EU COMO OUTRO: ANTROPOFAGIA, EXISTÊNCIA E DECOLONIALIDADE

Publicado em 19/08/2026

Título do Trabalho
EU COMO OUTRO: ANTROPOFAGIA, EXISTÊNCIA E DECOLONIALIDADE
Autores
  • Rafael Garcia Vasconcelos
Modalidade
Apresentação presencial
Área temática
III - PSICOLOGIA E QUESTÕES CONTEMPORÂNEAS
Data de Publicação
19/08/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1530943-eu-como-outro--antropofagia-existencia-e-decolonialidade
ISSN
Palavras-Chave
antropofagia; epistemologia; decolonialidade; relação; diferença
Resumo
Só a antropofagia nos une. No horizonte do pensamento brasileiro, ela não se reduz a um ideário simbólico do modernismo, tampouco a uma imagem provocativa da cultura; é antes um gesto que se ergue como modo de conhecer. A proposta deste trabalho é colocá-la em diálogo com o debate contemporâneo da decolonialidade, a partir de um deslocamento que não busca retorno nem origem, mas uma abertura sustentada no próprio acontecer da experiência. Parte-se da compreensão de que a antropofagia não se organiza como método no sentido moderno, nem como sistema fechado, mas como um gesto que é, ao mesmo tempo, modo de saber e existir. O conhecimento, assim, não se dá pela apreensão ou redução do outro, mas pela exposição a ele, um encontro que afeta, desloca e transforma. O que se apresenta não surge como algo a ser recusado nem integrado sem resto; convoca, tensiona, desperta inter(esse). Há, nesse ponto, uma ambiguidade fundamental: o outro pode aparecer como inimigo, como ameaça, como aquilo que desestabiliza, e ainda assim é justamente nele que algo interessa. Essa ambiguidade não é um problema a ser resolvido, mas uma condição a ser sustentada. Em certos contextos ameríndios, a mesma palavra pode aproximar figuras que, à primeira vista, pareceriam opostas, como o inimigo e o cunhado, indicando que a relação com o outro não se fixa em uma única posição. O outro não é apenas aquele que se combate nem apenas aquele que se incorpora; é aquele com quem se entra em relação, uma relação que envolve risco, conflito e transformação. É nesse campo que a devoração ganha sentido: não como assimilação plena nem como negação, mas como um gesto que se lança ao encontro. O que se incorpora não se conserva como idêntico, nem se estabiliza como próprio. Não havendo, portanto, um ponto fixo a partir do qual se conhece, mas um campo aberto em que a experiência se desdobra. Nesse sentido, a antropofagia pode ser pensada como uma via possível de diálogo com o pensamento decolonial. Longe de buscar lugares de enunciação e identidades situadas, ela opera pela instabilidade dessas posições, sustentando um campo de relações em que o encontro não fixa, mas desloca. Para antropófagos, não se trata de recuperar uma origem nem de assegurar um lugar, mas de habitar uma zona de transformação contínua, onde toda relação envolve risco e toda incorporação implica diferença.
Título do Evento
II Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico Existencial
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

VASCONCELOS, Rafael Garcia. EU COMO OUTRO: ANTROPOFAGIA, EXISTÊNCIA E DECOLONIALIDADE.. In: Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial. Anais...Rio de Janeiro(RJ) South American Copacabana Hotel, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1530943-EU-COMO-OUTRO--ANTROPOFAGIA-EXISTENCIA-E-DECOLONIALIDADE. Acesso em: 28/09/2026

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