EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO EM PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO: UM OLHAR SOBRE A NOVA NR-1.

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO EM PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO: UM OLHAR SOBRE A NOVA NR-1.
Autores
  • Talita Borges
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270910-experiencia-de-estagio-em-psicologia-organizacional-e-do-trabalho--um-olhar-sobre-a-nova-nr-1
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Psicologia Organizacional, Saúde no Trabalho, Riscos Psicossociais, Clima Organizacional.
Resumo
O estágio supervisionado em Psicologia Organizacional e do Trabalho, realizado no primeiro semestre de 2025, ocorreu em uma empresa familiar de médio porte, localizada no Grande ABC. O objetivo principal foi compreender a dinâmica institucional, identificar os fatores que impactam a saúde mental dos trabalhadores e propor estratégias de intervenção alinhadas às exigências legais, como a NR-1 e demais normas de segurança e saúde no trabalho. Inicialmente, encontrou-se grande dificuldade para ingressar nas empresas, reflexo do desconhecimento, por parte de muitas organizações, sobre a atuação e papel do psicólogo organizacional. Após a definição da empresa, depois de diversas tentativas, a orientação foi para que o estágio ocorresse no setor de produção, considerado pela equipe gestora como o mais desafiador. A metodologia adotada baseou-se na observação participante, visitas semanais, conversas informais com trabalhadores de diferentes setores, leitura e estudo do embasamento teórico que fundamenta a área e participação em reuniões de supervisão acadêmica. Essa abordagem permitiu compreender tanto os aspectos formais da organização como a estrutura, processos e normas, quanto os informais, que são as relações interpessoais e os conflitos. Conforme proposto por Bleger (1984), que destaca a necessidade de o psicólogo institucional conhecer a história, a cultura e as funções da instituição para promover ações de psico-higiene, ou seja, a saúde na instituição, que em última análise, leva ao bem-estar coletivo. As visitas aconteceram uma vez por semana, com duração de quatro horas. Inicialmente, percorreu-se todos os setores da organização, para realização de mapeamento da estrutura e funcionamento interno. Posteriormente, o acompanhamento foi realizado no setor de produção, para conhecer os trabalhadores, suas funções e compreender como se sentiam em relação às suas atividades laborais. Foram identificadas demandas significativas, como a necessidade de espaços de escuta, melhoria da comunicação entre colaboradores e supervisores, pausas mais adequadas durante a jornada e a possibilidade de um dia de descanso no final de semana. A experiência também revelou que a empresa apresentava características de gestão centralizada, ausência de um setor estruturado de Recursos Humanos e sobrecarga funcional, especialmente nos setores de produção e administrativo. Essas condições geram riscos psicossociais relevantes, como desgaste emocional, adoecimento e precarização das relações de trabalho. Para Dejours (1986) saúde não é um estado ideal de ausência de sofrimento, mas a possibilidade de ter meios de traçar um caminho pessoal e original, mesmo diante das dificuldades. Nesse sentido, a ausência de espaços de escuta, o acúmulo de funções e o não reconhecimento contribuem para transformar o sofrimento em algo patológico. O autor ressalta que a organização do trabalho, incluindo divisão de tarefas, tempo para realizá-las, é determinante para a saúde mental. No caso estudado, a sobrecarga, a falta de pausas, a instabilidade financeira e a ausência de políticas claras de apoio ao trabalhador indicaram a necessidade de ações preventivas e corretivas, e estas vão ao encontro com as normas regulamentadoras de segurança no trabalho, em especial a NR1. A NR-1 estabelece as disposições gerais sobre segurança e saúde no trabalho no Brasil, e serve como base para todas as demais NRs. Com sua última atualização, passou a ter novas exigências às empresas, tais como a Inclusão dos riscos psicossociais (assédio, estresse ocupacional, sobrecarga e problemas relacionados à saúde mental) no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO); Obrigatoriedade das empresas realizarem a identificação, avaliação e controle de tais riscos, da mesma forma que já fazem com riscos físicos, químicos, e ergonômicos; Participação ativa dos trabalhadores, que devem ser consultados no planejamento, implementação e monitoramento das medidas preventivas. Essa mudança amplia a responsabilidade das organizações, trazendo a saúde mental para o centro das ações de SST. A partir de maio de 2026, a fiscalização do Ministério do Trabalho poderá aplicar multas e autuações em caso de descumprimento. Ademais, as empresas devem manter registros e relatórios no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos), que poderá ser solicitado a qualquer momento pelos órgãos fiscalizadores. O papel do psicólogo organizacional, de acordo com Chiavenato (2014), vai além da gestão de pessoas, atuando de forma estratégica na promoção de um clima saudável, no alinhamento de expectativas e na mediação entre demandas institucionais e necessidades dos trabalhadores. No estágio, isso se mostrou na construção de propostas de intervenção como questionários para verificar a satisfação dos trabalhadores e do clima organizacional, mapeamento de riscos psicossociais, elaboração de documentos informativos sobre assédio moral e saúde no trabalho e sugestão de espaço e tempo de descanso para a produção. Assim, o estágio proporcionou a articulação entre teoria e prática, permitindo observar como as condições de trabalho, as relações interpessoais e o estilo de gestão afetam diretamente a motivação, a produtividade e a saúde mental dos trabalhadores. A vivência reforçou que a Psicologia Organizacional e do Trabalho tem papel fundamental na prevenção de riscos, na promoção de saúde e na construção de ambientes mais éticos e humanizados, atuando de forma integrada aos objetivos institucionais, ao passo que considera a dignidade e o bem-estar dos indivíduos. Palavras-chave: Psicologia Organizacional; Saúde no Trabalho; Riscos Psicossociais; Clima Organizacional. Referências BLEGER, J. Psico-higiene e Psicologia Institucional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1984. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. DEJOURS, C. Por um novo conceito de saúde. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, São Paulo, v. 14, n. 54, 1986. BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. Norma Regulamentadora NR-1 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Atualizada pela Portaria MTP nº 4.219, de 20 de dezembro de 2022.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BORGES, Talita. EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO EM PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO: UM OLHAR SOBRE A NOVA NR-1... In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270910-EXPERIENCIA-DE-ESTAGIO-EM-PSICOLOGIA-ORGANIZACIONAL-E-DO-TRABALHO--UM-OLHAR-SOBRE-A-NOVA-NR-1. Acesso em: 12/02/2026

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