“ÍCONE, ÍNDICE E SÍMBOLO: AS REVOLUÇÕES TECNOLÓGICAS NA FICÇÃO CIENTÍFICA DO SÉCULO XX”

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
“ÍCONE, ÍNDICE E SÍMBOLO: AS REVOLUÇÕES TECNOLÓGICAS NA FICÇÃO CIENTÍFICA DO SÉCULO XX”
Autores
  • MARISTELA SANCHES BIZARRO
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Comunicação
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1269898-icone-indice-e-simbolo--as-revolucoes-tecnologicas-na-ficcao-cientifica-do-seculo-xx
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Semiótica Peirceana; Ficção Científica; Revoluções tecnológicas; Cinema
Resumo
Ícone, índice e símbolo: as revoluções tecnológicas na ficção científica do século XX Esta comunicação propõe uma análise dos modos de representação do corpo na ficção científica do século XX, fundamentada na Fenomenologia e na Teoria Geral dos Signos, desenvolvidas por Charles Sanders Peirce. A partir de uma perspectiva semiótica, pretende-se compreender como diferentes regimes de significação se articulam em torno das transformações tecnológicas que marcaram profundamente o imaginário moderno, refletindo e antecipando mudanças sociais, culturais e filosóficas. Para isso, tomam-se como objeto de estudo três obras clássicas do gênero, representativas de momentos paradigmáticos: Metrópolis (Fritz Lang, 1926), Blade Runner (Ridley Scott, 1982) e Matrix (Lana e Lilly Wachowski, 1999). Em Metrópolis, observa-se a predominância do índice, signo que remete a relações de causalidade e materialidade direta. A cidade futurista, dividida entre a opulência das elites e a opressão dos trabalhadores subterrâneos, reflete a lógica industrial e mecanicista que marcou o início do século XX. O corpo humano é representado como engrenagem da máquina social, submetido à disciplina fabril e à alienação do trabalho. A androide Maria, enquanto simulacro do humano, condensa a tensão entre técnica e espiritualidade, operando como índice da revolução industrial e dos primeiros debates sobre a desumanização advinda do avanço tecnológico. Já em Blade Runner, inscreve-se um deslocamento significativo. A obra, considerada precursora da cultura digital e ícone da revolução eletrônica, coloca em cena os replicantes — androides quase indistinguíveis dos humanos — como ícones de fronteira. Diferentemente do maquinário pesado de Metrópolis, aqui a tecnologia é inscrita na fluidez das imagens luminosas da cidade e na corporalidade híbrida dos replicantes. A relação entre humano e máquina torna-se mais ambígua, pois os replicantes não apenas imitam a vida, mas reivindicam experiências e afetos, tensionando categorias como identidade, autenticidade e memória. O corpo, nesse contexto, deixa de ser mero índice de opressão e passa a funcionar como espaço de disputa simbólica, questionando a própria definição de humanidade. Por fim, em Matrix, o predomínio é do símbolo, signo que se constrói pela convenção e pela mediação de sistemas complexos de significação. A narrativa se estrutura em torno de um alto grau de interação simbólica entre corpos, linguagens digitais e realidades simuladas, problematizando o estatuto da experiência no universo da cultura digital. Inteligência artificial, biotecnologia e realidade virtual emergem como temas centrais, articulando-se na representação de corpos que podem ser programados, conectados e reconfigurados em função de códigos. A famosa cena da escolha entre a pílula azul e a vermelha sintetiza a dimensão simbólica do corpo como interface entre mundos possíveis, instaurando um questionamento filosófico sobre liberdade, consciência e existência. A análise desses três filmes evidencia como a ficção científica, ao explorar o imaginário tecnológico, constitui uma linguagem privilegiada para antecipar formas de representação do humano em um processo evolutivo. O cinema, enquanto dispositivo estético e narrativo, oferece terreno fértil para pensar a dialética entre corpo e máquina, humano e pós-humano, natureza e técnica. Nesse percurso, a fenomenologia peirceana permite compreender como diferentes regimes de signos — índice, ícone e símbolo — operam na constituição das imagens do corpo, mediando experiências coletivas e sedimentando novos modos de percepção. Assim, a análise semiótica da ficção científica, povoada por representações de novas formas de vida e pela hibridização entre natural e artificial, contribui para uma compreensão mais profunda do estatuto do corpo no século XX. As inovações tecnológicas não apenas transformaram a realidade material, mas também os sistemas de representação, instaurando novos horizontes culturais e epistemológicos. Ao examinar os deslocamentos do índice em Metrópolis, do ícone em Blade Runner e do símbolo em Matrix, revela-se como o cinema de ficção científica não se limita a projetar futuros imaginários, mas atua como laboratório de pensamento sobre os limites e possibilidades do humano frente às revoluções tecnológicas que moldaram o século XX e continuam a reverberar no presente.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BIZARRO, MARISTELA SANCHES. “ÍCONE, ÍNDICE E SÍMBOLO: AS REVOLUÇÕES TECNOLÓGICAS NA FICÇÃO CIENTÍFICA DO SÉCULO XX”.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1269898-ICONE-INDICE-E-SIMBOLO--AS-REVOLUCOES-TECNOLOGICAS-NA-FICCAO-CIENTIFICA-DO-SECULO-XX. Acesso em: 12/02/2026

Trabalho

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