PROPOSTA DE MESA REDONDA-STRICTO SENSU: POTENCIALIDADES, DESAFIOS E FRAGILIDADES DAS PESQUISADORAS

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
PROPOSTA DE MESA REDONDA-STRICTO SENSU: POTENCIALIDADES, DESAFIOS E FRAGILIDADES DAS PESQUISADORAS
Autores
  • Diane Portugueis
  • Tamara Priscila Silva Sousa
  • Simone Pastorelli
  • M.ª Cláudia Antunes Morais
  • Carine Sawtschenko
  • Talitha Vieira Gonçalves Batista
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1246211-proposta-de-mesa-redonda-stricto-sensu--potencialidades-desafios-e-fragilidades-das-pesquisadoras
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
mulheres; pesquisadoras; mestrado; doutorado; stricto sensu.
Resumo
Para Clark (2003), a pesquisa é parte constitutiva da construção do conhecimento, podendo gerar novos saberes, expandir domínios existentes ou refutar concepções prévias. Nesse processo, o pesquisador aprende ao mesmo tempo em que contribui para o desenvolvimento da sociedade. Apesar da relevância inquestionável da pesquisa, vivenciar empiricamente as nuances e limites do universo acadêmico pode suscitar sentimentos de descrença entre as pesquisadoras, que se deparam com uma realidade permeada por desigualdades estruturais. O ingresso no ensino superior no Brasil reflete essa complexidade. Segundo o Censo da Educação Superior (2023), as mulheres representaram 59,1% das matrículas realizadas e constituem a maioria entre os brasileiros com curso superior completo. Entretanto, relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2022) apontou que apenas 27,2% das mulheres brasileiras possuíam ensino superior, metade da média dos países membros. A situação na pós-graduação é ainda mais desafiadora: apenas 0,7% da população entre 25 e 64 anos possui mestrado, frente a uma média de 14,1% nos países da OCDE, e 0,3% possui doutorado, índice quatro vezes menor que a média de 1,3%. Esses dados revelam o quanto o acesso feminino ao ensino superior não se traduz, necessariamente, em oportunidades equitativas de ascensão acadêmica. Ingressar e a permanecer em programas stricto sensu exigem resiliência diante de exigências como a produção acadêmica, a participação em congressos, a realização de estágios, além da escassez de infraestrutura e recursos. Mesmo quando há bolsas de pesquisa, estas raramente asseguram condições de dedicação exclusiva, e, quando inexistentes, os custos tornam-se ainda mais onerosos. Conforme Bourdieu (2001), a posição social é também resultado do legado das gerações anteriores, o que exige considerar recortes de gênero e raça na análise do acesso ao espaço acadêmico. Historicamente, as mulheres foram excluídas do universo científico: apenas no século XVIII passaram a ter acesso às universidades europeias, e no Brasil somente em 1879, com ampliação significativa a partir da década de 1970 (Blay, 1991). Ainda assim, estudos como o de Urpia (2009) indicam que o ingresso feminino não eliminou a sobrecarga das atividades de cuidado, resultando em jornadas múltiplas que incluem a maternidade, a vida acadêmica e o trabalho remunerado. Nesse sentido, torna-se fundamental que as pesquisadoras relatem e reflitam sobre suas próprias realidades no exercício da pesquisa, de modo a dar visibilidade às questões estruturais que atravessam suas trajetórias acadêmicas. A conciliação entre a vida acadêmica e outras dimensões da existência feminina ainda é permeada por barreiras que permanecem invisibilizadas nos espaços institucionais. Gestar, parir e maternar, assumir de forma desproporcional o trabalho doméstico e os cuidados com familiares são tarefas que, embora essenciais à vida social, não recebem reconhecimento acadêmico e frequentemente dificultam a continuidade ou a qualidade da produção científica. A ausência de políticas institucionais adequadas e a naturalização dessas responsabilidades como inerentes às mulheres agravam as desigualdades, limitando oportunidades e aprofundando disparidades de gênero. Reconhecer e nomear essas experiências é não apenas um exercício de resistência, mas também uma estratégia de legitimação do lugar da mulher na ciência, contribuindo para a transformação de uma cultura acadêmica ainda marcada por desigualdades históricas. O presente trabalho adota como metodologia a análise qualitativa de caráter etnográfico, com o objetivo de explorar a percepção das pesquisadoras em suas trajetórias acadêmicas e de pesquisa. Busca-se refletir sobre os desafios, conquistas, potencialidades e fragilidades desse universo, que quanto mais é explorado e discutido, mais revela sua complexidade, bem como as motivações que impulsionam as pesquisadoras a contribuir, por meio da investigação científica, para a construção de uma sociedade mais igualitária e orientada pela dignidade humana. REFERÊNCIAS; Bourdieu, P. (2001). O ser social, o tempo e o sentido da existência. In Meditações pascalianas (pp. 253–300). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. Blay, E. A., & Conceição, R. R. (1991). A mulher como tema nas disciplinas da USP. Cadernos de Pesquisa, (76), 50–56. BRASIL. (2023). Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Censo da Educação Superior 2023. Clark, O. A. C., & Castro, A. A. (2003). A pesquisa. Pesquisa Odontológica Brasileira, 17, 67–69. https://doi.org/10.1590/S1517-74912003000500011. OCDE. (2022). Educação em resumo 2022: Indicadores da OCDE. OCDE Publicação. https://doi.org/10.1787/3197152b-en. Acesso em 22 de março de 2025. Urpia, A. M. O., & Sampaio, S. M. R. (2011). Mães e universitárias: transitando para a vida adulta. In S. M. R. Sampaio (Org.), Observatório da vida estudantil: primeiros estudos (pp. 145–168). EDUFBA.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PORTUGUEIS, Diane et al.. PROPOSTA DE MESA REDONDA-STRICTO SENSU: POTENCIALIDADES, DESAFIOS E FRAGILIDADES DAS PESQUISADORAS.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1246211-PROPOSTA-DE-MESA-REDONDA-STRICTO-SENSU--POTENCIALIDADES-DESAFIOS-E-FRAGILIDADES-DAS-PESQUISADORAS. Acesso em: 14/02/2026

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