EDUCAÇÃO PARA A CULTURA DE PAZ: UM IMPERATIVO TRANSFORMATIVO EM TEMPOS DE COMPLEXIDADE GLOBAL

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
EDUCAÇÃO PARA A CULTURA DE PAZ: UM IMPERATIVO TRANSFORMATIVO EM TEMPOS DE COMPLEXIDADE GLOBAL
Autores
  • Alecio Alvico Teixeira Junior
  • Naiana Lopes Cabello
  • Leonardo Borsarini
  • Bárbara Libório
  • Vinício Gomes
  • Rafael Umezu
  • Kelly Laide
  • Maisa Cranque da Silva
  • LEANDRO CORREA BOLOGNA
  • Janete Rocha Passos Lemos
  • ANDRE VIEIRA
  • Tatiane Oliveira
  • SUELI AKICO TAKIGAMI
  • Kleber Natal de Souza
  • Fabiana TeIxeira Boiani
  • Ana Maria dos Reis
  • DANIEL LISBOA SOARES
  • PATRICIA SIMOES SENA SOARES
  • DAVI DO NASCIMENTO GONÇALVES MARAU
  • Eric Tavares
  • DENIS DE SOUSA MORAIS
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Trabalhos InterAção (inter programas stricto sensu)
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271058-educacao-para-a-cultura-de-paz--um-imperativo-transformativo-em-tempos-de-complexidade-global
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Cultura de Paz, Educação Transformadora, Competências Socioemocionais, Diálogo, Resolução de Conflitos.
Resumo
O cenário global contemporâneo é intrincadamente tecido por conflitos armados, desigualdades estruturais persistentes e crises socioambientais que nos desafiam a reimaginar as fundações da convivência humana. Neste contexto multifacetado, a construção de uma Cultura de Paz emerge não como uma utopia idealista, mas como um imperativo categórico para a sustentabilidade da vida e a dignidade das relações em sociedade. A transversalidade deste tema é inegável, ramificando-se por diversas áreas do conhecimento, da sociologia à psicologia, da comunicação às ciências ambientais, da teologia à pedagogia, todas convergindo na compreensão de que a paz é um construto dinâmico, que exige ação contínua e intencional. É, portanto, no campo da educação que vemos o epicentro da transformação. Nossa convicção é que somente através de uma educação profundamente engajada com os princípios da paz poderemos semear um futuro mais justo, solidário e humano. Este trabalho, que se materializa como uma síntese de investigações e reflexões contidas na primeira edição do Ebook InterAção, propõe uma análise abrangente sobre o papel da educação na promoção da Cultura de Paz. Longe de reduzir a paz à mera ausência de violência, aprofundamo-nos na visão de uma paz positiva, concebida como a presença ativa de estruturas justas e equitativas, conforme elucidado por Galtung (1996) e ecoado nas definições da UNESCO (1999). Urge que a educação vá além da transmissão de conteúdos, tornando-se um ato de libertação e humanização, como Paulo Freire (1970) nos legou em sua pedagogia crítica. É imperativo, portanto, repensarmos metodologias tradicionais, priorizando abordagens que incentivem a empatia, a cooperação e o pensamento crítico, em oposição a modelos competitivos e hierárquicos que, historicamente, perpetuam desigualdades. A contribuição aqui delineada estrutura-se em múltiplas camadas, refletindo a complexidade do desafio e a riqueza das soluções que emergem da prática e da teoria. Em primeiro lugar, abordamos a necessidade premente de cultivar a paz em seu nível mais íntimo: o individual e o interpessoal. Para tanto, exploramos a potência de intervenções psicoeducativa como o programa MindEduca, que, ao integrar práticas de mindfulness e educação emocional para crianças, visa a autorregulação emocional, a atenção plena e o bem-estar infantil. Compreender as emoções básicas, alegria, tristeza, raiva, medo, nojo, surpresa e desenvolver estratégias de regulação emocional desde a infância, é fundamental para construir a resiliência e a empatia necessárias às relações pacíficas. Complementarmente, a Pedagogia da Cooperação de Fábio Brotto se revela uma alternativa poderosa ao modelo competitivo tradicional. Ao enfatizar pilares como inclusão, cooperação, aceitação e diversão por meio de jogos cooperativos, esta abordagem não apenas reduz a violência escolar, mas também catalisa o desenvolvimento de competências socioemocionais cruciais para a convivência harmoniosa. E, claro, a comunicação, pedra angular das relações humanas, é dissecada através da lente da Comunicação Não Violenta (CNV) de Rosenberg (2006). Acreditamos veementemente que, ao capacitar profissionais da educação a mediar conflitos com linguagem consciente, especialmente em contextos desafiadores como o das interações digitais via WhatsApp, onde a precarização do trabalho docente intensifica tensões, construímos pontes, e não muros, favorecendo vínculos de cooperação e empatia, e protegendo a saúde mental coletiva. Em segundo lugar, direcionamos o olhar para o ambiente escolar como um microssistema no qual a Cultura de Paz deve ser ativamente construída. Enfrentar o bullying, por exemplo, exige mais do que ações punitivas; demanda uma compreensão de sua complexidade multidimensional e a implementação de intervenções sistêmicas, como a justiça restaurativa, a capacitação docente e a regulação digital. Não podemos nos iludir com soluções superficiais quando disfunções mais amplas estão em jogo. A escola, afirmamos com convicção, deve ser o laboratório onde o diálogo, a mediação de conflitos e a participação comunitária são exercitados diariamente. Estratégias pedagógicas que transformam a sala de aula em um ambiente inclusivo e colaborativo irradiam impacto positivo para toda a comunidade, ecoando as diretrizes da UNESCO e da ONU para a educação para a paz. Finalmente, este trabalho se aprofunda na interseção da Cultura de Paz com forças sociais e midiáticas mais amplas, que moldam a percepção e a interação em nossa sociedade. As mídias sociais, com sua ambivalência inerente, representam um terreno fértil para a promoção do diálogo e da empatia, mas também um vetor potente para a desinformação, o discurso de ódio e a polarização. Nossa análise sublinha a urgência de uma mediação pedagógica intencional que fomente o uso crítico, ético e responsável dessas plataformas, transformando-as em aliadas para a convivência respeitosa e a escuta ativa. Em um cenário onde a cobertura midiática muitas vezes intensifica o confronto, o Jornalismo para a Paz, conforme postulado por Johan Galtung, oferece uma perspectiva alternativa, instigando uma reinterpretação dos valores-notícia para transcender narrativas de violência simbólica e cultural. Além disso, e aqui nos permitindo uma reflexão mais pungente, é crucial confrontar as retóricas contemporâneas que, embora pautadas em legítimas demandas identitárias, podem, em sua radicalização e reducionismo, gerar uma "retórica de luta" que obstrui o caminho para a cultura de paz. Distinguir a identidade como categoria analítica do "identitarismo" como concentração ideológica que acentua diferenças em vez de buscar a confluência é vital para a construção de uma sociedade genuinamente plural e democrática. Por fim, não poderíamos ignorar a profunda contribuição de espaços como a igreja cristã, que, com base em sua cosmovisão e em autores como Paulo Freire, Johan Galtung, Enrique Leff e Leonardo Boff, promovem a paz como fruto da justiça, da reconciliação e do cuidado com a vida em todas as suas dimensões, evidenciando o papel transformador da espiritualidade ecológica e do engajamento social na construção da paz. Desafios significativos, como a insuficiência de formação docente e a carência de recursos, persistem. No entanto, o arcabouço aqui apresentado, ancorado em políticas públicas como o PNDH-3 e a BNCC no Brasil, demonstra que a Cultura de Paz não é um ideal distante, mas uma prática educativa concreta e multifacetada. Acreditamos firmemente que, ao investirmos de forma consistente e integrada nessas abordagens, os sistemas educacionais estarão verdadeiramente alinhados aos objetivos de um mundo mais justo e pacífico, formando gerações preparadas para enfrentar os desafios globais com resiliência, solidariedade e uma inabalável vocação para a paz. Que este congresso seja um catalisador para esta jornada.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

JUNIOR, Alecio Alvico Teixeira et al.. EDUCAÇÃO PARA A CULTURA DE PAZ: UM IMPERATIVO TRANSFORMATIVO EM TEMPOS DE COMPLEXIDADE GLOBAL.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271058-EDUCACAO-PARA-A-CULTURA-DE-PAZ--UM-IMPERATIVO-TRANSFORMATIVO-EM-TEMPOS-DE-COMPLEXIDADE-GLOBAL. Acesso em: 09/02/2026

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