SEXUALIDADE E EDUCAÇÃO SEXUAL PARA ADOLESCENTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
SEXUALIDADE E EDUCAÇÃO SEXUAL PARA ADOLESCENTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
Autores
  • Daniela Gouveia Viana
  • Fabiana Correa Mateus
  • Valquiria Aparecida Rossi
  • Eliana Isabel De Moraes Hamasaki
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1232743-sexualidade-e-educacao-sexual-para-adolescentes-com-transtorno-do-espectro-autista--uma-revisao-sistematica-da-l
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Sexualidade, Autismo, Educação sexual, Adolescência, Inclusão
Resumo
A sexualidade de adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem sido, nas últimas décadas, objeto de crescente debate científico, sobretudo em razão das demandas por práticas educativas e políticas públicas inclusivas, que respeitem direitos e potencialidades desse grupo. A presente revisão sistemática da literatura foi conduzida de acordo com rigorosos critérios metodológicos, com o objetivo de identificar avanços, desafios e recomendações sobre a promoção da educação sexual para adolescentes autistas, a partir da análise de artigos publicados entre 2019 e 2024 nas bases OASIS, SciELO e Portal CAPES. Os descritores utilizados incluíram termos como “sexualidade”, “educação sexual”, “adolescente” e “transtorno do espectro autista”, contemplando estudos qualitativos, quantitativos e revisões integrativas relevantes em língua portuguesa, inglesa e espanhola. A análise dos treze estudos selecionados revela que o desenvolvimento da sexualidade em adolescentes autistas apresenta características específicas, como dificuldades na compreensão de normas sociais, limites interpessoais, consentimento e identificação de sinais emocionais nas interações afetivas. Em muitos casos, a ausência de educação sexual formal, o silenciamento familiar e institucional e a desinformação resultam em maior vulnerabilidade a situações de abuso, isolamento social e comportamentos inadequados. Relatos de adolescentes entrevistados evidenciam sentimentos de exclusão, constrangimento e carência de informações acessíveis e seguras, especialmente entre adolescentes não oralizados e meninas autistas, grupo que se mostra ainda mais exposto a riscos e a interpretações equivocadas de suas necessidades emocionais e sexuais. Barreiras recorrentes destacadas pelos estudos incluem o manejo do tema por famílias e profissionais, frequentemente envolvidos em uma postura de omissão ou superproteção, muitas vezes associada ao desconhecimento ou ao receio do estigma. Ao mesmo tempo, poucos professores e profissionais da saúde relatam preparo suficiente para abordar o tema de maneira assertiva e neuroafirmativa, o que dificulta intervenções educativas consistentes. Intervenções consideradas mais eficazes são aquelas que empregam comunicação clara e recursos visuais, além de envolver familiares, educadores e profissionais de saúde em ações conjuntas, alinhadas ao cotidiano do adolescente e ao seu ritmo de aprendizagem. A literatura analisada aponta para boas práticas, como o desenvolvimento de oficinas, grupos de orientação, materiais pedagógicos acessíveis e treinamentos voltados para famílias e professores, com resultados promissores na ampliação do repertório dos adolescentes e na promoção da autonomia. Destaca-se, contudo, a carência de estudos longitudinais, amostras diversificadas e participação ampliada de adolescentes em situação de vulnerabilidade social, além da predominância de pesquisas centradas na perspectiva de mães e cuidadores, o que limita o entendimento pleno das experiências desse público. Como recomendações centrais, a revisão enfatiza a necessidade de políticas públicas e projetos pedagógicos que assegurem o direito ao exercício pleno da sexualidade, o respeito à diversidade neurobiológica e o enfrentamento do estigma. Destacam-se a importância do diálogo aberto e contínuo, apoio especializado para adolescentes não oralizados e para meninas autistas, bem como a valorização de estratégias individualizadas na construção da autonomia, proteção e identidade dos adolescentes com TEA. O engajamento de escolas, famílias e serviços de saúde, respeitando os princípios dos direitos humanos e da inclusão, emerge como eixo estruturante para intervenções mais exitosas. Em síntese, promover uma educação sexual efetiva e inclusiva para adolescentes autistas requer romper com paradigmas de negação e silenciamento, investir em formação continuada de educadores e profissionais de saúde e fomentar ambientes de escuta qualificada e respeito às diferentes expressões da sexualidade. Tais esforços são fundamentais para a construção de políticas públicas comprometidas com a cidadania, a autonomia e o bem-estar de adolescentes autistas no Brasil. Palavras-chaves: Sexualidade, Autismo, Educação sexual, Adolescência, Inclusão Referências Arend, F. C. A., Silva, L. P., & Souza, R. A. (2021). A sexualidade em adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA): Revisão integrativa. Research Society and Development, 10(6), e11810615558. https://doi.org/10.33448/rsd-v10i6.15558 Brilhante, L. S., Oliveira, M. R. S., & Silva, F. A. (2021). “Eu não sou um anjo azul”: A sexualidade na perspectiva de adolescentes autistas. Ciência & Saúde Coletiva, 26(2), 417–423. https://doi.org/10.1590/1413-81232021262.40792020 Duarte, T. P., Fernandes, A. F., & Costa, M. J. (2022). Psychosexual education and training for adolescents with autism spectrum disorder: A systematic review. Nascer e Crescer, 31(2), 123-129. https://doi.org/10.25753/birthgrowthmj.v31.i2.24777 Ginger, S., & Ginger, A. (1995). Gestalt: Uma terapia do contato (T. G. Costa, Trad.). Summus. Mendes, M. J. G., & Denari, F. E. (2023). Sexo e deficiência: Educação sexual de discentes com deficiência intelectual segundo suas professoras. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, 18, e023091.https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17162 Nascimento, C. S. F. (2024). A educação sexual na perspectiva da educação inclusiva. Humanas em Perspectiva, 11, e2301. https://doi.org/10.51249/hp11.2024.2301 Oliveira, V. A. F. de, & Lacerda, L. T. (2020). A relação entre sexualidade e deficiência intelectual na atuação de professores. Revista Brasileira de Educação, Cultura e Linguagem, 4(7), 100–124. https://periodicosonline.uems.br/index.php/educacaoculturalinguagem/article/view/5704 Page, M. J. et al. (2022). A declaração PRISMA 2020: Diretriz atualizada para relatar revisões sistemáticas. Epidemiologia e Serviços de Saúde, 31(2), e2022107. http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742022000201700&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Page, M. J. et al. (2021). The PRISMA 2020 statement: An updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ, 372, n71. https://doi.org/10.1136/bmj.n71
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

VIANA, Daniela Gouveia et al.. SEXUALIDADE E EDUCAÇÃO SEXUAL PARA ADOLESCENTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1232743-SEXUALIDADE-E-EDUCACAO-SEXUAL-PARA-ADOLESCENTES-COM-TRANSTORNO-DO-ESPECTRO-AUTISTA--UMA-REVISAO-SISTEMATICA-DA-L. Acesso em: 17/02/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes