IDOLATRIA: UM CONCEITO TEOLÓGICO CRÍTICO AO SISTEMA MUNDO EMERGENTE A PARTIR DO SÉCULO XVI

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
IDOLATRIA: UM CONCEITO TEOLÓGICO CRÍTICO AO SISTEMA MUNDO EMERGENTE A PARTIR DO SÉCULO XVI
Autores
  • Lauri Emilio Wirth
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Ciência da Religião
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1266750-idolatria--um-conceito-teologico-critico-ao-sistema-mundo-emergente-a-partir-do-seculo-xvi
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Sistema mundo, Idolatria, Crítica teológica
Resumo
Idolatria é um conceito polissêmico na história do cristianismo. Predominantemente, ele carrega em si uma noção negativa em relação às divindades de outras religiões. Aparece também, no mesmo sentido, no contexto das controvérsias internas do cristianismo, principalmente após as reformas protestantes. A presente comunicação pretende discutir um deslocamento significativo no conceito de idolatria como crítica teológica ao sistema mundo emergente a partir do século XVI. Esse deslocamento é verificável em, pelo menos, dois horizontes de sentido: a) a crítica aos ídolos se desloca do céu para a terra, ou seja, o foco da crítica teológica à idolatria visa ídolos profanos como as relações prático-produtivas voltadas fundamentalmente ao acúmulo de riquezas, a transformação do pecado da usura numa virtude etc; b) Esse deslocamento na noção de idolatria é um fenômeno transversal entre as diferentes confissões cristãs, de resto divididas por disputas teológicas que levaram a condenações mútuas durante séculos. Assim, Lutero se refere ao mamon como uma nova divindade a pautar as relações sociais, para Las Casas é a idolatria do ouro que move os colonizadores espanhóis em sua relação com os povos indígenas, nos escritos de Roger Williams os puritanos ingleses aparecem como idólatras que sacrificam vidas pela posse da terra na América do Norte. A comunicação pretende mostrar que a existência real e concreta das vítimas do moderno sistema mundial, em sua fase de expansão mercantilista, se transforma em critério de julgamento de todo o sistema emergente. A idolatria é um conceito central dessa crítica teológica. Em Gn 31.19, Jacó foge de Labão e Raquel leva escondido as imagens dos deuses familiares. Eles são chamados de terafim! Não tem o sentido de ídolo: “Terafim era o nome dado às imagens dos deuses domésticos que muito provavelmente eram os ancestrais divinizados de cada família.” A proibição das imagens entra em vigor após as reformas de Ezequias e de Josias (Dt 7,25-26; 16,21-22). As reformas centralizadoras de Ezequias e Josias (i) estabeleceram o templo de Jerusalém como único local de culto em Israel; (ii) designa Javé como Deus de Israel; (iii) proíbe o culto a qualquer outra divindade; (iv) condena o uso de imagem que represente Javé ou qualquer outra divindade. A partir dessa reforma, todas as imagens passam a ser consideradas ídolos e, por conseguinte, são tidas como crime de idolatria. É muito provável que a noção negativa do termo grego ídolo (imagem) tem origem na septuaginta, a tradução do primeiro testamento para o grego. No segundo testamento o termo não chega a ser um tema central. Há quem defenda que a idolatria não chegava a ser um problema do cristianismo primitivo. Há um debate na época das catedrais, quando se forma um movimento iconoclasta, preocupado com a introdução de imagens nas igrejas, o que abriria espaço para o retorno do politeísmo. O termo se trona estruturante no contexto do expansionismo europeu do século XVI. A partir de então o “crime” de idolatria é um dos argumentos centrais para a destruição das culturas locais, tanto entre ideólogos do expansionismo católico-romanos, como missionários protestantes do século XIX. Um dos argumentos de seus discursos anticatólicos é que estes não conseguiram extirpar a idolatria entre os nativos. Lutero, sobre os banqueiros de sua época: “... como ele é um usurário e idólatra, porque serve a Mâmon, ele é incrédulo, não pode ter ou merecer a remissão dos pecados, tampouco a graça de Cristo, nem ainda a comunhão dos santos. Ele se condenou, se separou e se baniu a si mesmo, enquanto não tiver se confessado como culpado e feito penitência”. “Há muitos que pensam que têm Deus e o bastante de tudo quando possuem dinheiro e bens. Tão inabalável e confiadamente deles se fia e jacta, que ninguém lhe vale coisa nenhuma. Eis que tal homem também tem um deus, Mâmon de nome, isto é, dinheiro e bens, em que põe o coração todo. Esse aliás é o ídolo mais comum na terra”. “Repetidas vezes já disse que apenas o confiar e crer de coração faz tanto Deus como ídolo. Se é verdadeira a fé e a confiança, verdadeiro também é o teu Deus. Inversamente, onde a confiança é falsa e errônea, aí também não está o Deus verdadeiro. Fé e Deus não se podem divorciar. Aquilo, pois, a que prendes o coração e te confias, isso, digo, é propriamente teu Deus” John Mackay: “Este culto de idólatras, que ensina aos seus devotos que o único absoluto pelo qual devem viver no tempo presente é lutar contra o comunismo, descobrir e acusar os comunistas, rotular de suspeitos todos os que não seguem a linha do partido cultista desperta certas reflexões.”
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

WIRTH, Lauri Emilio. IDOLATRIA: UM CONCEITO TEOLÓGICO CRÍTICO AO SISTEMA MUNDO EMERGENTE A PARTIR DO SÉCULO XVI.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1266750-IDOLATRIA--UM-CONCEITO-TEOLOGICO-CRITICO-AO-SISTEMA-MUNDO-EMERGENTE-A-PARTIR-DO-SECULO-XVI. Acesso em: 13/02/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes