INTERDIÇÃO DO RECONHECIMENTO E A CAPOEIRA COMO DISPOSITIVO DE RE-EXISTÊNCIA DECOLONIAL

Publicado em 19/08/2026 - ISBN: 978-65-272-2779-3

Título do Trabalho
INTERDIÇÃO DO RECONHECIMENTO E A CAPOEIRA COMO DISPOSITIVO DE RE-EXISTÊNCIA DECOLONIAL
Autores
  • Gabriel
Modalidade
Apresentação online
Área temática
II - PSICOLOGIA E QUESTÕES SOCIAIS
Data de Publicação
19/08/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1531117-interdicao-do-reconhecimento-e-a-capoeira-como-dispositivo-de-re-existencia-decolonial
ISBN
978-65-272-2779-3
Palavras-Chave
Decolonialidade; Corporeidade; Capoeira, Resistência.
Resumo
O presente trabalho parte de pesquisa de mestrado em andamento, a qual propõe uma investigação de caráter fenomenológico-crítico acerca da capoeira, articulando-a como práxis de resistência e formulação de subjetividades no contexto colonial brasileiro. O estudo parte da experiência do sujeito racializado a partir do diagnóstico da zona do não-ser, caracterizada como um espaço de interdição ontológica onde o reconhecimento mútuo é substituído pela coisificação e pelo estilhaçamento da imagem corporal. O objetivo da pesquisa é analisar como a prática da capoeira atua na subversão das estruturas de desumanização impostas pela colonialidade, operando como possibilidade de reorientação do ser-no-mundo. Como recorte para a presente ocasião, darei enfoque ao desenvolvimento das reflexões teóricas, sob o argumento que o racismo opera como uma síntese passiva que pré-orienta o corpo, resultando no que a literatura fenomenológica descreve como motilidade impedida ou frustrada e um persistente sentimento de não-em-casa. Esse constrangimento existencial aliena a intencionalidade operativa, fixando o indivíduo em uma exterioridade objetificante. Frente a essa paralisia ontológica, utilizarei os conceitos de ginga e malícia para fundamentar que a capoeira emerge como uma práxis de reumanização através da intercoporeidade, para instaurar um micromundo de proteção e reconhecimento mútuo. Através da ginga, compreendida como uma intencionalidade operativa insurgente, e da malícia, lida como uma pragmática do poder e estratégia de opacidade necessária para preservar a soberania diante do olhar colonial, a prática promove a reciprocidade do reconhecimento para permitir que o sujeito habilite o nada existencialista como solo para a invenção de si. A pesquisa fundamenta-se no ethos de uma investigação enterreirada, que rejeita categoricamente o extrativismo epistêmico e valoriza o saber gestado na convivência e na territorialidade. O território é aqui tratado como o solo da experiência e lugar da ancestralidade, onde a memória se torna presença viva e a produção de conhecimento se faz indissociável da inscrição corporal e rítmica. Ao final, defendo que a capoeira ocupa uma dimensão ética de reumanização ao integrar a inteligência sensível do corpo e saberes territorializados para afirmar que ela constitui uma práxis de descolonização que transforma a interdição em insurgência ontológica e potência de agir, reafirmando a re-existência ativa do ser.
Título do Evento
II Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico Existencial
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

, Gabriel. INTERDIÇÃO DO RECONHECIMENTO E A CAPOEIRA COMO DISPOSITIVO DE RE-EXISTÊNCIA DECOLONIAL.. In: Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial. Anais...Rio de Janeiro(RJ) South American Copacabana Hotel, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1531117-INTERDICAO-DO-RECONHECIMENTO-E-A-CAPOEIRA-COMO-DISPOSITIVO-DE-RE-EXISTENCIA-DECOLONIAL. Acesso em: 06/10/2026

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