O SENTIDO DA VIDA NA PERSPECTIVA DE CUIDADORES DE FAMILIARES ACOMETIDOS POR ALZHEIMER: UMA COMPREENSÃO FRANKLIANA

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
O SENTIDO DA VIDA NA PERSPECTIVA DE CUIDADORES DE FAMILIARES ACOMETIDOS POR ALZHEIMER: UMA COMPREENSÃO FRANKLIANA
Autores
  • ANDRE VIEIRA
  • Cristiano de Jesus Andrade
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270727-o-sentido-da-vida-na-perspectiva-de-cuidadores-de-familiares-acometidos-por-alzheimer--uma-compreensao-franklian
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Cuidadores; Doença de Alzheimer; Sentido da vida
Resumo
Na Psicologia, Viktor Emil Frankl (1905–1997) destacou-se como um dos grandes pioneiros ao escrever e questionar de forma sistemática sobre o sentido da vida, oferecendo à humanidade uma reflexão que ultrapassou os limites da clínica e se tornou uma filosofia existencial profundamente ligada à condição humana. Psiquiatra, neurologista e sobrevivente dos campos de concentração, Frankl desenvolveu sua teoria a partir da experiência concreta do sofrimento e da necessidade de reencontrar um “para quê viver”, mesmo nas circunstâncias mais adversas. Sua principal contribuição foi a Logoterapia, também chamada de Terceira Escola Vienense de Psicoterapia, ou Psicologia do Sentido da Vida, cuja premissa básica é a busca de sentido como motivação fundamental do ser humano. Segundo Frankl, uma vida plena de significado se constrói a partir de três valores fundamentais: o valor criativo, relacionado à capacidade de produzir algo significativo ou realizar uma boa ação; o valor vivencial, que se refere à abertura para experimentar aquilo que o mundo oferece, seja por meio da natureza, da arte, da espiritualidade ou das relações humanas; e o valor atitudinal, considerado o mais elevado, que permite transformar a tragédia pessoal em triunfo e assumir uma postura digna diante do sofrimento inevitável. Quando o ser humano perde a percepção de sentido, segundo Frankl, surge um vazio existencial que pode se manifestar em ansiedade, desesperança, depressão, falta de motivação e até declínio físico. Essa compreensão é de extrema relevância para o contexto dos cuidadores de pacientes com Alzheimer, pois a doença, ao provocar degeneração progressiva das funções cognitivas, exige cuidados permanentes que testam não apenas a resistência física, mas também a saúde emocional e a percepção de propósito de quem cuida. No Brasil, entende-se que cuidar não significa substituir completamente a autonomia do outro, mas oferecer suporte quando necessário, estimulando o indivíduo a conquistar sua independência, ainda que em pequenas tarefas do cotidiano. Entretanto, conforme destacam estudos do Ministério do Trabalho e Emprego e de Novelli, Nitrini e Caramelli, o cuidador geralmente é um leigo, alguém sem preparo técnico ou formação específica para enfrentar a complexidade do processo de cuidar. Isso gera dificuldades para compreender a doença, lidar com a sua evolução e administrar os inúmeros conflitos que surgem no dia a dia, ocasionando sobrecarga, desgaste físico e emocional. Esse cenário torna ainda mais importante compreender quais sentidos esses cuidadores encontram para suas vidas, já que o enfrentamento diário da doença de um ente querido pode representar tanto uma fonte de realização quanto um fator de sofrimento. Para investigar essa realidade, foi realizada uma pesquisa qualitativa, utilizando entrevistas semi-dirigidas compostas por quatro questões abertas, que permitiram aos participantes expressar livremente suas percepções e vivências. Participaram do estudo dez cuidadores de pacientes com diagnóstico confirmado da doença de Alzheimer, todos residentes em São João da Boa Vista, interior de São Paulo. A amostra foi composta por sete mulheres e três homens, com idades entre 49 e 63 anos. Em termos de escolaridade, quatro possuíam o ensino médio completo, três o ensino fundamental completo e três o ensino superior completo. Todos os participantes eram solteiros, filhos dos pacientes acometidos pela enfermidade, não possuíam capacitação formal para a função de cuidar e aprenderam no exercício diário. A análise das entrevistas revelou diferentes formas de experiência do sentido da vida. Quatro mulheres afirmaram que encontram no amor pelo ato de cuidar o principal significado de suas existências, destacando que a dedicação ao pai ou à mãe enfermo é uma maneira de manter o vínculo e de demonstrar gratidão. Para três participantes, a descoberta do crochê se tornou uma estratégia de sobrevivência emocional e uma maneira de preencher o tempo. Uma delas afirmou: “Não tenho mais o que fazer, não posso sair, então o crochê é minha alegria”. Nesse caso, percebe-se o valor criativo apontado por Frankl, em que a produção artesanal simboliza uma forma de realização e ressignificação. Dois homens entrevistados disseram que precisam “dar um jeito” a cada dia, improvisando rotinas para não perder completamente a motivação, já que não possuem lazer estruturado. Um último participante relatou uma perda de sentido mais profunda, afirmando: “Desde que comecei a cuidar dela não vejo mais sentido na vida, tenho vontade de sumir, mas tem que cuidar, né”. Essa fala expressa a presença clara do vazio existencial descrito por Frankl, em que o fardo do cuidado não se traduz mais em um propósito, mas em sofrimento contínuo. Correlacionando os resultados com a teoria de Frankl, é possível perceber que o valor criativo esteve presente nas falas de vários participantes, seja pelo ato de cuidar, seja pela prática artesanal. O amor, em sua dimensão existencial, mostrou-se como força sustentadora e elemento central de sentido para a maioria dos cuidadores. Para Frankl, a presença de um “para quê viver” permite suportar qualquer forma de vida, e neste caso, o cuidado familiar, mesmo doloroso, pode se transformar em uma fonte de propósito. Entretanto, também ficou evidente que a ausência de preparo técnico, associada à sobrecarga, potencializa sintomas como ansiedade e depressão, confirmando os riscos apontados por outros autores que investigaram a situação dos cuidadores. O estudo demonstra que os cuidadores transitam entre a plenitude de sentido, quando conseguem enxergar no amor e na dedicação uma missão pessoal, e o vazio existencial, quando o fardo se torna pesado demais. Mesmo assim, a reinvenção aparece como caminho, seja pela criatividade, seja pela ressignificação do cotidiano. Em alguns casos, o crochê, a improvisação diária ou mesmo a resistência silenciosa representam formas de transformar a dor em força. Em síntese, pode-se afirmar que os cuidadores de pacientes com Alzheimer encontram no amor e na dedicação um dos principais sentidos para suas vidas. Contudo, essa experiência não elimina a percepção do vazio existencial, que surge como sombra constante e exige reinvenção diária. A Logoterapia de Viktor Frankl oferece uma lente privilegiada para compreender essa realidade, pois mostra que, mesmo em meio ao sofrimento inevitável, é possível encontrar um propósito que sustente a existência. Diante disso, torna-se urgente pensar em políticas públicas e programas de apoio que ofereçam não apenas informações técnicas sobre a doença, mas também suporte psicológico, emocional e espiritual para os cuidadores. Reconhecer o seu papel, valorizar sua dedicação e criar espaços de acolhimento são medidas que podem favorecer a saúde mental e ajudá-los a reencontrar, diariamente, motivos para continuar. Cuidar de quem cuida é, portanto, um compromisso ético e humano que deve ser assumido pela sociedade como um todo.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

VIEIRA, ANDRE; ANDRADE, Cristiano de Jesus. O SENTIDO DA VIDA NA PERSPECTIVA DE CUIDADORES DE FAMILIARES ACOMETIDOS POR ALZHEIMER: UMA COMPREENSÃO FRANKLIANA.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270727-O-SENTIDO-DA-VIDA-NA-PERSPECTIVA-DE-CUIDADORES-DE-FAMILIARES-ACOMETIDOS-POR-ALZHEIMER--UMA-COMPREENSAO-FRANKLIAN. Acesso em: 14/02/2026

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