ANÁLISE DO BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO DE 2024, A PARTIR DOS MARCADORES DE RAÇA E GÊNERO E SUAS IMPLICAÇÕES PARA O CUIDADO E ACONSELHAMENTO PASTORAL

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
ANÁLISE DO BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO DE 2024, A PARTIR DOS MARCADORES DE RAÇA E GÊNERO E SUAS IMPLICAÇÕES PARA O CUIDADO E ACONSELHAMENTO PASTORAL
Autores
  • Vardilei Ribeiro da Silva
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Ciência da Religião
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1247017-analise-do-boletim-epidemiologico-de-2024-a-partir-dos-marcadores-de-raca-e-genero-e-suas-implicacoes-para-o-cu
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Boletim Epidemiológico, Prevenção ao Suicídio, Racismo, Homofobia, Misoginia.
Resumo
ANÁLISE DO BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO DE 2024, A PARTIR DOS MARCADORES DE RAÇA E GÊNERO E SUAS IMPLICAÇÕES PARA O CUIDADO E ACONSELHAMENTO PASTORAL No Brasil, os Boletins Epidemiológicos disponibilizados pelo Ministério da Saúde apresentam informações de diferentes epidemias focando-se por regiões. No que diz respeito ao fenômeno do suicídio não é diferente, pois trata-se de epidemia, ainda que tantas vezes silenciosa ou silenciada. O presente texto objetiva analisar o Boletim Epidemiológico de 2024 que atualiza os dados sobre suicídio no Brasil. A partir dos dados apresentados, a análise leva em consideração os marcadores de raça e gênero e busca estabelecer algumas implicações para o cuidado e aconselhamento pastoral, em especial junto aos grupos minoritários como população negra, indígenas e grupos LGBTI+. Os dados apresentados no B.E não estabelecem diálogo com a espiritualidade/religiosidade, ainda assim, parte-se do pressuposto que a religiosidade em seu recorte cristão pode exercer influência nas mortes por suicídio. Considerando-se que as faixas etárias mais vulneráveis ao suicídio são de 14 a 49 anos, considerando-se ainda, as questões de gênero, etnia/raça e condição social, os apontamentos do B.E servem de subsídio para se pensar o Cuidado e o Aconselhamento Pastoral que se proponha fomentador da vida. Nesse sentido, frente a realidade do suicídio, se faz necessária a reflexão sobre as implicações e desafios para a religião, em especial a cristã, frente ao suicídio de grupos minoritários no Brasil. Estes, apesar de descritos como minoritários, não são minoria neste país de dimensões continentais. Entretanto, a despeito do contingente significativo, tais grupos são por vezes negligenciados numa sociedade xenofóbica, estruturalmente racista, misógina, transfóbica e homofóbica. O que se percebe é que no que tange a população negra, o racismo estrutural se apresenta como fenômeno que invisibiliza o negro e a negra, relega a estes o lugar de subalternidade e exclusão. Nesse sentido, o caminho para a prevenção do suicídio reside no confronto ao racismo e a igreja deve estar na vanguarda desta ação para que não seja conivente com o racismo e morte de tantos. Assim, além do aconselhamento à pessoa negra considerando as suas singularidades, o púlpito deve se tornar também espaço de aconselhamento indireto no combate ao racismo. Antes mesmo da assinatura da Lei Áurea, pastores ou lideranças religiosas se apresentaram exemplificando por meio de seus púlpitos o quanto a escravidão constituía uma afronta a Deus, escravidão que era, obviamente produto do racismo do homem branco que considerava o negro uma sub-raça e, portanto, assim legitimava a escravidão. A coragem que se demonstrou outrora nos púlpitos precisa ser encontrada atualmente, onde oficialmente não existe mais escravidão, mas onde se enfrenta o racismo como sua inerente consequência. Não se faz necessário esforço teológico para a condenação da escravidão e tampouco do racismo, mas como este se percebe estruturalmente impregnado na sociedade, necessário se faz ser confessado e combatido com todas as forças pela igreja, que se coloca como promotora da vida, pois tal realidade pode implicar na ausência de pertencimento da pessoa negra e fomentar o suicídio. Quanto a população indígena procura-se analisar o ímpeto evangelístico e conversionista que acaba por ignorar as tradições que estão intrinsicamente relacionadas à qualidade de vida indígena. Parte-se da hipótese que a comissão evangelista esteja de certo modo associada ao ímpeto desenvolvimentista do capitalismo. Ao cristianismo compete novos paradigmas de evangelização se se ocupa com a vida humana em sua integralidade, reconhecendo por exemplo, que a salvação no sentido espiritual não se restringe a conversão e alienação da própria cultura indígena, pois antes mesmo das missões evangelísticas chegarem em território indígena, Deus já estava e está. A partir de uma nova assimilação da morte e do ser de Cristo, a própria prática evangelística seria substancialmente transformada, passando a ser o que deveria, considerando a essência da mensagem, boas novas de salvação em Cristo que alcança a todos, ainda que não converta todos ao cristianismo ocidental, pois como já apontou Desmond Tutu, “é claro que Deus não é Cristão” (Tutu, 2012, p. 31). Por fim, no que diz respeito a questão homoafetiva, a igreja contemporânea se encontra numa bifurcação: ou abre-se para refletir a questão com vistas ao pleno acolhimento da população LGBTQIAPN+ ou continua em seu recrudescimento teológico e irrelevância diante de um contexto com questões tão emergentes. Na primeira hipótese, o caminho que se apresenta, além de uma profunda exegese bíblica é o do diálogo, junto àqueles que por sentirem no corpo e na alma as dores da exclusão, se apresentam como os mais capacitados para ensinar sobre os seus desejos, afetos e fé. Os desafios são múltiplos, mas uma vez assumidos acredito que poderão contribuir para que muitos prestes a desistirem da vida, encontrem motivos e sentidos para o viver. BIBLIOGRAFIA A IGREJA E A QUESTÃO HOMOSSEXUAL NO BRASIL. Disponível em: < https://luizmottblog.wordpress.com/artigos/a-igreja-e-a-questao-homossexual-no-brasil/>. Acesso em 15 de Dezembro de 2024. BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO 33. Secretaria de Vigilância em Saúde. 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Suicídio e luto no contexto da pandemia de COVID-19: Análise psicossocial dos atravessamentos de gênero e religião. Mandrágora, v.28, n. 2, 2022, p. 141-164.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Vardilei Ribeiro da. ANÁLISE DO BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO DE 2024, A PARTIR DOS MARCADORES DE RAÇA E GÊNERO E SUAS IMPLICAÇÕES PARA O CUIDADO E ACONSELHAMENTO PASTORAL.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1247017-ANALISE-DO-BOLETIM-EPIDEMIOLOGICO-DE-2024-A-PARTIR-DOS-MARCADORES-DE-RACA-E-GENERO-E-SUAS-IMPLICACOES-PARA-O-CU. Acesso em: 08/02/2026

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