INTELIGÊNCIA EMOCIONAL E O FAZER DOCENTE: PERSPECTIVAS DO ENSINO FUNDAMENTAL II

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
INTELIGÊNCIA EMOCIONAL E O FAZER DOCENTE: PERSPECTIVAS DO ENSINO FUNDAMENTAL II
Autores
  • Luzia Cecilia da Costa Julidori
  • LUCIANE DUARTE DA SILVA
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Educação
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1267986-inteligencia-emocional-e-o-fazer-docente--perspectivas-do-ensino-fundamental-ii
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Inteligência Emocional, Docência, Ensino Fundamental II, Formação de Professores, Emoções na Educação.
Resumo
O presente estudo insere-se no campo da formação de professores e tem como foco a investigação sobre a inteligência emocional e sua influência na prática docente no Ensino Fundamental II. Parte-se do reconhecimento de que o contexto escolar contemporâneo é atravessado por complexas demandas pedagógicas e socioemocionais, que exigem do professor competências que ultrapassam o domínio técnico e o conhecimento de conteúdos. A crescente diversidade de alunos, associada a cenários de vulnerabilidade social, indisciplina e pressão por resultados, intensifica o desafio de manter o equilíbrio emocional no exercício da docência. Nesse sentido, o problema de pesquisa busca compreender como professores da rede de ensino fundamental percebem e vivenciam a inteligência emocional em sua prática cotidiana e quais estratégias são mobilizadas para lidar com as tensões e desafios que emergem em sala de aula. O objetivo geral é analisar de que modo a inteligência emocional se manifesta no trabalho docente, investigando sua relevância para o bem-estar do professor e para a qualidade das interações pedagógicas. Como objetivos específicos, pretende-se identificar as percepções dos docentes acerca das próprias competências emocionais, verificar como lidam com situações de conflito, frustração e estresse, e compreender as possíveis relações entre inteligência emocional e processos de ensino e aprendizagem. A relevância deste estudo se justifica na medida em que a docência, tradicionalmente associada à dimensão cognitiva e técnica, vem sendo cada vez mais interpelada pela dimensão socioemocional, o que o insere em um campo de discussão urgente para as políticas educacionais, para a formação inicial e para o desenvolvimento profissional contínuo dos professores. O referencial teórico fundamenta-se em autores clássicos e contemporâneos que discutem a inteligência emocional e sua interface com a educação. O trabalho de Daniel Goleman é central, ao definir a inteligência emocional como a capacidade de reconhecer, compreender e gerenciar as próprias emoções e as emoções dos outros, destacando suas dimensões principais: autoconhecimento, autocontrole, automotivação, empatia e habilidades sociais. Articula-se essa concepção com aportes de Gardner, no campo das inteligências múltiplas, e de Vygotsky, no que se refere às interações sociais como mediadoras do desenvolvimento humano. Outros autores contribuem para a discussão sobre docência e emoções, ressaltando que o desempenho acadêmico e a convivência escolar não podem ser desvinculados da forma como professores e alunos se relacionam afetivamente. Nesse sentido, a escola é compreendida como espaço de desenvolvimento integral, no qual as competências socioemocionais têm papel central na formação cidadã. A literatura também aponta que o déficit de preparo dos docentes para lidar com suas próprias emoções pode levar ao desgaste profissional, ao estresse crônico e até ao abandono da carreira, reforçando a necessidade de estudos e práticas voltadas à valorização dessa dimensão na educação. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, fundamentada em uma abordagem fenomenológica que busca dar voz aos professores e compreender a experiência vivida em seu cotidiano profissional. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com docentes atuantes no Ensino Fundamental II em escolas públicas e privadas, de forma a captar percepções, narrativas e sentidos atribuídos à inteligência emocional em sua prática. As entrevistas serão gravadas, transcritas e analisadas à luz da análise de conteúdo, seguindo as etapas de categorização, codificação e interpretação, o que permitirá identificar padrões e singularidades nas falas dos participantes. A opção pela abordagem qualitativa justifica-se pelo interesse em compreender dimensões subjetivas e simbólicas que não poderiam ser captadas por instrumentos quantitativos. O trabalho também dialoga com documentos oficiais de orientação da prática docente e com estudos empíricos recentes sobre saúde mental, bem-estar e desenvolvimento socioemocional de professores no Brasil. Os resultados parciais indicam que os professores reconhecem a importância da inteligência emocional para sua atuação, mas revelam dificuldades em gerenciar emoções em situações de indisciplina, conflitos interpessoais e pressões institucionais. As narrativas apontam sentimentos recorrentes de sobrecarga, frustração e desmotivação, mas também evidenciam estratégias positivas, como a busca por apoio entre colegas, o uso de práticas de autocuidado, a reflexão sobre a própria prática e a valorização de vínculos afetivos com os estudantes. Observou-se que a empatia é uma das dimensões mais citadas, sendo percebida como fundamental para estabelecer relações de confiança e promover um ambiente de aprendizagem colaborativo. Outro ponto emergente é a percepção de que a ausência de preparo formal sobre competências emocionais durante a formação inicial impacta negativamente a capacidade de lidar com situações adversas no cotidiano escolar, o que reforça a urgência de incluir essa dimensão na formação docente. Nas considerações finais, ressalta-se que a inteligência emocional é um recurso indispensável para a docência contemporânea, contribuindo tanto para o equilíbrio pessoal do professor quanto para a construção de relações pedagógicas mais humanas e significativas. Ao reconhecer e gerenciar suas emoções, o docente fortalece sua resiliência diante das adversidades, amplia sua capacidade de escuta e diálogo, e cria condições mais favoráveis ao processo de ensino e aprendizagem. O estudo contribui, assim, para o debate sobre a valorização da dimensão socioemocional no campo educacional, apontando caminhos para a inclusão de competências emocionais na formação inicial e continuada de professores. Reconhece-se, entretanto, limitações, como o número reduzido de participantes e a restrição ao contexto do Ensino Fundamental II, o que abre perspectivas para pesquisas futuras em outras etapas de ensino e em diferentes redes escolares. Ao valorizar a escuta das vozes docentes, este trabalho reafirma a centralidade do professor na mediação das aprendizagens e a necessidade de reconhecer a educação como prática que envolve razão, emoção e humanização. Referências (ABNT NBR 6023): DAY, C. A paixão pelo ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2004. GARDNER, H. Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. GOLEMAN, D. Inteligência emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995. HARGREAVES, A. O ensino na sociedade do conhecimento: a educação na era da insegurança. Porto Alegre: Artmed, 2003. NÓVOA, A. Os professores e a sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1995. VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

JULIDORI, Luzia Cecilia da Costa; SILVA, LUCIANE DUARTE DA. INTELIGÊNCIA EMOCIONAL E O FAZER DOCENTE: PERSPECTIVAS DO ENSINO FUNDAMENTAL II.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1267986-INTELIGENCIA-EMOCIONAL-E-O-FAZER-DOCENTE--PERSPECTIVAS-DO-ENSINO-FUNDAMENTAL-II. Acesso em: 08/02/2026

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