O PRINCÍPIO DA AMIZADE NA ÉTICA BUDISTA E CRISTÃ: UM DIÁLOGO ENTRE A SUMA DA SABEDORIA E A SUMA TEOLÓGICA

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
O PRINCÍPIO DA AMIZADE NA ÉTICA BUDISTA E CRISTÃ: UM DIÁLOGO ENTRE A SUMA DA SABEDORIA E A SUMA TEOLÓGICA
Autores
  • Nayara Maron Costa Takahashi
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Ciência da Religião
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270493-o-principio-da-amizade-na-etica-budista-e-crista--um-dialogo-entre-a-suma-da-sabedoria-e-a-suma-teologica
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
diálogo inter-religioso, budismo, cristianismo, amizade
Resumo
Esta pesquisa considera a investigação sobre o princípio de amizade como fundamento do comportamento ético, em um diálogo inter-religioso entre as tradições cristã e budista, a fim de encontrar elementos comuns que fundamentem uma convivência harmoniosa em sociedade. As principais obras a serem utilizadas nesta investigação são a “Suma da Sabedoria” (como referência ao “Tratado sobre a Grande Virtude da Sabedoria”, Mahaprajnaparamitasastra) de Nāgārjuna e a “Suma Teológica” de Tomás de Aquino. O método de pesquisa a ser utilizado é o da Teoria de Rede Inter-relacional do Prof. Dr. Plínio Marcos Tsai, que consiste na investigação dos elementos que, relacionados, formam redes de identidade. Com esse método, busca-se investigar as relações entre os elementos que se associam ao princípio da amizade para formar as redes de identidades dos sujeitos éticos budista e cristão. Posteriormente, os elementos encontrados serão dialogados, a fim de verificar as possíveis aproximações e as limitações que causam afastamentos. Esta pesquisa está sendo realizada no programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo e ainda está em andamento, de forma que serão apresentados os resultados obtidos até o momento e as ideias futuras a serem confirmadas ao longo da pesquisa. Sobre o princípio da amizade no contexto budista, atribuído ao termo maitri (sâns.), na “Suma de Sabedoria” ele é identificado como um evento mental que afeta todos os cinco agregados que formam o que chamamos de “eu”, a partir principalmente do fator da intenção (cetana). Diferentes níveis de amizade podem ser desenvolvidos através de estados meditativos, para que a mente de amizade não se restrinja aos amigos, mas seja expandida para pessoas neutras e para os inimigos. Assim, a mente de amizade, quando bem cultivada, se volta para o bem de todos, sendo livre de inimizade, hostilidade, de rivalidade e de malícia. Quando a mente de amizade (maitricitta) se limita aos entes queridos (priyasattva) e se livra da mente de inimizade (vairacitta) para com esses seres, ela é vasta (vipulena). Quando ela abarca também os seres neutros (madhyastha purusa), aos quais não se sente apego ou ódio, e está livre da mente de rivalidade (sapatnacitta) para com esses seres, ela é expandida (mahagatena). Quando ela inclui os inimigos (vaira) e se livra da mente de malícia (vyavadhyacitta) para com todos os seres, ela é imensa (apramanena). Essas três fases da mente de amizade parecem estar ainda no primeiro nível de amizade (maitri), que ainda é impuro (sasrava), porque tem como objeto os seres (sattvalambana). Essa mente é fruto do cultivo de pessoas comuns (pṛthagjana) que praticam concentração meditativa e de praticantes budistas que ainda se agarram à natureza dos seres. O segundo nível da mente de amizade tem como objeto os fenômenos (dharmas), sendo ora puro e ora impuro, a depender do objeto de cultivo. Quando se agarra à natureza dos seres é impuro e quando adentra à verdadeira natureza dos fenômenos é puro. O terceiro nível da mente de amizade é sempre puro e é somente alcançado no nível de um Buda, que não tem objeto (analambana), pois não se agarra à natureza dos seres. Quanto ao princípio da amizade no contexto cristão, Tomás de Aquino, na “Suma Teológica”, discorre sobre diferentes tipos de amor. Na Q.26 da Iª/IIª, o amor é classificado como um apetite, que tem o bem como o objeto desejado. Esse apetite pode ser natural, sensitivo ou racional/intelectivo, ao qual se dá o nome de vontade. Para cada tipo de apetite, há um tipo de amor: o amor natural, o sensitivo e o racional/intelectivo. Além dessa classificação, Tomás diferencia ainda o amor concupiscível do amor de amizade (amor amicitiae). No primeiro, o amante deseja o amado como um bem a ser possuído, de forma que o amante busca constantemente pela presença do amado. Nesse tipo de amor, o que importa é o bem do próprio amante, que é o amado em si. Esse amor parece estar relacionado ao amor concupiscível, que é sensitivo. Já no amor de amizade, o movimento de amor tende para um bem que o amante deseja tanto para si mesmo, quanto para o amado. Há uma busca por bens para o amado, assim como se busca por um bem para si mesmo. Com isso, o amante se alegra ou se entristece junto com o amado, pois ele o apreende como um outro eu, como se fosse ele mesmo no lugar do outro. Esse é um tipo de amizade honesta, que não reside na utilidade ou no deleite, mas busca pelo bem-estar do amigo. Essa amizade parece estar relacionada ao amor intelectivo, ou seja, à vontade. As análises preliminares sugerem, até o momento, que há semelhanças entre a amizade (maitrī) budista e o amor de amizade (amor amicitiae) tomasiano, quanto aos elementos de preocupação com a felicidade dos outros e com o cuidado para não os prejudicar. Além disso, ambas parecem cultivar uma atitude que é desinteressada em relação àqueles aos quais se busca beneficiar. Cabe agora o aprofundamento acerca de cada elemento da amizade, para detalhar as suas características, o seu alcance e as suas limitações, em cada rede de identidade dos sujeitos éticos. Referências Bibliográficas: AQUINO, Tomás de. Suma Teológica. Volume III. 2ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2009. NAGARJUNA. The Treatise on The Great Virtue of Wisdom of Nāgārjuna (Mahāprajñāpāramitāśāstra). Tradução para o chinês: Tripiṭakadharmācārya Kumārajiva; Tradução para o francês: Étienne Lamotte. Tradução para o inglês: Gelongma Migme Chodron. [s.l.]: Gampo Abbey, [s.d.]. Disponível em: https://archive.org/details/MahaPrajnaparamitaSastraFullByNagarjuna/Maha%20prajnaparamita%20sastra%20-%20Vol.1%20by%20Nagarjuna/. Acesso em: 11 novembro de 2025. TSAI, Plínio Marcos. Os elementos da rede budista-taoísta na Filosofia da Teoria de Rede Inter-relacional. Revista Modernos & Contemporâneos, v. 8, n. 18., p. 147-163, jan/jun 2024. TSAI, Plínio Marcos. O Tao e a Modernidade Chinesa. São Paulo: PHI Editora, 2025.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

TAKAHASHI, Nayara Maron Costa. O PRINCÍPIO DA AMIZADE NA ÉTICA BUDISTA E CRISTÃ: UM DIÁLOGO ENTRE A SUMA DA SABEDORIA E A SUMA TEOLÓGICA.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270493-O-PRINCIPIO-DA-AMIZADE-NA-ETICA-BUDISTA-E-CRISTA--UM-DIALOGO-ENTRE-A-SUMA-DA-SABEDORIA-E-A-SUMA-TEOLOGICA. Acesso em: 18/02/2026

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