REGULAÇÃO EMOCIONAL E BEM-ESTAR PSICOLÓGICO EM ADOLESCENTES: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
REGULAÇÃO EMOCIONAL E BEM-ESTAR PSICOLÓGICO EM ADOLESCENTES: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Autores
  • Fabiana Correa Mateus
  • Valquiria Aparecida Rossi
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1232396-regulacao-emocional-e-bem-estar-psicologico-em-adolescentes--uma-revisao-integrativa
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Regulação emocional; Adolescência; Saúde mental; Bem-estar psicológico; Desenvolvimento emocional.
Resumo
A regulação emocional constitui aspecto central do desenvolvimento humano, especialmente na adolescência, fase marcada por intensas transformações biológicas, sociais, cognitivas e emocionais. Nessa etapa, a capacidade de manejar adequadamente as próprias emoções emerge como fator decisivo para o bem-estar psicológico e prevenção de agravos relacionados à saúde mental. O presente estudo, baseado em revisão integrativa da literatura e seguindo as diretrizes PRISMA, analisou sete pesquisas publicadas nos últimos quinze anos, contemplando diferentes metodologias e contextos culturais, a fim de compreender a relação entre estratégias de regulação emocional e o bem-estar de adolescentes. As evidências convergem para a importância das estratégias adaptativas, com destaque para a reavaliação cognitiva, associada a maiores níveis de satisfação com a vida, autoestima, resiliência e equilíbrio emocional. Esta técnica, que consiste em reinterpretar situações potencialmente estressoras de forma mais funcional, mostrou eficácia tanto na promoção do bem-estar subjetivo quanto na redução da intensidade de emoções negativas. Freire e Tavares (2011) identificaram que adolescentes adeptos a essa prática apresentam melhor saúde mental, além de vínculos familiares e escolares mais satisfatórios. Por outro lado, estratégias mal-adaptativas como a supressão emocional, a ruminação, a autoculpa e a catastrofização foram recorrente e consistentemente vinculadas a maior vulnerabilidade emocional, sintomas de ansiedade e depressão e a menor percepção de bem-estar. Balzarotti et al. (2016) evidenciaram que a supressão, caracterizada pela inibição da expressão das emoções, acarreta sentimentos de alienação, dificuldades na formação de vínculos e recorrência de ansiedade. A literatura aponta que padrões crônicos de supressão ou ruminação na adolescência podem atuar como preditores de transtornos psicopatológicos em fases posteriores da vida. O papel do contexto familiar na modelagem das estratégias de regulação mostra-se igualmente relevante. Práticas parentais de controle psicológico — desde a superproteção até a manipulação afetiva — restringem a autonomia do jovem e reduzem sua capacidade de autorregulação. Contudo, os efeitos dessas práticas não se manifestam de forma homogênea, variando conforme o contexto sociocultural. Deng et al. (2024), ao pesquisarem adolescentes chineses, observaram que o impacto do controle parental é modulável por valores culturais e pela presença ou ausência de suporte emocional. Estudos conduzidos no Brasil corroboram tais achados, revelando que a falta de apoio familiar adequado fragiliza o uso de estratégias adaptativas e amplia a adoção de condutas disfuncionais. Outro fator de destaque refere-se às experiências adversas na infância. Menezes e Faro (2023) demonstraram correlação significativa entre vivências traumáticas, negligência ou abusos e o incremento de comportamentos autolesivos, impulsividade e isolamento social em adolescentes. Esses elementos reforçam a urgência de estratégias precoces e efetivas em saúde pública e escolar, para mitigar riscos e fortalecer redes de proteção. Tais intervenções assumem caráter preventivo, ao mesmo tempo em que se orientam para a promoção de recursos internos de resiliência e autocuidado. A literatura revisada entrelaça ainda a dimensão cultural e socioeconômica da adolescência como determinante na efetividade de estratégias de regulação e intervenções. Ferramentas de avaliação e programas de apoio devem ser validados conforme os contextos locais, respeitando valores, crenças e práticas. Chamizo-Nieto et al. (2020), ao estudarem a adaptação de instrumentos psicológicos na Espanha e em outros países, destacam que a consistência psicométrica deve vir acompanhada de flexibilidade cultural, assegurando sensibilidade às realidades juvenis. Outro espaço privilegiado de atuação é a escola. Pesquisas revisadas apontam o potencial transformador da educação socioemocional, de oficinas de autoconhecimento, da formação docente voltada à escuta e do incentivo ao protagonismo juvenil. Tais iniciativas, fundamentadas no diálogo, empatia, resolução de conflitos e no cultivo de práticas de autocuidado, ampliam a autonomia do adolescente e favorecem o engajamento social. Ademais, programas intersetoriais integrando educação, saúde e políticas sociais revelam-se fundamentais para prevenir agravos e promover saúde mental positiva. Do ponto de vista metodológico, a literatura evidencia o avanço das abordagens híbridas — quantitativas e qualitativas — que permitem integrar resultados mensuráveis e o conteúdo subjetivo das experiências adolescentes. Questionários, entrevistas abertas, grupos focais e relatos pessoais têm enriquecido o campo, fornecendo uma visão mais panorâmica das práticas de regulação, seus determinantes e consequências. Para além das análises pontuais, ressalta-se a necessidade de estudos longitudinais, multicêntricos e multiníveis, que explorem variáveis moderadoras como gênero, etnia, classe social, contexto educacional e rede de apoio. Somente a partir dessa perspectiva sistêmica é possível compreender as trajetórias emocionais juvenis, identificar riscos antes de sua cristalização e propor intervenções eficazes. Diante desse panorama, o presente estudo reafirma a centralidade da regulação emocional no desenvolvimento saudável de adolescentes, destacando o caráter protetivo de estratégias adaptativas em face das demandas sociais e emocionais contemporâneas. Argumenta-se que a escuta ativa das narrativas juvenis é imprescindível para a construção de políticas e práticas que reforcem autoestima, autoconfiança, pertencimento e cooperação. Mais que prevenir riscos, trata-se de fomentar ambientes que estimulem autonomia e respeito, promovendo o florescimento integral dos adolescentes. Assim, a integração de esforços entre família, escola, saúde e comunidade deve ser priorizada como estratégia para o fortalecimento da saúde mental adolescente e para a construção de uma sociedade mais inclusiva. Referências Freire, T., & Tavares, D. (2011). Estratégias de regulação emocional e bem-estar subjetivo em adolescentes. Psicologia: Reflexão e Crítica, 24(3), 510-517. https://doi.org/10.1590/S0102-79722011000300011 Chamizo-Nieto, M. T., Rey, L., & Pellitteri, J. (2020). The role of emotional intelligence and self-esteem in adolescents’ perceived stress. Journal of Child and Family Studies, 29, 2016–2025. https://doi.org/10.1007/s10826-020-01744-w Balzarotti, S., Biassoni, F., Villamira, M. R., & John, O. P. (2016). Individual differences in cognitive emotion regulation: Implications for emotion and well-being. Journal of Happiness Studies, 17(1), 125-143. https://doi.org/10.1007/s10902-014-9587-3 Menezes, B. F., & Faro, A. (2023). Trauma na infância, regulação emocional e autorregulação comportamental em adolescentes. Estudos de Psicologia (Campinas), 40, e210259. https://doi.org/10.1590/1982-0275202340e210259 Deng, X., He, F., Han, X., Liu, Y., & Wang, Y. (2024). The effect of parental psychological control on adolescents’ mental health: A multi-country study. Child Psychiatry & Human Development, 55, 419–434. https://doi.org/10.1007/s10578-023-01577-8
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MATEUS, Fabiana Correa; ROSSI, Valquiria Aparecida. REGULAÇÃO EMOCIONAL E BEM-ESTAR PSICOLÓGICO EM ADOLESCENTES: UMA REVISÃO INTEGRATIVA.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1232396-REGULACAO-EMOCIONAL-E-BEM-ESTAR-PSICOLOGICO-EM-ADOLESCENTES--UMA-REVISAO-INTEGRATIVA. Acesso em: 12/02/2026

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