. Acesso em: 17/02/2026

Trabalho

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