UM VIÉS RELIGIOSO DO ETARISMO FEMININO NO BRASIL: O THERĪGĀTHĀ DO BUDISMO INDIANO COMO FERRAMENTA NA SUPERAÇÃO DO SOFRIMENTO DO ENVELHECIMENTO DAS MULHERES

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
UM VIÉS RELIGIOSO DO ETARISMO FEMININO NO BRASIL: O THERĪGĀTHĀ DO BUDISMO INDIANO COMO FERRAMENTA NA SUPERAÇÃO DO SOFRIMENTO DO ENVELHECIMENTO DAS MULHERES
Autores
  • Gisele Helena d' Ottaviano
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Ciência da Religião
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1269947-um-vies-religioso-do-etarismo-feminino-no-brasil--o-therigatha-do-budismo-indiano-como-ferramenta-na-superacao-d
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Envelhecimento, Mulher, Therigatha, Budismo, Etarismo de gênero.
Resumo
O presente trabalho, intitulado “Um viés religioso do etarismo feminino no Brasil: o Therīgāthā do budismo indiano como ferramenta na superação do sofrimento do envelhecimento das mulheres”, propõe uma reflexão acerca do etarismo feminino no Brasil, entendido como a intersecção entre discriminação etária e sexismo, que impacta de modo significativo a vida de mulheres em processo de envelhecimento. A feminização da velhice, evidenciada pelo Censo Demográfico de 2022 (IBGE), mostra que mais de 55% da população idosa brasileira é composta por mulheres, o que amplia a necessidade de estudos críticos sobre suas especificidades. Na sociedade brasileira, atravessada por valores de juventude eterna e estética corporal, o envelhecimento feminino tende a ser associado à perda da beleza, gerando sofrimento psicológico e invisibilidade social. Enquanto homens mais velhos frequentemente são vistos como portadores de autoridade e experiência, mulheres idosas são socialmente relegadas à irrelevância. O problema central da pesquisa é compreender como o etarismo feminino na sociedade brasileira contemporânea colabora para o sofrimento psicológico das mulheres diante da degeneração de sua aparência estética. O objetivo geral é construir uma ponte de diálogo entre estudos contemporâneos sobre envelhecimento — sobretudo o etarismo de gênero — e os ensinamentos do Budismo indiano, explorando-os como ferramentas de enfrentamento simbólico ao sofrimento feminino diante do envelhecer. Como referencial teórico, utilizamos o Therīgāthā, coletânea de poemas do cânone budista Theravāda composta no século VI a.C. por monjas budistas, considerada o primeiro registro literário feminino do mundo Dentro dessa coletânea, serão analisados versos das monjas Vimala (vv.72-76) e Ambapali (vv.252-269), que tratam da degeneração estética face ao envelhecimento. Esses trechos revelam como, já na antiguidade, mulheres refletiam sobre a passagem do tempo e sobre a impermanência da beleza, oferecendo ensinamentos de desapego e libertação do sofrimento. Trazer esses textos para o presente permite às mulheres brasileiras reinterpretar sua própria experiência de envelhecer, não como fracasso diante da perda da juventude, mas como oportunidade de transformação existencial. O referencial teórico dialoga com autores como Charles Hallisey (2015), cuja tradução de Therīgāthā: Poems of the First Buddhist Women apresenta o texto como obra literária e espiritual fundamental, ressaltando a riqueza existencial e a autenticidade da voz feminina. Também será considerada a obra de Kathryn R. Blackstone (2000), que entende o Therīgāthā como marco da primeira literatura feminina do mundo, destacando seu caráter transgressor ao retratar mulheres alcançando iluminação espiritual. Para a interpretação dos ensinamentos, são utilizadas ainda as reflexões do pesquisador brasileiro Plínio Marcos Tsai, sobretudo em sua tradução do Lamrim Chenmo, que fundamenta a análise a partir da Teoria de Rede Inter-relacional. A metodologia adotada é de caráter bibliográfico e documental, articulando fontes primárias (cânone budista) e secundárias (estudos sobre envelhecimento e etarismo de gênero no Brasil), e será guiada pelo método da Teoria de Rede Inter-relacional, sistematizada por Tsai, que permite uma aproximação entre o ocidente e oriente a partir da noção de identidade deles. A partir dessa teoria se abre a possibilidade de interpretar os ensinamentos budistas, sob a perspectiva da formação da identidade da mulher naquela época, estabelecendo critérios que dialoguem com a experiência das mulheres no Brasil contemporâneo. Os resultados parciais da pesquisa indicam que o Therīgāthā pode ser uma ferramenta simbólica eficaz para enfrentar o sofrimento causado pelo etarismo feminino. Ao colocar em relevo a voz das mulheres que, já na antiguidade, lidaram com a perda da beleza e encontraram no caminho espiritual uma forma de libertação, o texto possibilita ressignificar o envelhecimento como processo de amadurecimento e não como fracasso. Como consideração parcial, este estudo demonstra que os ensinamentos do Therīgāthā oferecem uma via de enfrentamento ao sofrimento do envelhecimento intensificado pelo etarismo feminino. O diálogo entre tradição budista e estudos contemporâneos sobre gênero e envelhecimento contribui para reinterpretar o envelhecer não pela ótica da perda estética, mas como oportunidade de transformação identitária e espiritual. Esse deslocamento epistemológico e cultural amplia a possibilidade de que mulheres brasileiras, hoje, ressignifiquem suas vivências frente à velhice, reduzindo o sofrimento psicológico e promovendo maior autonomia simbólica. Futuramente, a pesquisa pretende expandir a análise em perspectivas interdisciplinares, aproximando teoria e prática social. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BLACKSTONE, Kathryn R. Women in Footsteps of the Buddha: Struggle for Liberation in the Therīgāthā. Délhi: Motilal Banarsidass Publication, 2000. DRAGPA, Je Tsongkhapa Lobsang. Lamrim Chenmo: Grande Tratado do Caminho Gradual da Iluminação. Parte II: Ensinamentos do Primeiro Escopo, Capítulo 3: Estar ciente da morte. Trad. Plínio Tsai. Valinhos, SP: Associação Buda Darma, 2020. GOLDENBERG, Mirian. Corpo e envelhecimento: diferenças de gênero na cultura brasileira. Educere et Educare, Cascavel, v. 9, n. 17, p. 231–242, 2014. DOI: 10.17648/educare.v9i17.9240. Disponível em: <https://e-revista.unioeste.br/index.php/educereeteducare/article/view/9240>. Acesso em: 13 abr. 2025. GOLDENBERG, Mirian. Mulheres e envelhecimento na cultura brasileira. Caderno Espaço Feminino, Uberlândia, v. 25, n. 2, p. 46–56, jul./dez. 2012. 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Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

OTTAVIANO, Gisele Helena d'. UM VIÉS RELIGIOSO DO ETARISMO FEMININO NO BRASIL: O THERĪGĀTHĀ DO BUDISMO INDIANO COMO FERRAMENTA NA SUPERAÇÃO DO SOFRIMENTO DO ENVELHECIMENTO DAS MULHERES.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1269947-UM-VIES-RELIGIOSO-DO-ETARISMO-FEMININO-NO-BRASIL--O-THERIGATHA-DO-BUDISMO-INDIANO-COMO-FERRAMENTA-NA-SUPERACAO-D. Acesso em: 18/02/2026

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