O EDUCADOR IRONISTA E O SENTIDO DA VIDA

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
O EDUCADOR IRONISTA E O SENTIDO DA VIDA
Autores
  • Jonas Marcelo Gonzaga
  • MARCELO FURLIN
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Ciência da Religião
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270426-o-educador-ironista-e-o-sentido-da-vida
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
educador ironista; sentido; logoterapia; senso de responsabilidade
Resumo
A presente pesquisa de Pós-Doc, supervisionado pelo Dr. Marcelo Furlin, visa a investigação e problematização da atuação contemporânea do educador ironista no campo da Educação em interface às Ciências da Religião, ao se tratar da experiência profunda e espiritual que está além das tênues fronteiras do psicofísico (FRANKL, 2022). O eixo do estudo buscará ampliar e aprofundar as possibilidades de intervenção do educador ironista, cuja matriz socrática se desdobra em sua atuação educadora e estética, inaugurada pelo autor conceitual, Imanol Aguirre (2009). Por perspectiva, há a busca dialógica e territorial das potências humanas atreladas à uma rigorosa análise existencial, perpetradas sob a visão do psiquiatra Viktor Emil Frankl (2025), de forma que contundentes facetas emergenciais possam emergir e instigar sentidos imprescindíveis às Ciências da Educação, Ciências da Religião e, sobremaneira, ao próprio sentido da vida em correspondência à responsabilidade do ato educacional. A essência ironista é partilhada nos diálogos platônicos, potencialmente disseminada pela capacidade linguística de Sócrates, que em tudo era capaz de plantar a dúvida e a ironia como elementos em dinâmica para se acenar aos limiares da verdade. O dinamarquês Kierkegaard (2018), por sua vez, abastece-nos, grandiosamente, destacando as nuances socráticas e o movimento ironista em seu ser. A compreensão artística do educador ironista encontra eco na obra do autor norte-americano, Richard Rorty (RORTY, 2007, p 18-19), revelando-o conceitualmente como “ironista liberal”, um alguém dotado de solidariedade, averso às crueldades, cujo vocabulário está em permanente construção - pois, não acredita numa única fonte de saber cultural, numa hegemonia -, que se opõe à humilhação alheia e retém a dúvida radical por não validar-se como o detentor da verdade, ou seja, o outro deve ser reconhecido como “um de nós”, não como um desconhecido. Postas estas premissas do educador ironista, compreendemos que a pesquisa a ser empreendida busca por correspondências às proposições de Viktor Frankl - enfaticamente, em garantir sentido à identidade humana mesmo em cenários cujos fatores-atores possam atuar na direção da desumanização, opondo-se à integralidade da educação, da justiça e compassividade. Destarte, Frankl afirma que “a liberdade humana implica a capacidade do homem de distanciamento de si mesmo”, posto que o importante é a “atitude que é escolhida livremente” ante os temores e as ansiedades, por exemplo (FRANKL, 2005, p. 52). Para Frankl, criador da doutrina teórico-terapêutica - a Logoterapia - a qual apresentava, improvisadamente, em seus próprios termos: “... na Logoterapia, o paciente pode ficar sentado normalmente, mas precisa ouvir certas coisas que, às vezes, são muito desagradáveis de se ouvir”, procura nos trazer à conscientização da responsabilidade de nossa própria existência, o sentido da vida como motivação primária, sendo exclusivo e específico, que só pode ser cumprido pela pessoa, em detrimento das ações alheias (FRANKL, 2025, p. 157). Frankl (2022, p. 6) eleva a condição espiritual para além do âmbito religioso e considera tarefa da existência humana, o exercício da dimensão valorativa, intelectual e artística, em um sentido à espiritualidade inconsciente, preterindo toda intelectualização e racionalização unilaterais. Portanto, a questão central do problema da pesquisa que, a priori, reforçamos, concentra-se da seguinte maneira: quais poderiam ser as nuances entre o educador ironista (imbuído de clara consciência histórico-estética) e os sentidos esperançados por Viktor Frankl, por meio de sua experiência e os propósitos da concepção da Logoterapia? Os Objetivos da pesquisa (estágio pós-doc) são: Analisar as nuances de concepção entre o educador ironista e os princípios/propósitos da Logoterapia; ampliar a categoria do educador ironista, tendo em perspectiva a busca por um sentido concreto na existência pessoal - a vontade de sentido; investigar como as dimensões da Logoterapia podem se desdobrar e se conectar aos preceitos do educador ironista; perspectivar se a tarefa da Logoterapia ao ajudar o paciente a encontrar sentido em sua vida, pode se entrelaçar à atuação do educador ironista, dotado da dúvida e do constante perguntar; relacionar o vazio existencial (no entendimento da Logoterapia) à falta de sentido no fazer docente - a falta de objetivos emancipatórios e educacionais e os seus porquês. A justificativa do tema escolhido se passa com o autor Imanol Aguirre (2009), conceptor do título “educador ironista”, cuja tipologia provocativa, inteirada e propositora de experiências estéticas frente às complexidades contemporâneas num trânsito da pluralidade, de imaginários, narrativas, da construção de identidade e da mobilidade social, compreendemos ser contundente a continuidade de investigação neste tocante, de forma a aliar os apontamentos humanos e existenciais da Logoterapia, que alimenta as pessoas aos verdadeiros e pessoais sentidos da vida. O educador ironista possui o propósito de fomentar a crítica, a mobilização da dúvida e da ironia frente às “realidades verdadeiras”; busca por conectar territórios de competências e habilidades distintas, instituindo a humanização dos processos dentro da Educação contemporânea. Sendo assim, pautado com esta diferenciada percepção da realidade, o educador ironista no ensino de arte pode ensejar a consciência do sentido da vida no ensino-aprendizagem, do respeito e do compromisso com a coletividade. A correlação entre a Logoterapia - que em uma tradução literal do termo é “terapia através do sentido” (FRANKL, 2005, p. 17) - e o educador ironista vai ao possível encontro e do fortalecimento das práticas caracterizadas de equidade, equilíbrio e qualidade de vida; a arte aliada à Logoterapia - o seu estudo em perspectiva - pode auxiliar na construção de sentidos revitalizadores, de significados salutares e na identificação com o outro. Salientamos que esta intencionalidade de Estágio Pós-Doc está nutrida pela minha atuação junto ao setor público, ao qual me dedico há quatorze anos, entre os municípios de São Paulo e São Bernardo do Campo, além do Estado de São Paulo ao longo de doze anos. Atualmente, sou servidor público de SBC, atuando como diretor escolar efetivo, especificamente, em creche (0 a 3 anos). As minhas experiências junto à Educação e no ensino de Artes na Educação Básica e no Ensino Superior no nível da Pós-Graduação, revelam que a pesquisa teórica atrelada às práticas, podem potencializar as experiências e as aprendizagens dos alunos, contribuindo com a capacidade de observação, da percepção de realidades e dos jogos de linguagem, assim como, o contínuo refinamento da sensibilidade e da alteridade, tão necessárias para uma vida em sociedade ideal, a qual permita o desenvolvimento de análise e julgamento, do entendimento de mundo. Este estudo pode indicar possibilidades epistêmicas entre os campos da Arte-Educação, em específico da Arte, e da Logoterapia, por meio de entrecruzamentos da experiência humana, de reinterpretações históricas, de ressignificação de pontos de vista, de identidades e suas culturas; por fim, a compreensão da realidade alheia e seus sentidos, empaticamente, pois “falar do sentido e do valor da vida parece hoje mais necessário que nunca” (FRANKL, 2024, p. 23). Referências bibliográficas - AGUIRRE, Imanol. Imaginando um futuro para a educação artística. Trad. Inés Oliveira Rodríguez e Danilo de Assis Clímaco. In: MARTINS, Raimundo; TOURINHO, Irene (Org.). Educação na cultura visual: narrativas de ensino e pesquisa. Santa Maria: Editora UFSM, 2009. p.157-186. ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. Tradução: José Rubens Siqueira. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. FRANKL, Viktor Emil. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. 64. ed. Tradução: Walter O. Schlupp e Carlos C. Aveline. São Leopoldo: Sinodal; Petrópolis: Vozes, 2025.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GONZAGA, Jonas Marcelo; FURLIN, MARCELO. O EDUCADOR IRONISTA E O SENTIDO DA VIDA.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270426-O-EDUCADOR-IRONISTA-E-O-SENTIDO-DA-VIDA. Acesso em: 14/02/2026

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