BINARISMO E ESSENCIALISMO DE GÊNERO

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
BINARISMO E ESSENCIALISMO DE GÊNERO
Autores
  • Andreia da Fonseca Araujo
  • Maria do Carmo Fernandes
  • Clarissa De Franco
  • Valquíria Aparecida Rossi
  • Isabela Selarin Poiani
  • Rosa Frugoli
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270977-binarismo-e-essencialismo-de-genero
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Binarismo de gênero, essencialismo de gênero, LGBTQIAPN+, sofrimento psíquico, riscos psicossociais.
Resumo
O binarismo e o essencialismo de gênero são construções históricas que sustentam a ideia de que apenas duas categorias fixas – masculino e feminino – existem, devendo corresponder de modo estável ao sexo biológico e a papéis sociais previamente estabelecidos. Essa lógica, herdada de tradições filosóficas, médicas e religiosas, reforça a heterocisnormatividade e marginaliza pessoas cujas identidades e expressões de gênero escapam a esse modelo rígido. A naturalização dessas concepções legitima a exclusão social, fomenta práticas de discriminação e sustenta o sofrimento psíquico vivido pela população LGBTQIAPN+. Este estudo, parte da tese de doutorado da autora principal, intitulada “Sofrimento Psíquico e Riscos Psicossociais em Diversidade Sexual e de Gênero: Escala de Avaliação – ESOP”, que investigou como o binarismo e o essencialismo de gênero operam como fatores de risco psicossocial. O referencial teórico integrou as contribuições da perspectiva de gênero como construção (Beauvoir), do poder, normas e disciplina (Foucault), da teoria da performatividade de gênero (Butler), dos estudos sobre masculinidades hegemônicas (Connell), da crítica feminista latino-americana (Franco; Maranhão Filho) e da Psicologia Junguiana, revisitada a partir de uma leitura crítica sobre os arquétipos de anima e animus. Essa base permitiu compreender como normas sociais aparentemente naturais são, na verdade, construções culturais que produzem efeitos de verdade e orientam práticas excludentes. Metodologicamente, o estudo utilizou revisão bibliográfica e análise qualitativa de depoimentos obtidos em etapas anteriores da construção da ESOP, bem como a análise temática das respostas abertas de participantes LGBTQIAPN+. Foram observados três eixos principais: (1) a exclusão social e familiar de identidades não conformes, gerando sentimento de não pertencimento; (2) a intensificação de riscos psicossociais no trabalho, na escola e nos serviços de saúde; e (3) a naturalização da marginalização, pela qual discursos médicos, jurídicos e religiosos legitimam o sofrimento imposto à diversidade sexual e de gênero. Os resultados revelaram que o binarismo e o essencialismo de gênero não apenas sustentam a LGBTfobia, mas também se internalizam psiquicamente, provocando autoimagem negativa, culpa e vergonha. Entre os impactos identificados, destacam-se quadros de ansiedade generalizada, depressão, síndrome do pânico, retraimento social e ideação suicida, frequentemente agravados pelo medo de rejeição e pela violência simbólica e material. Além disso, observou-se que a imposição de papéis rígidos afeta relações afetivas e familiares, comprometendo vínculos e reforçando sentimentos de isolamento. Conclui-se que a superação do binarismo e do essencialismo é condição necessária para reduzir riscos psicossociais e promover saúde mental da população LGBTQIAPN+. Isso exige ações educativas que problematizem normas de gênero, políticas públicas que reconheçam identidades plurais e práticas clínicas que se abram para a complexidade da subjetividade. No campo da Psicologia da Saúde, o desafio é oferecer espaços de acolhimento que desconstruam padrões normativos e fortaleçam a experiência singular de cada sujeito, garantindo o direito à diversidade e à dignidade humana. As referências utilizadas para este estudo foram ARAUJO, A. F. Escala de Avaliação de Riscos Psicossociais e Sofrimento Psíquico em Diversidade Sexual e de Gênero. [Tese de Doutorado em Psicologia da Saúde, Universidade Metodista de São Paulo – UMESP], 2025; ARAUJO, A. F. O Sofrimento de Gays e Lésbicas Vítimas de Violência: Um Estudo do Fenômeno na Perspectiva da Psicologia Junguiana. [Dissertação de Mestrado em Psicologia da Saúde, Universidade Metodista de São Paulo – UMESP], 2022; BEAUVOIR, S. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980; BOURDIEU, P. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002; BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003; CONNELL, R. W. Masculinidades. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007; CONNELL, R. W. Gênero. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011; FRANCO, C. Inspirações das “Mulheres de Lesbos”: a imaginação encarnada na defesa de direitos humanos de mulheres lésbicas nos círculos sagrados. In: FRANCO, C. Psicologia Pós-Junguiana e Debates Contemporâneos de Gênero e Sexualidade. Belo Horizonte: Atena Editora, 2022; FRANCO, C. de; MARANHÃO FILHO, E. M. de A. Sagrado não-binário? O conceito de psique andrógina na reformulação do debate de gênero no sagrado feminino. Mandrágora, 25(2), p. 127-151, 2019; HARAWAY, D. J. Manifesto ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX. In: HOLANDA, L. B.; OLIVEIRA, A. J. (org.). A Antropologia do Ciborgue: as vertigens do pós-humano. Belo Horizonte: Autêntica, 2009; JUNG, C. G. A natureza da psique – OC 8/2. Petrópolis: Vozes, 2013; JUNG, C. G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo – OC 9/1. Petrópolis: Vozes, 2014; KIMBLES, S.; SINGER, T. The cultural complex: contemporary Jungian perspectives on psyche and society. New York: Routledge, 2004; MAFFÍA, D. Epistemología feminista: la subversión semiótica de las mujeres en la ciencia. Revista venezolana de estudios de la mujer, 12(28), 2007; MAFFÍA, D. Contra las dicotomias: feminismo y epistemologia crítica. Buenos Aires: Instituto Interdisciplinario de Estudios de Género, Universidad de Buenos Aires, 2008; MEYER, I. H. Preconceito, estresse social e saúde mental em populações lésbicas, gays e bissexuais: questões conceituais e evidências de pesquisa. Psychological Bulletin, 129(5), p. 674-697, 2003; SAMUELS, A. Jung e os pós-junguianos. Petrópolis: Vozes, 2001.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ARAUJO, Andreia da Fonseca et al.. BINARISMO E ESSENCIALISMO DE GÊNERO.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270977-BINARISMO-E-ESSENCIALISMO-DE-GENERO. Acesso em: 17/02/2026

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