SAÚDE MENTAL COMO EIXO ESTRATÉGICO: DESAFIOS DA GESTÃO E IMPACTOS NAS RELAÇÕES DE TRABALHO E COM CLIENTES

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
SAÚDE MENTAL COMO EIXO ESTRATÉGICO: DESAFIOS DA GESTÃO E IMPACTOS NAS RELAÇÕES DE TRABALHO E COM CLIENTES
Autores
  • Adriana Castro
  • Camilla Calcagno Raymundo da Silva
  • Thalita de Castro Reis
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271059-saude-mental-como-eixo-estrategico--desafios-da-gestao-e-impactos-nas-relacoes-de-trabalho-e-com-clientes
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Palavras-chave: Psicologia Organizacional; Saúde Mental; Cultura Organizacional; Comunicação; Reconhecimento.
Resumo
Adriana Castro Garavelo – Universidade Metodista de São Paulo E-mail: castro.adriana1@gmail.com Camilla Calcagno Raymundo da Silva – Universidade Metodista de São Paulo Email:camilla_calcagno@hotmail.com Thalita de Castro Reis – Universidade Metodista de São Paulo E-mail: reis.thalita@gmail.com Profa. Dra. Valéria Calipo – Universidade Metodista de São Paulo E-mail: valeria.calipo@metodista.br RESUMO A saúde mental no trabalho constitui um dos maiores desafios das organizações contemporâneas, afetando diretamente a produtividade, a coesão interna e a qualidade das relações com clientes. O presente estudo, derivado de experiências de estágio supervisionado em Psicologia Organizacional, analisa como práticas de gestão, comunicação e reconhecimento influenciam o bem-estar dos colaboradores e, em consequência, os resultados institucionais. Além da análise teórica, as observações práticas em diferentes organizações permitiram identificar de que forma o cuidado (ou a ausência dele) com a vida emocional dos trabalhadores repercute tanto nos processos internosquanto na imagem externa das instituições. A fundamentação teórica baseia-se em três referenciais principais. Para BLEGER (2001), as instituições exercem função de “continente”, podendo sustentar a estabilidade subjetiva dos indivíduos ou, ao contrário, fragilizá-la quando há ausência de vínculos sólidos, clareza de papéis ou espaço para expressão. DEJOURS (2005), a partir da Psicodinâmica do Trabalho, discute como as exigências laborais inevitavelmente geram tensão e sofrimento, mas destaca que o reconhecimento, a cooperação e a possibilidade de simbolizar as experiências transformam esse sofrimento em fonte de prazer e realização. Já ZANELLI; BORGES-ANDRADE; BASTOS (2014) demonstram que o trabalho constitui um dos principais organizadores da vida social e identitária, sendo a cultura e o clima organizacional determinantes para a motivação, a permanência e a qualidade das relações interpessoais. A pesquisa empírica baseia-se em três contextos distintos de estágio. O primeiro revelou uma organização atravessada por luto institucional, episódios de assédio moral, comunicação deficiente e práticas informais que alimentavam o medo, a desconfiança e o desgaste emocional dos trabalhadores. O segundo contexto, em uma empresa de pequeno porte voltada à prestação de serviços, evidenciou centralização de decisões, sobrecarga de tarefas e ausência de espaços de escuta, fatores que enfraqueceram a motivação e a clareza de funções. O terceiro cenário, em uma organização do setor socioambiental e tecnológico, apresentou uma cultura inovadora e colaborativa, embora ainda em processo de estruturação formal. Nesse ambiente, os desafios de recrutamento, seleção e integração de novos colaboradores revelaram a necessidade de processos mais organizados que garantam adaptação saudável e fortalecimento do senso de pertencimento.Os resultados observados reforçam que a saúde mental não pode ser tratada como aspecto periférico, mas como dimensão estratégica da gestão. Organizações que negligenciam esse cuidado tendem a vivenciar rotatividade elevada, absenteísmo, conflitos internos e deterioração da imagem diante de clientes. A insatisfação dos trabalhadores impacta diretamente o atendimento, reduz a eficiência e compromete a fidelização. Por outro lado, instituições que investem em escuta ativa, reconhecimento, comunicação transparente e políticas de valorização fortalecem sua identidade organizacional, estimulam o engajamento e constroem vínculos sustentáveis. O impacto positivo se reflete tanto no ambiente interno quanto em indicadores externos de qualidade e satisfação, demonstrando a estreita relação entre saúde mental, desempenho e relações de confiança. A Psicologia Organizacional desempenha papel central na mediação entre saúde emocional e resultados institucionais. Intervenções que favoreçam clareza de papéis, valorização simbólica do trabalho e espaços de diálogo contribuem não apenas para reduzir desgastes emocionais, mas também para consolidar culturas organizacionais mais éticas, humanas e produtivas. A discussão aqui apresentada reforça a urgência de considerar a saúde mental como eixo central do desenvolvimento institucional, em consonância com a NR-01 (BRASIL, 2020), que estabelece diretrizes sobre segurança no ambiente de trabalho e preservação da integridade física e emocional dos trabalhadores. Com a atualização da norma pela Portaria MTE nº 1.419/2024, tornou-se obrigatória a inclusão dos fatores de risco psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A implementação passou a valer inicialmente em 26 de maio de 2025, mas, em caráter educativo, a fiscalização plena foi prorrogada para 26 de maio de 2026, conforme a Portaria MTE nº 765/2025. Essa medida reconhece que aspectos como estresse, assédio e sobrecarga mental devem ser monitorados e geridos pelas organizações, integrando-se às práticas de saúde e segurança do trabalho. A norma, aliada à Resolução CFP nº 02/2022 (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2022), evidencia a importância da avaliação psicossocial, da gestão de riscos organizacionais e da análise de fatores que influenciam o comportamento humano, como personalidade, habilidades e aspectos emocionais. Nesse contexto, o psicólogo organizacional exerce um papel estratégico, atuando como mediador entre a saúde dos trabalhadores e os objetivos institucionais, por meio de ações de escuta, reconhecimento, prevenção e capacitação. Sua intervenção contribui não apenas para a redução de riscos e desgastes emocionais, mas também para o fortalecimento das relações interpessoais e da produtividade. Reconhecer que colaboradores mais saudáveis produzem organizações mais sustentáveis, competitivas e capazes de oferecer melhor qualidade nas relações com clientes e parceiros é condição fundamental para consolidar práticas organizacionais éticas e eficazes. Palavras-chave: Psicologia Organizacional; Saúde Mental; Cultura Organizacional; Comunicação; Reconhecimento. REFERÊNCIAS BLEGER, José. Psicologia Institucional. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora NR-01: Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Portaria SEPRT/ME nº 6.730, de 9 de março de 2020. Disponível em: <https://www.gov.br/trabalho>. Acesso em: 25 ago. 2025. CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). Resolução CFP nº 02/2022: Institui regras para a realização de avaliação psicossocial no contexto das Normas Regulamentadoras (NRs) do Ministério do Trabalho e Previdência. Brasília: CFP, 2022. Disponível em: <https://site.cfp.org.br>. Acesso em: 25 ago. 2025. DEJOURS, Christophe. Subjetividade, trabalho e ação: prazer e sofrimento no trabalho. São Paulo: Atlas, 2005. ZANELLI, José Carlos; BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo; BASTOS, Antônio Virgílio Bittencourt. Psicologia, organizações e trabalho no Brasil. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CASTRO, Adriana; SILVA, Camilla Calcagno Raymundo da; REIS, Thalita de Castro. SAÚDE MENTAL COMO EIXO ESTRATÉGICO: DESAFIOS DA GESTÃO E IMPACTOS NAS RELAÇÕES DE TRABALHO E COM CLIENTES.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271059-SAUDE-MENTAL-COMO-EIXO-ESTRATEGICO--DESAFIOS-DA-GESTAO-E-IMPACTOS-NAS-RELACOES-DE-TRABALHO-E-COM-CLIENTES. Acesso em: 12/02/2026

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