ENTRE ESQUIVA E ABERTURA: DISCUSSÃO FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL DE UM CASO CLÍNICO

Publicado em 19/08/2026

Título do Trabalho
ENTRE ESQUIVA E ABERTURA: DISCUSSÃO FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL DE UM CASO CLÍNICO
Autores
  • BRUNA ALVES SCHIEVANO
  • Marcelo H Oliveira
  • Pedro Vitor Barnabé Milanesi
  • Tassiani Turra
Modalidade
Apresentação online
Área temática
III - PSICOLOGIA E QUESTÕES CONTEMPORÂNEAS
Data de Publicação
19/08/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1529579-entre-esquiva-e-abertura--discussao-fenomenologico-existencial-de-um-caso-clinico
ISSN
Palavras-Chave
Fenomenologia existencial; Habitar; Martin Heidegger; Psicoterapia
Resumo
Segundo Heidegger, habitar é a forma mais essencial de estarmos no mundo. A palavra tem raízes no antigo alemão buan/bauen, que significa construir e habitar, e carrega a ideia de permanecer, morar e existir. Isso mostra que construir não é apenas uma tarefa técnica, mas uma expressão do nosso modo de ser. Portanto, habitar vai além de simplesmente ocupar um espaço físico; trata-se de uma abertura que conecta o ser humano ao mundo, sendo fundamental para a criação de lugares e significados. Quando esquecemos essa dimensão do habitar, perdemos o que é mais próprio em nossa existência, frequentemente substituído por formas de evasão e dispersão no nosso cotidiano. Nesste contexto, o objetivo da apresentação é discutir o lugar do sofrimento humano na clínica a partir das noções de afetividade e habitar formuladas por Heidegger. Para tanto, apresentamos a narrativa fictícia produzida a partir dos registros e supervisões de um caso clínico onde, após o fim de uma relação significativa, o paciente não consegue retomar suas antigas formas de distração e fuga, permanecendo emocionalmente envolvido na experiência vivida. Essa situação revela uma suspensão dos modos habituais de esquiva, colocando-o em contato direto com seu sofrimento. A partir desse quadro, propomos uma reflexão teórica baseada em uma abordagem fenomenológico-hermenêutica. Ao aprofundar a análise, percebemos que o dia a dia, muitas vezes dominado por dispositivos técnicos e pela lógica da ocupação constante, tende a encerrar o paciente numa abertura restrita de mundo, promovendo atitudes de indiferença e ocultamento. Em contraste, a impossibilidade de fugir da dor observada no caso pode ser vista como um momento especial de abertura existencial, onde o sofrimento não é algo a ser eliminado, mas um caminho para acessar a verdade da experiência enquanto história. Nesse sentido, a afetividade se revela como uma dimensão primordial, anterior ao conhecimento racional, capaz de mostrar a existência em sua condição de peso por ser incerta e desprovida de determinação prévia. A ideia de 'jogado' (Geworfenheit) — ser lançado numa condição que não escolhemos — evidencia o caráter inevitável da nossa facticidade, configurando um limite fundamental da existência. Diante disso, o caso mostra como é possível compreender a clínica como um espaço que acolhe essa abertura, promovendo um modo de habitar que não busca fugir do sofrimento, mas sustentar a experiência em sua complexidade.
Título do Evento
II Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico Existencial
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SCHIEVANO, BRUNA ALVES et al.. ENTRE ESQUIVA E ABERTURA: DISCUSSÃO FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL DE UM CASO CLÍNICO.. In: Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial. Anais...Rio de Janeiro(RJ) South American Copacabana Hotel, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1529579-ENTRE-ESQUIVA-E-ABERTURA--DISCUSSAO-FENOMENOLOGICO-EXISTENCIAL-DE-UM-CASO-CLINICO. Acesso em: 28/09/2026

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