A SUSPENSÃO DE PRESSUPOSTOS EM PSICOTERAPIA: POR QUE NÃO APLICAR A EPOCHÉ NA CLÍNICA?

Publicado em 19/08/2026 - ISBN: 978-65-272-2779-3

Título do Trabalho
A SUSPENSÃO DE PRESSUPOSTOS EM PSICOTERAPIA: POR QUE NÃO APLICAR A EPOCHÉ NA CLÍNICA?
Autores
  • Jordy Sartori Tamura
Modalidade
Apresentação presencial
Área temática
I - PRÁTICAS PSICOLÓGICAS
Data de Publicação
19/08/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1531466-a-suspensao-de-pressupostos-em-psicoterapia--por-que-nao-aplicar-a-epoche-na-clinica
ISBN
978-65-272-2779-3
Palavras-Chave
Epoché; Psicoterapia; Fenomenologia; Edmund Husserl.
Resumo
O campo da saúde mental encontrou na fenomenologia importantes contribuições para suas formulações teóricas: a descrição da consciência intencional e de seus momentos constitutivos serviu como um rigoroso referencial teórico para descrever fenômenos psicopatológicos. Contudo, não é um diálogo simples; houve muitos mal-entendidos. Por exemplo, a noção binswangeriana de ser-além-do-mundo revela uma clara má compreensão da analítica do Dasein. A proposta da presente comunicação é criticar uma tese amplamente difundida a respeito de psicoterapias fundamentadas fenomenologicamente: a de que o clínico deve aplicar a epoché em seus atendimentos. A noção de epoché é desenvolvida por Edmund Husserl para tratar de problemas filosóficos, mas não para a investigação de um domínio empírico particular, nem para qualquer forma de intervenção na realidade — como a psicoterapia. Há autores que entendem que a aplicação da epoché ocorre quando o psicoterapeuta suspende todos os pressupostos. É uma tese logicamente inconsistente: 1) pois a psicoterapia fundamentada fenomenologicamente tem uma compreensão prévia da constituição intencional da vida humana, uma vez que a fenomenologia é um pressuposto; e 2) o psicoterapeuta não deve abrir mão de se orientar em função de uma finalidade, mesmo que ele e o paciente a repensem ao longo do processo: há uma ética pressuposta na ação clínica. É necessário reconhecer o valor de uma escuta atenta, que não realize uma “Cama de Procusto” com diagnósticos psiquiátricos. Contudo, a epoché não é uma mera suspensão de pressupostos teóricos, mas também da atitude natural; muitos autores a confundem com a cosmovisão das ciências naturais, ignorando que ela está presente e torna possível nossa vida cotidiana. O esforço do psicoterapeuta em aplicar a epoché possui os seguintes riscos: 1) dificuldade em encontrar uma orientação clara na literatura, uma vez que os filósofos falam de epoché em domínios não clínicos, e cada autor pensa sua aplicação clínica de modos razoavelmente distintos; 2) o psicoterapeuta pode ignorar deliberadamente elementos que não estão ausentes na prática clínica e, portanto, não devem ser ignorados, como o Código de Ética que orienta o ofício do psicólogo. Acreditamos que não devemos suspender os pressupostos em psicoterapia, mas, ao contrário, ter bastante clareza deles para torná-los habituais em nossa prática.
Título do Evento
II Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico Existencial
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

TAMURA, Jordy Sartori. A SUSPENSÃO DE PRESSUPOSTOS EM PSICOTERAPIA: POR QUE NÃO APLICAR A EPOCHÉ NA CLÍNICA?.. In: Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial. Anais...Rio de Janeiro(RJ) South American Copacabana Hotel, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1531466-A-SUSPENSAO-DE-PRESSUPOSTOS-EM-PSICOTERAPIA--POR-QUE-NAO-APLICAR-A-EPOCHE-NA-CLINICA. Acesso em: 06/10/2026

Trabalho

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