A CLÍNICA AMPLIADA EM PERSPECTIVA DA VULNERABILIDADE DOS ASSISTIDOS: UM OLHAR PARA A INTERCECCIONALIDADE.

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
A CLÍNICA AMPLIADA EM PERSPECTIVA DA VULNERABILIDADE DOS ASSISTIDOS: UM OLHAR PARA A INTERCECCIONALIDADE.
Autores
  • Javier de Bittencourt Peiro Llopart
  • Clarissa De Franco
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1249416-a-clinica-ampliada-em-perspectiva-da-vulnerabilidade-dos-assistidos--um-olhar-para-a-interceccionalidade
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Vulnerabilidade Social; PTS; Interseccionalidade; Inclusão; Clínica Ampliada.
Resumo
Conforme cartilha Programa de Humanização Nacional (Braseil, 2007) publicado para orientação de utilização da clínica ampliada, sugerindo o atendimento interdisciplinar, com o olhar holístico para o atendimento com usuários dos diferentes serviços de saúde, tendo como ferramenta o PTS (Projeto Terapêutico Singular), projeto desenvolvido ao indivíduo, respeitando as suas singularidades, observando diferentes vulnerabilidades que o mesmo apresenta em seu contexto social, podem dificultar o processo de ressocialização ou desinstitucionalização. Este trabalho busca fazer uma compreensão de fatores relevantes ao olhar do profissional da saúde no atendimento a demandas derivantes das vulnerabilidades e ampliando sobre o usuário. Será uma pesquisa bibliográfica, voltada aos temas de interseccionalidade, biopolítica e leis destinada a atuação do profissional de saúde. Usuários de serviço de saúde mental estão expostas a diferentes vulnerabilidades que se estendem para além da doença que são acometidas, Carmem, Santos e Paquiela (2024) reforçam as influências que a vulnerabilidade social pode gerar no paciente com sofrimento psíquico, aponto que a baixa escolaridade é um fator excludente no contexto social, dificultando a inserção em mercado de trabalho ou a percepção de importância social. Estatística apresentada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas apresenta disposição a transtornos mentais, sendo que, em mulheres são 2,8 mais vezes que em homens, apresentado tentativas de suicídios (Brasil, 2022). Vale ressaltar que isto se dá por condições sociais e não genéticas decorrentes da mulher. Carmem, Santos e Paquiala (2024) reforçam que, a vulnerabilidade social é um agravante ao quadro psicológico das pacientes, dificultando o acesso a fatores econômicos, sociais e culturais, que agravariam o sofrimento, temas pertinentes como estabilidade de emprego, segurança alimentar, segurança de moradia apresentam-se como dificultadores no acesso a condições melhores para seu livre desenvolvimento, podendo gerar mais sofrimento psíquico e aumento do estresse diante a problemas diários que são inerentes a vida. Viver em um ambiente minimamente seguro teria maior capacidade de organização psíquica, pelo simples fato de não estar exposto a vulnerabilidades. O nível educacional, pode influenciar no acesso a condições melhores de emprego que acarreta condições piores de moradia ou de condição socioeconômica, levando a indivídua a uma situação socioeconômico de pobreza, aumentando a exposição a violência, é reforçado pelas autoras que diferentes fatores de vulnerabilidades se apresentam em diferentes níveis e ordens, por estarem diretamente ligados uns aos outros. As questões de Gênero, mulheres e a população LGBTPIQNA+, estariam mais expostos a fatores estressores e de vulnerabilidade social que agravam as condições anteriormente apresentada. Ou seja, uma mulher, ou uma mulher trans, está exposta a fatores vulneráveis, estas pessoas estariam mais suscetíveis a “ansiedade em minorias sexuais” (Carmen, Santos & Paquiela, 2024, p11). O PTS deve dar olhar a esses fatores sociais, Silva e Macedo, em seu Guia Prático, traz olhar estas condições em primeiro momento no diagnóstico, “Deverá conter uma avaliação orgânica, psicológica e social, que possibilite uma conclusão a respeito dos riscos e da vulnerabilidade do usuário” (Silva & Macedo, 2024, p. 6). Os autores reforçam que os esforços devem ser concentrados onde causará impacto real na vida do paciente, utilizando a equipe interdisciplinar e compreendendo o território em que o usuário está inserido. Franco (2023) destaca quatro categorias indicadas por Foucault, a Psiquiatrização; Pedagogização da sexualidade da criança; Socialização das condutas de procriação; e Histerização do corpo da mulher. Os fatos trazidos pela autora são presentes nos dias de hoje em grupo que não cisheteronormatividade, mesmo quando tratamos de uma mulher CisHétera, tratamos de uma figura que social e historicamente é subjugada a figura masculina. Devem ser levados em consideração as realidades que LGBTPIQNA+ e mulher cis estariam suscetíveis a condições de vulnerabilidades para além das psiquiátricas anteriormente apresentadas. Franco reforça que, desde a década de 1990, debates vêm sendo traçados para a inclusão dos grupos de gênero em políticas públicas e de saúde, fomentando a atenção destes grupos. Hoepers (2022) faz um estudo minucioso de fatores de interseccionalidade da população brasileira. A interseccionalidade diz respeito as camadas vulneráveis que uma pessoa pode estar exposta mediante as características corporais ou sócias que tem. Levando em consideração que uma pessoa com um sofrimento psíquico já estaria em uma dessas camadas, o fator de ser mulher se entrepõem colocando-a em uma condição de mais suscetível a piora do quadro ou a estabelecimento de um quadro psíquico. Em uma sociedade em que o produto do mercado é o corpo humano, sendo o indivíduo participante e importante que produz e consome, a interseccionalidade nos revela fragilidades de determinados grupos, passam a ser menos integrantes desta sociedade, quanto menos acesso a recursos sociais, menos seria este indivíduo capaz de acesso a possibilidades de seu desenvolvimento. Sawaia (2001) reforça que os modelos de inclusão que são usados não atendem as necessidades de condições vulneráveis que a pessoa está, a sociedade exclui para incluir, existindo uma ordem social desigual determinante para uma inclusão ilusória. Esta dialética de inclusão, não somente segregaria grupos, mas geraria um senso de inclusão e exclusão, uma forma de culpabilizar o indivíduo pelo não atendimento aos critérios, aceitando de forma passiva o local de excluído. Conforme esclarece Silva e Macedo (2024), deve atender as singularidades, observando o território, família, acesso a saúde, gênero, sexualidade e fatores de riscos geradas pelo transtorno. Atentar-se às condições ambientais a que a paciente estaria exposta, fazendo um minucioso estudo, considerando o conceito de Interseccionalidade, condições de vulnerabilidades culturais por gêneros, biopolítica e inclusão perversa. Mulheres Cis, Trans, Gays, Lésbicas, Pretas, Periféricas, Mãe solo não deve ser reconhecido pelo profissional de saúde meramente como rótulos da pessoa atendida, mas como fatores de vulnerabilidade e permanência da exposição a este ambiente agressivo, pode agravar o quadro da paciente, proporcionando um PTS que atue em manejos ambientais para auxiliar de forma assertiva onde os esforços devem ser mais impactantes. Referências Bibliográficas: BRASIL. Ministério da Família e dos Direitos Humanos. Boletim Fatos e Números Saúde Mental, Brasília, Vol.1, 2022. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Clínica ampliada, equipe de referência e projeto terapêutico singular / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização – 2. ed. – Brasília: Ministério da Saúde, 2007. CARMEM, G. M., SANTOS, L. B. P., PAQUIELA, L. C. K. S. A Influência da Vulnerabilidade Social na Saúde Mental de Adultos: uma revisão integrativa. Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 11, 2024. FRANCO, C. Abordagem discursiva das representações sociais de gênero e religião em movimentos anti-gênero na educação. Copyright 2023 pelo Instituto Metodista de Ensino Superior CGC 44.351.146/0001-57. Mudanças – Psicologia da Saúde, 31 (2), Jul.-Dez. 2023. HOEPERS, A. D. Psicologia social, interseccionalidade e processos de subjetivação. Revista Conversas em Psicologia, v.3, n.1. janeiro a junho de 2022 SAWAIA, B. B. As Artimanhas da Exclusão. Análise Psicossocial e Ética da Desigualdade Social. 2° edição. Editora Vozes: Petrópolis, 2001. SILVA, D. O. & MACEDO, R F Guia prático: projeto terapêutico singular. Organização, Dorneles Oliveira Silva, Ricardo Fontes Macedo. Universidade Federal de Alagoas. Faculdade de Medicina. Maceió, 2024.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LLOPART, Javier de Bittencourt Peiro; FRANCO, Clarissa De. A CLÍNICA AMPLIADA EM PERSPECTIVA DA VULNERABILIDADE DOS ASSISTIDOS: UM OLHAR PARA A INTERCECCIONALIDADE... In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1249416-A-CLINICA-AMPLIADA-EM-PERSPECTIVA-DA-VULNERABILIDADE-DOS-ASSISTIDOS--UM-OLHAR-PARA-A-INTERCECCIONALIDADE. Acesso em: 09/02/2026

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