NARCISISMO E MORALIDADE NA CONTEMPORANEIDADE: IMPACTOS ÉTICOS, RELAÇÕES SOCIAIS E DESAFIOS PARA A SAÚDE PSÍQUICA

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
NARCISISMO E MORALIDADE NA CONTEMPORANEIDADE: IMPACTOS ÉTICOS, RELAÇÕES SOCIAIS E DESAFIOS PARA A SAÚDE PSÍQUICA
Autores
  • Fabiana Correa Mateus
  • Valquiria Aparecida Rossi
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1232449-narcisismo-e-moralidade-na-contemporaneidade--impactos-eticos-relacoes-sociais-e-desafios-para-a-saude-psiquica
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
narcisismo; moralidade; ética; relações sociais; empatia
Resumo
O fenômeno do narcisismo tem ganhado centralidade nas discussões acadêmicas e sociais contemporâneas, adquirindo contornos que vão além da concepção clínica clássica e alcançam dimensões éticas, relacionais e institucionais. Entrelaçado a transformações sociais aceleradas, à cultura digital e às novas formas de organização do trabalho e das relações humanas, o narcisismo se revela não apenas como traço individual, mas como dinâmica relacional e fenômeno social que impacta significativamente a configuração da moralidade. O presente trabalho apresenta uma análise integradora sobre como expressões narcísicas influenciam a construção, a prática e a desconstrução de valores morais em múltiplos cenários da vida contemporânea, buscando sintetizar evidências de pesquisas científicas recentes e refletir sobre desafios emergentes para a saúde psíquica e a ética coletiva. A revisão sistemática da literatura, abrangendo dezoito estudos nacionais e internacionais publicados na última década, evidenciou que o narcisismo exacerbado constitui importante fator de risco para distorções éticas, justificativas egocêntricas e comportamentos socialmente nocivos. No âmbito familiar, práticas parentais marcadas pelo narcisismo contribuem para situações de violência moral sutil e comprometem o desenvolvimento empático das crianças. Situações como alienação parental, manipulação emocional e controle psicológico revelam uma tendência à ruptura do vínculo ético entre gerações, favorecendo a emergência de conflitos, sofrimento psíquico e padrões relacionais problemáticos na vida adulta. A literatura destaca ainda a ligação entre experiências precoces de negligência, insegurança ou indiferença afetiva e o desenvolvimento de padrões narcísicos patológicos, situando as dinâmicas familiares no centro dos processos de formação da moralidade. Em contextos conjugais, institucionais e profissionais, observa-se que o narcisismo favorece a proliferação de dinâmicas abusivas, manipulação afetiva, assédio moral e outras condutas antiéticas. As organizações, especialmente aquelas com lideranças marcadas por traços da tríade sombria (narcisismo, maquiavelismo e psicopatia), tendem a reproduzir ambientes competitivos e hostis, nos quais há fragilização das relações empáticas, aumento do individualismo e legitimação de práticas de desconexão moral. Os padrões narcísicos são frequentemente mediados por mecanismos de racionalização e negação de responsabilidade, o que dificulta a construção de uma cultura organizacional ética e saudável. Em estudos realizados no ambiente esportivo, atletas com altos níveis de narcisismo apresentaram maior propensão a condutas antissociais e antiéticas, apontando para a necessidade de práticas educativas voltadas à autocompaixão, cooperação e responsabilidade coletiva. No ambiente digital, o narcisismo encontra terreno fértil para amplificação de suas características, especialmente por meio da busca incessante por validação, reconhecimento e autopromoção. A cultura das redes sociais potencializa práticas como o exibicionismo, a manipulação da autoimagem, a vergonha pública e o cyberbullying, enfraquecendo os parâmetros de empatia e favorecendo a desconexão moral. Os algoritmos das plataformas digitais contribuem para a intensificação do individualismo, tornando a validação social um dos principais objetivos das interações virtuais. O narcisismo digital, assim, está associado tanto ao enfraquecimento dos vínculos interpessoais e à superficialização das relações quanto ao aumento de comportamentos hostis e à diminuição das barreiras éticas, resultando em maior vulnerabilidade psíquica, principalmente entre adolescentes e jovens adultos. Tais práticas contribuem para o isolamento emocional, sentimentos crônicos de insegurança e insatisfação, além de desencadear quadros de ansiedade e depressão. O impacto ético do narcisismo se manifesta também na tendência ao enfraquecimento do senso de responsabilidade coletiva e na relativização dos valores morais. A desconexão moral — conceito que descreve a suspensão temporária dos padrões éticos em benefício de interesses pessoais — se apresenta como mecanismo central na mediação entre traços narcísicos e comportamentos antiéticos. Estudos recentes destacam que esse processo opera não apenas em decisões individuais, mas como fenômeno coletivo, seja em contextos de violência institucional, assédio moral no trabalho ou em políticas desumanizadoras no espaço público. A cultura narcísica, ao legitimar o egoísmo e a busca por interesse próprio acima do bem comum, compromete os vínculos sociais, fragiliza pactos éticos e dificulta a construção de projetos coletivos solidaristas e sustentáveis. Apesar dos impactos negativos identificados, a literatura ressalta também a possibilidade de intervenção e transformação. Práticas clínicas baseadas em abordagens experiênciais, fortalecimento da aliança terapêutica e promoção da empatia se mostram eficazes na redução de traços narcísicos patológicos. Em instituições educacionais, o incentivo à reflexão ética, à construção da alteridade e ao reconhecimento da vulnerabilidade compartilhada favorece o desenvolvimento de competências morais e a superação de tendências antissociais. A valorização de estratégias como autocompaixão, cooperação, diálogo ético e responsabilização coletiva emerge como caminho promissor no enfrentamento dos desafios éticos colocados pela contemporaneidade. Por fim, o panorama desenhado pelos dados revisados indica que os desafios referentes ao narcisismo e à moralidade só poderão ser superados a partir de estratégias integradas, que reúnam esforços clínicos, educativos, institucionais e sociais. Enfrentar os efeitos deletérios do narcisismo desmedido exige a promoção de uma ética relacional, fundada no respeito, na reciprocidade e na capacidade de reconhecer o outro como legítimo na convivência. Políticas públicas comprometidas com a redução das desigualdades, o fortalecimento das redes de cuidado e a promoção da saúde psíquica são fundamentais para resgatar valores morais e humanizadores na cultura contemporânea. Referências Balzarotti, S., Biassoni, F., Villamira, M. R., & John, O. P. (2016). Individual differences in cognitive emotion regulation: Implications for emotion and well-being. Journal of Happiness Studies, 17(1), 125-143. https://doi.org/10.1007/s10902-014-9587-3 Cabral, E. L. S., Silva, M. C. N., Marcolino, T. 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Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MATEUS, Fabiana Correa; ROSSI, Valquiria Aparecida. NARCISISMO E MORALIDADE NA CONTEMPORANEIDADE: IMPACTOS ÉTICOS, RELAÇÕES SOCIAIS E DESAFIOS PARA A SAÚDE PSÍQUICA.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1232449-NARCISISMO-E-MORALIDADE-NA-CONTEMPORANEIDADE--IMPACTOS-ETICOS-RELACOES-SOCIAIS-E-DESAFIOS-PARA-A-SAUDE-PSIQUICA. Acesso em: 12/02/2026

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