“VOCÊ É TÃO BONITA DE ROSTO, POR QUE NÃO EMAGRECE?” - PRODUÇÃO DE UM LIVRO INFANTOJUVENIL SOBRE GORDOFOBIA – DESCOLONIZANDO SABERES ATRAVÉS DA NARRATIVA EM PRIMEIRA PESSOA.

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
“VOCÊ É TÃO BONITA DE ROSTO, POR QUE NÃO EMAGRECE?” - PRODUÇÃO DE UM LIVRO INFANTOJUVENIL SOBRE GORDOFOBIA – DESCOLONIZANDO SABERES ATRAVÉS DA NARRATIVA EM PRIMEIRA PESSOA.
Autores
  • Carine Sawtschenko
  • Diane Portugueis
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1265295-voce-e-tao-bonita-de-rosto-por-que-nao-emagrece---producao-de-um-livro-infantojuvenil-sobre-gordofobia--des
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
gordofobia; livro infantojuvenil; Daseinsanalyse.
Resumo
Introdução Escrever, para mim, tornou-se um modo de habitar o mundo, de dar forma ao vivido e de testemunhar o que se manifesta no entrelaçamento da experiência pessoal e profissional. A gordofobia, fenômeno sociocultural de preconceito contra o corpo gordo, aponta para o horizonte histórico em que os corpos precisam caber em padrões estabelecidos pela mídia e incentivados pelas indústrias que alimentam o sistema econômico. Na abordagem fenomenológica daseinsanalítica, compreendo que não há corpo separado do mundo, mas um ser-aí que se corporifica em um horizonte histórico de sentidos. O corpo gordo, nesse horizonte, muitas vezes é colocado no lugar da inadequação e da ausência de pertencimento. Diante disso, o projeto de escrever um livro infantojuvenil sobre gordofobia nasceu como gesto existencial - o relato de um atravessamento com o tema, para que outras formas de ser-no-mundo pudessem ser reconhecidas e narradas. Percebo que, frequentemente, os discursos que circulam em torno do corpo gordo permanecem presos a uma lógica biomédica-normativa, obscurecendo as dimensões existenciais do fenômeno. Esse fato pode ser facilmente reproduzido pelos profissionais da psicologia em suas práticas clínicas e institucionais, apontando para um cenário problemático que distorce o fim último da psicoterapia, podendo esta se tornar instrumento de preconceito na atuação profissional. Entendo, portanto, que trazer essa questão para a literatura infantojuvenil é uma forma de contribuir para a legitimação dos corpos, sendo o livro um instrumento reflexivo e potente para o diálogo sobre o tema. Considero que produzir em primeira pessoa é também uma forma de problematizar a descolonização do saber psicológico, pois tal experiência se coloca como fonte legítima de produção de conhecimento. Falar em primeira pessoa não é apenas uma opção estilística, mas um gesto político e epistemológico: é recusar a neutralidade que apaga a singularidade e sustentar que o vivido é sempre lugar de saber. Objetivo O objetivo central deste trabalho é apresentar a produção de um livro infantojuvenil que tematiza a gordofobia a partir do relato da experiência pessoal, através da relação entre irmãs, perpassada por temas como abuso sexual e morte. Metodologia A metodologia aqui não se reduz a técnicas de pesquisa, mas compreende-se como um modo de caminhar. O livro foi gestado em um processo que uniu levantamento bibliográfico sobre gordofobia e literatura infantojuvenil, bem como a rememoração de experiências pessoais. A trama foi construída a partir do relato entre irmãs, narrando as experiências da infância até o contato com a gordofobia na adolescência e, posteriormente, a decisão, na vida adulta, pelo procedimento de gastroplastia, que resultou em uma mutilação do seu modo de ser. Resultados O resultado imediato é a produção de uma obra literária infantojuvenil que coloca em cena a personagem principal e sua irmã narrando as experiências da vida atravessadas pela gordofobia como modo de ser-no-mundo. A obra pode ser considerada um instrumento facilitador do debate sobre o preconceito contra corpos gordos; lança luz sobre o abuso sexual; e, por fim, aborda a morte. A perspectiva mais ampla é que esse livro possa ser utilizado em contextos educativos, clínicos e familiares, abrindo diálogos sobre preconceito, diversidade corporal e pertencimento. A obra se apresenta também como um testemunho: ao escrever, reconheço que minha história se entrelaça à de outras pessoas gordas, e que esse gesto de narrar pode contribuir para a quebra de silêncios e a abertura de novas compreensões. Considerações finais Este trabalho afirma que a psicologia, ao se comprometer com a fenomenologia daseinsanalítica, não pode se restringir à objetividade dos diagnósticos ou às generalizações estatísticas. A produção de um livro infantojuvenil sobre gordofobia é, nesse sentido, mais do que um projeto artístico: é um modo de colocar em circulação um saber encarnado, produzido a partir da primeira pessoa e aberto ao encontro com o outro. Entendo que a descolonização do saber psicológico passa por reconhecer o vivido como fonte legítima de conhecimento, e que o corpo gordo, tantas vezes silenciado ou reduzido à patologia precisa ser reconhecido em sua dignidade ontológica. A literatura, como campo de expressão e possibilidade, mostra-se aqui como caminho de resistência e de abertura, afirmando que toda existência merece ser narrada e acolhida em sua singularidade.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SAWTSCHENKO, Carine; PORTUGUEIS, Diane. “VOCÊ É TÃO BONITA DE ROSTO, POR QUE NÃO EMAGRECE?” - PRODUÇÃO DE UM LIVRO INFANTOJUVENIL SOBRE GORDOFOBIA – DESCOLONIZANDO SABERES ATRAVÉS DA NARRATIVA EM PRIMEIRA PESSOA... In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1265295-VOCE-E-TAO-BONITA-DE-ROSTO-POR-QUE-NAO-EMAGRECE---PRODUCAO-DE-UM-LIVRO-INFANTOJUVENIL-SOBRE-GORDOFOBIA--DES. Acesso em: 11/02/2026

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