ATÉ QUE A MORTE OS SEPARE: DO ALTAR AO FEMINICÍDIO UMA ANÁLISE A SÉRIE THE HANDMAID’S TALE

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
ATÉ QUE A MORTE OS SEPARE: DO ALTAR AO FEMINICÍDIO UMA ANÁLISE A SÉRIE THE HANDMAID’S TALE
Autores
  • Erica Furtado de Oliveira
  • Julia Dias Trindade
  • Andreia da Fonseca Araujo
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270700-ate-que-a-morte-os-separe--do-altar-ao-feminicidio--uma-analise-a-serie-the-handmaids-tale
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Gênero; binarismo de gênero; essencialismo de gênero; feminicídio; mulher.
Resumo
Erica Furtado de Oliveira Julia Dias Trindade Andreia da Fonseca Araujo Este trabalho visa analisar a inserção da mulher na sociedade, buscando compreender como a construção histórica dos papéis de gênero molda sua posição social. O objetivo é investigar de que maneira o binarismo e o essencialismo de gênero, aliados à estrutura patriarcal, influenciam a construção do feminino e naturalizam a violência contra as mulheres, desde práticas simbólicas até manifestações extremas, como o feminicídio, e tentativas de legitimar a apropriação de seus corpos. Historicamente, a figura feminina foi construída em condição de inferioridade, presente em discursos sobre a família tradicional e em julgamentos morais acerca do comportamento e da sexualidade da mulher. A sociedade ainda parece esperar que a mulher sirva, se silencie e se sacrifique, como se isso fosse seu destino natural. O casamento, por exemplo, historicamente envolvia práticas como o dote, em que a mulher era negociada como propriedade, negando-lhe o sujeito de direitos. Embora tais práticas não existam formalmente na contemporaneidade, permanece o simbolismo da transferência no ritual de levar a noiva ao altar, refletindo a naturalização da submissão feminina e sua associação a valores de obediência, silêncio e sacrifício. Esses processos se relacionam ao binarismo de gênero, que define identidades rígidas entre masculino e feminino, e ao essencialismo, que atribui características fixas e naturalizadas a cada papel. Butler (2003) descreve esse processo como performatividade de gênero, em que práticas sociais reiteradas produzem e reforçam identidades, mantendo estruturas de poder. O essencialismo de gênero, ao naturalizar tais diferenças, legitima a dominação masculina, estabelecendo um sistema em que a mulher é vista como “o outro”, conforme apontado por Beauvoir, reforçando sua condição de inferioridade. Para analisar essas questões, utilizamos a série The Handmaid’s Tale (O Conto da Aia, 2017), adaptação da obra de Margaret Atwood (1985), que retrata uma distopia patriarcal na qual as mulheres são reduzidas a papéis de submissão e servidão. A série serve como recurso para observar a manutenção da dominação masculina e os riscos da naturalização do controle dos corpos femininos. A metáfora “do altar ao feminicídio”, título deste trabalho, simboliza a trajetória histórica das mulheres: sendo santificadas no casamento, como uma posse transferida do pai ao marido, representando um sacrifício do ser individual. Esse processo evidencia como os rituais sociais e culturais de subordinação feminina ainda operam na sociedade moderna, muitas vezes disfarçados de proteção ou amor. O problema de pesquisa que orienta este estudo é: quais são os fatores que contribuem para a manutenção da violência contra a mulher, a apropriação de seu corpo e a vulnerabilidade a homicídios motivados pela desigualdade de gênero? A pesquisa se fundamenta em autoras feministas como Simone de Beauvoir, Judith Butler, Bell Hooks, Silvia Federici e Valeska Zanello, que oferecem diferentes perspectivas sobre gênero, performatividade e dominação, em diálogo com sociólogos como Michel Foucault e Giorgio Agamben, cujas obras problematizam as formas históricas de controle, disciplina e poder soberano. O presente trabalho pretende provocar reflexões e fortalecer a luta por uma sociedade mais justa e equitativa, em que corpos femininos não sejam apropriados, violados ou sacrificados em nome da honra ou da tradição. Busca contribuir para o debate acadêmico e social sobre a urgência de desconstruir narrativas patriarcais que silenciam, violentam e sacrificam mulheres. Conclui-se que a violência contra a mulher não decorre de casos isolados, mas de uma estrutura histórica e social que justifica desigualdades de gênero. É, portanto, fundamental questionar até quando será aceitável que mulheres sejam mortas apenas por serem mulheres e quais caminhos precisam ser trilhados para romper com essas narrativas de opressão. As referências utilizadas para este trabalho foram AGAMBEN, G. Homo sacer: o poder soberano e a vida nua. 2. ed. Belo Horizonte: UFMG, 2010; BEAUVOIR, S. O segundo sexo. São Paulo: Nova Fronteira, 2019; BUTLER, J. A vida psíquica do poder: teorias da sujeição. Belo Horizonte: Autêntica, 2017; BUTLER, J. Corpos que importam. São Paulo: N-1 Edições, 2019; BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003; FEDERICI, S. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. São Paulo: Elefante, 2023; FOUCAULT, M. História da sexualidade: a vontade de saber. v. 1. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 2014; FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987; HOOKS, B. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2018; MILLER, B. (Prod.) et al. O conto da aia. Elenco: Elisabeth Moss, Joseph Fiennes, Yvonne Strahovski, Alexis Bledel. Estados Unidos: MGM Television/Hulu, 2017; MOURA, D. A. S. Mulheres e dote no Brasil, 2002; ZANELLO, V. Prateleira do amor: subjetivação feminina e opressão. Rio de Janeiro: Appris, 2020. Graduanda pelo Curso de Psicologia da Universidade Metodista de São Paulo. Email: erica.oliveira18_ims@a.metodista.br Graduanda pelo Curso de Psicologia da Universidade Metodista de São Paulo. Email: juliadiastrindadeacademic@gmail.com Doutora e Mestra em Psicologia da Saúde pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Psicóloga e Supervisora Clínica de Atendimentos Psicológicos. Pesquisadora em saúde, violência de gênero e adaptação humana e Docente do curso de Psicologia da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). E-mail: de_faraujo@yahoo.com.br
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

OLIVEIRA, Erica Furtado de; TRINDADE, Julia Dias; ARAUJO, Andreia da Fonseca. ATÉ QUE A MORTE OS SEPARE: DO ALTAR AO FEMINICÍDIO UMA ANÁLISE A SÉRIE THE HANDMAID’S TALE.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270700-ATE-QUE-A-MORTE-OS-SEPARE--DO-ALTAR-AO-FEMINICIDIO--UMA-ANALISE-A-SERIE-THE-HANDMAIDS-TALE. Acesso em: 08/02/2026

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