PREVALÊNCIA DE DIAGNÓSTICO DE DEPRESSÃO SEGUNDO O GÊNERO: ANÁLISE CRÍTICA DOS RESULTADOS DA PESQUISA NACIONAL DE SAÚDE (PNS) DE 2013 E 2019

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
PREVALÊNCIA DE DIAGNÓSTICO DE DEPRESSÃO SEGUNDO O GÊNERO: ANÁLISE CRÍTICA DOS RESULTADOS DA PESQUISA NACIONAL DE SAÚDE (PNS) DE 2013 E 2019
Autores
  • alex fernandes nunes
  • Carolina Rodriguez Paes
  • Tatiane Oliveira
  • Valéria Calipo
  • Juliana Risso Pariz
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1232426-prevalencia-de-diagnostico-de-depressao-segundo-o-genero--analise-critica-dos-resultados-da-pesquisa-nacional-de
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
depressão; gênero; saúde mental; desigualdade de gênero
Resumo
A depressão é um problema de saúde pública associada a mortes por suicídio e por outras doenças crônicas com alta prevalência no Brasil, o que evidencia a importância de estudos que investiguem suas variações segundo o gênero. Aspectos epidemiológicos, biológicos, sociais e psicológicos influenciam na manifestação da doença, que segundo a literatura, existe uma proporção de prevalência de duas mulheres para um homem. Para a investigação da depressão autorreferida no Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2013 e 2019 realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) podem ser utilizados para demonstrar e acompanhar a evolução desse problema de saúde. Portanto, o objetivo do trabalho é estimar a prevalência de diagnóstico de depressão na população brasileira segundo o gênero, comparando sua evolução entre os anos de 2013 e 2019, a partir de dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). Este estudo retrospectivo transversal foi realizado na Universidade Metodista de São Paulo, Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde, entre março e abril de 2025. Foram utilizados dados sobre a frequência de diagnósticos de depressão em correlação ao sexo, coletados a partir das Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) realizadas pelo Ministério da Saúde e IBGE nos anos de 2013 e 2019, disponível em site próprio destinado a pesquisa. Os dados utilizados incluem o diagnóstico de depressão dado por profissional de saúde, o sexo do respondente, cor ou raça declaradas, estado civil, idade e motivos do porquê não retorna ao tratamento de 212.616 pessoas no ano 2013 e 289.872 pessoas no ano 2019. Os dados coletados foram organizados em uma planilha eletrônica utilizando o software Microsoft Excel® (versão 2021) e posteriormente analisados com o software estatístico Jamovi® 2.6.25 (THE JAMOVI PROJECT, 2025). Quando comparamos os resultados dos dois anos, podemos perceber que, apesar de haver um aumento expressivo da quantidade de casos, 1,2% no ano de 2013 para 2,87 em 2019, quando realizado o teste qui-quadrado encontramos um valor de p = 0,481, o que significa que estes resultados são, na verdade, estatisticamente iguais. Ao trabalhar com os dados entre os gêneros, temos a diferença de 3,4% dos homens com diagnóstico de depressão para 9,8 em 2013 e 4,6% dos homens para 13,3% das mulheres em 2019, porém ao realizar o teste qui-quadrado mais uma vez, temos resultado de 0,377 em 2013 e <0,001 em 2019, o que significa que apenas em 2019 é uma diferença estatisticamente diferente. Além destes dados, também julgamos relevante destacar que dentre as pessoas que tiveram diagnóstico de depressão, 49,7 se declararam brancas e 41,6 pardas em 2013, sendo 46% brancas e 43,4 pardas em 2019. Quanto a estado civil a maioria é de casados, com 38,4% logo seguida por solteiros 36,8 em 2013 e 37,4% casados e 36,6% solteiros em 2019. Quanto separamos os resultados entre os gêneros, encontramos as porcentagens de 29,9% para casadas e 27,1% para solteiras em 2013 e 26,6% casadas e 27,5% solteiras, considerando a amostra como todos que tiveram diagnóstico de depressão entre homens e mulheres. Ao investigarmos o motivo do porquê não voltarem ao atendimento, a resposta mais comum foi “não está mais deprimido” para ambos os sexos, sendo 16,6% homens e 55,4% mulheres. Observou-se um aumento percentual (1,2% para 2,87%), contudo, sem significância estatística (p = 0,481), indicando que o crescimento não configura variação significativa. Tal resultado demanda cautela quanto à interpretação de oscilações na prevalência, as quais podem refletir limitações metodológicas ou variações no acesso e reconhecimento do sofrimento psíquico. A análise de gênero evidenciou maior prevalência de depressão entre mulheres em ambos os anos, sendo estatisticamente significativa apenas em 2019 (p < 0,001). Tal disparidade está amplamente documentada na literatura e associada a fatores psicossociais e estruturais, como a sobrecarga de papéis, desigualdades no cuidado e maior exposição a violências. O estado civil, embora presente na análise, não se mostrou um fator isoladamente determinante, mas articulado a dinâmicas afetivas e sociais que impactam a saúde mental. A caracterização sociodemográfica revelou que o diagnóstico de depressão incide majoritariamente sobre mulheres de 30 a 59 anos, autodeclaradas brancas ou pardas e com baixa escolaridade — grupo em que se concentram condições de maior vulnerabilidade social. A diversidade de estados civis entre mulheres reforça a influência das redes de cuidado e das relações afetivas na experiência do sofrimento psíquico. O Brasil segue com uma das maiores prevalências de depressão da América Latina, superando a média global de 5% (WHO, 2024), o que configura um cenário crônico de adoecimento mental e demanda respostas intersetoriais e culturalmente sensíveis, conforme os princípios de equidade do SUS (Lei nº 8.080/1990). Quanto à continuidade do tratamento, embora muitos relatem não estar mais deprimidos, outros fatores como desânimo, dificuldades logísticas e financeiras também aparecem como barreiras relevantes, evidenciando a fragilidade do modelo de cuidado. A elevada taxa de não resposta sobre os motivos para abandono do tratamento aponta limitações metodológicas e possíveis resistências, especialmente entre homens, associadas a normas de gênero que dificultam a expressão do sofrimento. Esses achados reforçam que gênero, escolaridade, faixa etária e condições socioeconômicas estão entrelaçados ao adoecimento mental e ao acesso desigual à atenção em saúde, reiterando a necessidade de estratégias públicas mais equitativas e sensíveis às múltiplas formas de vulnerabilidade. A análise comparativa dos dados da PNS de 2013 e 2019 revela que, embora haja um aumento numérico na prevalência de depressão no Brasil, esse aumento não foi estatisticamente significativo, e a diferença entre os gêneros só se tornou expressiva em 2019. A maior prevalência entre mulheres continua sendo um fenômeno multifatorial, influenciado por desigualdades sociais, limitações de acesso ao tratamento e cargas emocionais invisibilizadas. Diante disso, conclui-se que o enfrentamento da depressão no Brasil não pode se limitar à ampliação dos diagnósticos, mas exige uma abordagem ampla e intersetorial que leve em conta os determinantes sociais da saúde. É fundamental promover políticas de saúde mental que sejam sensíveis à diversidade de gênero, raça e classe, e que se comprometam com o cuidado ético, humanizado e emancipador, visando não apenas tratar, mas também prevenir o sofrimento psíquico e reduzir as desigualdades estruturais que o alimentam.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

NUNES, alex fernandes et al.. PREVALÊNCIA DE DIAGNÓSTICO DE DEPRESSÃO SEGUNDO O GÊNERO: ANÁLISE CRÍTICA DOS RESULTADOS DA PESQUISA NACIONAL DE SAÚDE (PNS) DE 2013 E 2019.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1232426-PREVALENCIA-DE-DIAGNOSTICO-DE-DEPRESSAO-SEGUNDO-O-GENERO--ANALISE-CRITICA-DOS-RESULTADOS-DA-PESQUISA-NACIONAL-DE. Acesso em: 18/02/2026

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