PARA ALÉM DA CAPACIDADE DE ATENDIMENTO: A RESSIGNIFICAÇÃO INTENCIONAL DOS ESPAÇOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
PARA ALÉM DA CAPACIDADE DE ATENDIMENTO: A RESSIGNIFICAÇÃO INTENCIONAL DOS ESPAÇOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Autores
  • Nayara Garcia De Barros
  • César Augusto do Prado Moraes
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Educação
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270585-para--alem-da-capacidade-de-atendimento--a-ressignificacao-intencional-dos-espacos-na-educacao-infantil
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Espaços físicos, Prática docente, Desenvolvimento infantil
Resumo
Este trabalho tem como objetivo refletir sobre a ressignificação dos espaços físicos em creches e seu impacto na prática docente e no desenvolvimento infantil, tomando como referência os Indicadores de Qualidade na Educação Infantil (MEC, 2009) e os direitos de aprendizagem definidos pela BNCC (2018). A pesquisa, ainda em andamento, adota uma abordagem bibliográfica, fundamentando-se em autores como Horn (2004), Tiriba (2018), Fochi (2018) e Hoyuelos (2020), cujas contribuições possibilitam compreender o espaço da creche não como cenário neutro, mas como ambiente que produz sentidos, experiências e relações. Essa escolha metodológica permite construir um repertório teórico sólido para sustentar reflexões críticas acerca do papel do ambiente na educação dos bebês e das crianças pequenas. Ainda que em fase inicial, a investigação apresenta relevância social e acadêmica, pois busca tensionar práticas tradicionais de organização dos espaços na educação infantil, valorizando a criança como sujeito de direitos, produtora de cultura e protagonista de suas experiências. A ampliação de vagas em creches nas últimas décadas, em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI, 2010), reforça o reconhecimento da educação infantil como primeira etapa da educação básica. Contudo, como aponta a UNESCO (2021), a expansão quantitativa nem sempre foi acompanhada de investimentos em qualidade, sobretudo no que se refere à infraestrutura e à intencionalidade pedagógica dos espaços. Esse descompasso é preocupante, considerando que muitas crianças passam até dez horas diárias na creche (MEC, 2006). Dados do Censo Escolar (INEP, 2022) revelam que apenas 35% das creches públicas possuem parques infantis adequados e menos de 20% oferecem contato efetivo com elementos naturais, como areia, água e vegetação. Horn (2004) demonstra que ambientes empobrecidos e padronizados limitam a autonomia e a curiosidade, enquanto espaços esteticamente qualificados ampliam experiências sensoriais, motoras e cognitivas. Nessa perspectiva, o espaço físico assume centralidade, sendo compreendido por Hoyuelos (2020), em diálogo com a experiência de Reggio Emilia, como o “terceiro educador”. O ambiente educa, comunica valores e convites à ação, funcionando como linguagem pedagógica silenciosa. Ambientes belos, plurais e acolhedores estimulam a imaginação, a investigação e a cooperação, além de documentar a memória coletiva das experiências infantis. Tiriba (2018) contribui ao problematizar o adultocentrismo na organização dos espaços e ao defender práticas de “desemparedamento da infância”, em que a relação com a natureza se torna condição fundamental da experiência educativa. Para a autora, reorganizar os ambientes da creche significa promover vínculos de pertencimento, respeito e valorização da diversidade cultural e ecológica. De modo complementar, Fochi (2018) argumenta que o espaço deve ser concebido como lugar de experiências e não apenas como suporte para atividades dirigidas pelos adultos. Sua defesa da documentação pedagógica reforça o caráter ético e político da organização espacial, pois permite que o professor reorganize continuamente o ambiente em diálogo com os interesses infantis, deslocando o olhar do controle para a escuta. Todos esses achados dialogam com os Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil (MEC, 2006), que enfatizam a importância de ambientes ricos em possibilidades exploratórias e acessíveis, favorecendo a autonomia e a criatividade das crianças. No entanto, persistem desafios estruturais, como a carência de formação docente específica sobre a organização dos espaços, o que reforça a necessidade de políticas públicas consistentes. Conclui-se que a ressignificação dos espaços nas creches, quando alinhada às diretrizes nacionais e aos referenciais teóricos discutidos, pode transformar a qualidade da educação infantil brasileira. Como indica o Plano Nacional de Educação (2014-2024), não basta ampliar o acesso: é urgente qualificar os ambientes educativos, garantindo que as creches se constituam como verdadeiros espaços de exercício de direitos, bem-estar e protagonismo infantil.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BARROS, Nayara Garcia De; MORAES, César Augusto do Prado. PARA ALÉM DA CAPACIDADE DE ATENDIMENTO: A RESSIGNIFICAÇÃO INTENCIONAL DOS ESPAÇOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270585-PARA--ALEM-DA-CAPACIDADE-DE-ATENDIMENTO--A-RESSIGNIFICACAO-INTENCIONAL-DOS-ESPACOS-NA-EDUCACAO-INFANTIL. Acesso em: 13/02/2026

Trabalho

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