O FIM DE VIDA DA TRAJETÓRIA PERMEADA PELA VULNERABILIDADE SOCIAL: A INTERRUPÇÃO DO FAZER E A URGÊNCIA DO EXISTIR

Publicado em 19/08/2026

Título do Trabalho
O FIM DE VIDA DA TRAJETÓRIA PERMEADA PELA VULNERABILIDADE SOCIAL: A INTERRUPÇÃO DO FAZER E A URGÊNCIA DO EXISTIR
Autores
  • Rafaela Novis Edington
Modalidade
Apresentação presencial
Área temática
I - PRÁTICAS PSICOLÓGICAS
Data de Publicação
19/08/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1531012-o-fim-de-vida-da-trajetoria-permeada-pela-vulnerabilidade-social--a-interrupcao-do-fazer-e-a-urgencia-do-existir
ISSN
Palavras-Chave
Cuidados paliativos, Vulnerabilidade social, Fenomenologia, Fim de vida, Existência
Resumo
A experiência do adoecimento em fim de vida, quando situada em contextos de vulnerabilidade social, desvela modos de ser-no-mundo historicamente constituídos sob a primazia do fazer, da responsabilização precoce e da restrição de possibilidades existenciais. Este trabalho tem como objetivo refletir, a partir da experiência clínica de uma psicóloga atuante em enfermaria de cuidados paliativos de um hospital municipal em São Paulo/SP, sobre a dificuldade de pacientes em acessar e nomear dimensões de si para além das obrigações em contexto de internação e importante comprometimento funcional. Observa-se que, ao serem convidados a falar sobre si, muitos pacientes sustentam narrativas centradas no trabalho, na maternidade, no cuidado de terceiros e no cumprimento de responsabilidades, apresentando dificuldade em reconhecer outras experiências. O adoecimento surge como uma das primeiras rupturas efetivas na continuidade da rotina, suspendendo o fazer habitual e convocando o sujeito a retomar sua trajetória, confrontar perdas e reconhecer possibilidades até então não vividas. A compreensão fenomenológico-existencial, inspirada especialmente nas discussões sobre temporalidade, facticidade e possibilidade de Heidegger, permite compreender que tais experiências não se reduzem a uma ausência de repertório individual, mas expressam modos de existir configurados em horizontes sociais nos quais determinadas possibilidades sequer chegaram a constituir-se como vivíveis. O adoecimento desorganiza referências cotidianas e convoca o sujeito ao confronto com a finitude e a indeterminação do porvir. Também observa-se que a projeção ao futuro pode operar como sustentação do existir com sentido, mesmo quando limitada pelo avanço da doença. Nesse horizonte, emergem narrativas dirigidas a desejos outrora adiados, renunciados ou nunca alcançados, como viagens, retomada de vínculos, experiências de descanso ou mudanças de vida - ainda que tais possibilidades não se concretizem no plano fático. A atuação da psicologia orienta-se pela promoção de um espaço de escuta que favoreça a emergência desses sentidos, sem prescrição de modos de viver, possibilitando reconhecimento de si e construção de sentidos no tempo restante. Considera-se que o cuidado ao fim de vida, especialmente em contextos de vulnerabilidade social, exige reconhecer as determinações históricas e sociais que atravessam o existir sem reduzir a experiência humana a elas, ampliando o cuidar para além da dimensão biomédica.
Título do Evento
II Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico Existencial
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

EDINGTON, Rafaela Novis. O FIM DE VIDA DA TRAJETÓRIA PERMEADA PELA VULNERABILIDADE SOCIAL: A INTERRUPÇÃO DO FAZER E A URGÊNCIA DO EXISTIR.. In: Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial. Anais...Rio de Janeiro(RJ) South American Copacabana Hotel, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1531012-O-FIM-DE-VIDA-DA-TRAJETORIA-PERMEADA-PELA-VULNERABILIDADE-SOCIAL--A-INTERRUPCAO-DO-FAZER-E-A-URGENCIA-DO-EXISTIR. Acesso em: 28/09/2026

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