EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E FORMAÇÃO DOCENTE EM TERRITÓRIOS INTERIORANOS: VOZES E NARRATIVAS DE EXTREMA/MG

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E FORMAÇÃO DOCENTE EM TERRITÓRIOS INTERIORANOS: VOZES E NARRATIVAS DE EXTREMA/MG
Autores
  • Ana Cláudia Betônio Rubio
  • César Augusto do Prado Moraes
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Educação
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1262252-educacao-a-distancia-e-formacao-docente-em-territorios-interioranos--vozes-e-narrativas-de-extremamg
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
educação a distância; pedagogia; formação docente.
Resumo
A formação de professores no Brasil, especialmente em municípios interioranos, ainda enfrenta obstáculos estruturais que dificultam a interiorização do ensino superior, revelando a fragilidade das políticas públicas voltadas à democratização da educação. Nesse cenário, a Educação a Distância (EaD) emerge como uma alternativa estratégica por flexibilizar dimensões de tempo e espaço e viabilizar trajetórias formativas antes inviáveis. Contudo, como destacam Belloni (2021) e Kenski (2013), a modalidade só cumpre seu papel democratizador quando articulada a políticas efetivas, metodologias pedagógicas acessíveis e infraestrutura tecnológica adequada à diversidade socioterritorial dos estudantes. A realidade vivida em Extrema/MG ilustra esse contexto: localizada no sul de Minas Gerais, em divisa com o estado de São Paulo, a cidade experimenta acelerado crescimento econômico, mas apresenta fragilidades na oferta de cursos superiores presenciais, inexistindo licenciaturas no município. Assim, a EaD consolida-se como principal via de acesso à formação docente, não por mera escolha, mas por necessidade, sobretudo para trabalhadores do setor industrial, mulheres com filhos e residentes em áreas rurais, para os quais a formação presencial torna-se praticamente inviável. Tal situação reflete um microcosmo de dezenas de municípios brasileiros em que a EaD se impõe como única possibilidade concreta de escolarização, desde que acompanhada de condições mínimas de permanência, como conectividade, recursos pedagógicos e suporte institucional, sob risco de reproduzir o paradoxo do acesso sem inclusão. Considerando esse contexto, este resumo tem como objetivo analisar de que forma a EaD contribui para a formação docente e inserção profissional de egressos do curso de Pedagogia, tomando como foco os relatos de nove participantes vinculados a um polo de apoio presencial em Extrema/MG. Metodologicamente, este estudo insere-se em uma pesquisa de mestrado em andamento, de natureza qualitativa, inspirada na abordagem narrativa e compreensiva. Os dados analisados derivam de três questões abertas de um questionário aplicado aos nove egressos, cujas respostas foram sistematizadas e interpretadas por meio da análise temática, orientada por categorias emergentes e dialogando com os referenciais teóricos da formação docente e da educação a distância. A interpretação dos relatos seguiu os princípios da análise compreensiva-interpretativa de Souza (2014), que compreende as narrativas como produções de sentido situadas, enraizadas nas experiências concretas dos sujeitos e permeadas por contextos sociais, políticos e históricos. Os resultados revelam que a EaD foi percebida pelos participantes como oportunidade concreta de transformação de vida, configurando-se, em muitos casos, como realização de um sonho ou viabilização do acesso ao ensino superior antes inacessível. Uma das participantes relatou que a formação significou “a realização de um sonho: ter um curso superior”, enquanto outro destacou a possibilidade de conciliar estudo e trabalho: “A flexibilidade do curso me permitiu continuar estudando enquanto trabalhava. Isso me possibilitou adquirir novos conhecimentos e habilidades que são valorizadas no mercado de trabalho.” Esses achados dialogam com Tardif (2002), ao afirmar que os saberes docentes se constituem também pelas experiências formativas em contextos reais e desafiadores, evidenciando que a EaD promove não apenas certificação, mas competências como autonomia, organização e autogestão. Outro resultado recorrente refere-se à flexibilidade temporal, apontada como fator determinante para a escolha da modalidade, especialmente pelas mulheres que conciliam jornada laboral, cuidados domésticos e maternidade. Falas como “Estudar em casa e eu mesma fazer meu horário” ou “Não é fácil trabalhar 8 horas por dia, cuidar dos afazeres domésticos, de duas filhas e ainda encontrar disponibilidade de tempo” ilustram a sobrecarga enfrentada e reforçam a argumentação de Belloni (2021), para quem a EaD é uma das formas mais potentes de inclusão educacional quando centrada no sujeito. Ainda, os relatos revelam que a inexistência ou inviabilidade da oferta presencial em cidades vizinhas reforçou a opção pela EaD: deslocamentos longos, custos elevados e acúmulo de responsabilidades tornaram impossível frequentar cursos presenciais. Como lembra Saviani (2008), o dualismo estrutural da educação brasileira perpetua desigualdades ao exigir que populações periféricas busquem soluções alternativas para acessar direitos básicos como a formação docente, situação que a EaD, nesse contexto, responde de forma política, social e territorial. A discussão evidencia que a EaD em Extrema/MG cumpre papel estruturante na democratização do acesso ao ensino superior, reafirmando que o território é categoria essencial para pensar políticas educacionais que respeitem singularidades locais. Apesar dos avanços, os desafios persistem, especialmente quanto à infraestrutura tecnológica, permanência estudantil e reconhecimento institucional da modalidade. Conclui-se que a EaD representa, em Extrema/MG, não uma alternativa secundária, mas o único modelo capaz de articular condições reais de vida dos sujeitos às exigências formativas da docência, ampliando oportunidades, promovendo inclusão e possibilitando a inserção profissional. Dessa forma, os resultados do estudo reforçam a necessidade de políticas públicas que reconheçam a EaD como parte integrante da expansão do ensino superior no país, com intencionalidade política, compromisso institucional e práticas pedagógicas sensíveis à diversidade social e territorial. Assim, este artigo contribui para o debate sobre o papel da EaD como instrumento de justiça educacional e formativa em municípios interioranos, destacando sua relevância para a consolidação de uma docência comprometida com a equidade e a transformação social. REFERÊNCIAS BELLONI, Maria Luiza. Educação a distância e inovação tecnológica. Trabalho, Educação e Saúde, Rio de Janeiro, v. 3, n. 1, 2022. DOI: 10.1590/S1981-77462005000100010. Disponível em: https://www.tes.epsjv.fiocruz.br/index.php/tes/article/view/1879. Acesso em: 23 jun. 2025. KENSKI, Vani Moreira. Educação e tecnologias: o novo ritmo da informação. 7. ed. Campinas: Papirus, 2013. SOUZA, Elizeu Clementino de. Diálogos cruzados sobre pesquisa (auto)biográfica: análise compreensiva-interpretativa e política de sentido. Santa Maria. v. 39. n. 1. p. 39-50. jan./abr. 2014. TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

RUBIO, Ana Cláudia Betônio; MORAES, César Augusto do Prado. EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E FORMAÇÃO DOCENTE EM TERRITÓRIOS INTERIORANOS: VOZES E NARRATIVAS DE EXTREMA/MG.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1262252-EDUCACAO-A-DISTANCIA-E-FORMACAO-DOCENTE-EM-TERRITORIOS-INTERIORANOS--VOZES-E-NARRATIVAS-DE-EXTREMAMG. Acesso em: 17/02/2026

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