A SEMIÓTICA ESTRUTURALISTA NA ANÁLISE DA REPRESENTAÇÃO DE EXTREMOS CLIMÁTICOS NA MÍDIA

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
A SEMIÓTICA ESTRUTURALISTA NA ANÁLISE DA REPRESENTAÇÃO DE EXTREMOS CLIMÁTICOS NA MÍDIA
Autores
  • Louis Marie Ndomo Edoa
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Comunicação
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1256505-a-semiotica-estruturalista-na-analise-da-representacao-de-extremos-climaticos-na-midia
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Comunicação de Riscos de Desastres; Emergências e Mudanças Climáticas; Resiliência e Desafios climáticos; Redução de Risco e Vulnerabilidade; Mediterrâneo.
Resumo
O artigo propõe uma reflexão sobre como os discursos midiáticos relacionados às mudanças climáticas devem ser analisados a partir de uma abordagem multidisciplinar. Segundo Mauger Parat (2013), compreender os fenômenos climáticos e seus impactos exige a articulação entre diversas áreas do conhecimento, como climatologia, ecologia, sociologia, comunicação e semiótica. Essa integração permite uma leitura mais abrangente das representações midiáticas, contribuindo para uma comunicação mais eficaz e contextualizada. A análise fundamenta-se no conceito de recursividade de Edgar Morin (2001), que evidencia a relação circular entre indivíduo e sociedade, bem como entre natureza e cultura. Essa interdependência é essencial para compreender como os discursos sobre o clima são construídos e como influenciam a percepção pública. Ophuls (2017) complementa essa discussão ao criticar a racionalidade moderna que busca dominar a natureza, propondo uma reflexão sobre os limites dessa postura e a necessidade de equilíbrio nas relações ecológicas. Nesse contexto, a semiótica estruturalista é apresentada como ferramenta para investigar os mecanismos simbólicos que sustentam as representações midiáticas dos extremos climáticos. Maran (2020) propõe uma semiose cultural dialógica, que inclui organismos não humanos nos processos de significação, desestabilizando fronteiras entre representação e objeto e promovendo uma integração mais profunda entre humanos e ecossistemas. Claude Calame (2020, 2023) amplia essa perspectiva ao afirmar que o indivíduo, além de sua identidade social e cultural, também se constitui de maneira eco-poética, por meio da interação semiótica com o mundo físico, químico e biológico que o cerca. Essa visão exige uma reavaliação dos valores humanos, símbolos e práticas culturais, propondo uma remodelação simbólica e técnica das interações com o meio ambiente. Tal transformação pode se refletir em novas tecnologias sustentáveis, políticas públicas voltadas à preservação ambiental e na promoção de uma cultura de respeito à natureza. A análise discursiva proposta no artigo se baseia nas técnicas midiáticas empregadas na produção e circulação de informações, considerando tanto os discursos linguísticos quanto os iconográficos. Mauger (2013) destaca que esse tipo de análise permite compreender os conflitos sociais presentes nos meios de comunicação de massa, especialmente no contexto da imprensa escrita brasileira e francesa. A abordagem considera dois campos principais: a mediação da ciência segundo Patrick Charaudeau (2008), que foca nas condições de produção e recepção dos discursos científicos, e a perspectiva de Sophie Moirand (2000, 2006), que analisa a adaptação desses discursos no cotidiano midiático. Também, considera-se a heterogeneidade semiótica presente nas páginas jornalísticas, onde o que é dito e o que é omitido têm igual importância. Imagens, títulos e paratextos moldam a percepção do leitor e obscurecem a responsabilidade editorial dos discursos midiáticos. Nesse sentido, Catellani (2018, 2022, 2024) destaca o papel das imagens na comunicação ambiental, classificando-as em categorias como ilustrações, imagens-prova, imagens-ethos, imagens-conhecimento, espetaculares e retóricas, todas com potencial de influenciar emocionalmente e cognitivamente o público. A semiótica discursiva, ao observar e interpretar esses elementos visuais e textuais, torna-se uma sociossemiótica contextualizada, capaz de reconstruir os sentidos e revelar as implicações culturais das representações midiáticas ambientais. Em diálogo com as Ciências da Informação e da Comunicação (SIC), a semiótica contribui para a inteligibilidade das formas de comunicação sobre o meio ambiente, oferecendo ferramentas metodológicas para decodificar os significados ocultos e compreender como os discursos sobre as mudanças climáticas são construídos, transmitidos e recebidos pela sociedade. Essa contribuição insere-se no campo da análise multimodal contemporânea, onde a semiótica desempenha um papel fundamental ao explorar as múltiplas camadas de significação presentes nos textos, imagens e demais formas de expressão midiática. Assim, o artigo defende que a análise semiótica dos discursos midiáticos sobre o clima deve considerar a complexidade das interações entre cultura, natureza e linguagem, promovendo uma compreensão crítica das representações que moldam o imaginário coletivo sobre os extremos climáticos. REFERÊNCIAS BECK, U. Sociedade de risco. São Paulo: Editora 34, 2011. CALAME, Claude. Pour une sémiotique écosocialiste des relations de l’homme avec son environnement: phúsis et tékhnai. Acta Semiotica, v. III, n°. 6, 2023, pp. 9-22. Disponível em: https://actasemiotica.com/index.php/as/62023pourunesemiotique. Acesso em: 15 abr. 2024. CHARAUDEAU, Patrick. La médiatisation de la science : Clonage, OGM, manipulations génétiques. Bruxelles : De Boeck, Paris : INA, 2008. CATELLANI, Andrea. Environmentalist Multi-modal Communication: Semiotic Observations on Recent Campaigns. In.S. Collister et S. Roberts-Bowman (éds). Visual Public Relations. Strategic Communication Beyond Text. 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Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

EDOA, Louis Marie Ndomo. A SEMIÓTICA ESTRUTURALISTA NA ANÁLISE DA REPRESENTAÇÃO DE EXTREMOS CLIMÁTICOS NA MÍDIA.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1256505-A-SEMIOTICA-ESTRUTURALISTA-NA-ANALISE-DA-REPRESENTACAO-DE-EXTREMOS-CLIMATICOS-NA-MIDIA. Acesso em: 16/02/2026

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