SER OU PARECER MULHER: O PRIMEIRO DOS ATRAVESSAMENTOS? UM OLHAR FENOMENOLÓGICO DECOLONIAL

Publicado em 19/08/2026

Título do Trabalho
SER OU PARECER MULHER: O PRIMEIRO DOS ATRAVESSAMENTOS? UM OLHAR FENOMENOLÓGICO DECOLONIAL
Autores
  • Virgínia Machado De Andrade
  • Viviane Melo de Mendonça
  • Vinícius Ferreira dos Santos
Modalidade
Apresentação presencial
Área temática
II - PSICOLOGIA E QUESTÕES SOCIAIS
Data de Publicação
19/08/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1529399-ser-ou-parecer-mulher--o-primeiro-dos-atravessamentos-um-olhar-fenomenologico-decolonial
ISSN
Palavras-Chave
Misoginia; Fenomenologia; Decolonialidade, Corpo; Performatividade
Resumo
O artigo visa lançar um olhar fenomenológico decolonial sobre a misoginia, entendida como o ódio direcionado a corpos e comportamentos performados como femininos. Pergunta-se: como a misoginia se constitui histórica e existencialmente como um atravessamento estruturante dos modos de ser e aparecer mulher no mundo? Trata-se de uma pesquisa teórico-ensaística desenvolvida por meio de revisão bibliográfica, cujo gesto analítico consiste em articular diferentes matrizes teóricas para compreender a produção, incorporação e reprodução da misoginia. Investigam-se suas origens e formas de perpetuação por meio de atravessamentos linguísticos, políticos e corporais. O ponto de partida é a análise de Silvia Federici em Calibã e a Bruxa, que demonstra que a opressão de gênero é central na transição para o capitalismo, transformando a mulher em máquina de reprodução. Essa violência é articulada ao conceito de violência instrumental de Hannah Arendt, permitindo compreender sua naturalização nas estruturas sociais. Pela fenomenologia de Maurice Merleau-Ponty descreve-se como essa estrutura é incorporada no corpo habitual, transformando o corpo-sujeito em um objeto marcado por restrição e autovigilância, evidenciando que a misoginia se inscreve no corpo vivido. Essa captura é reforçada pela dimensão linguística de Judith Butler, onde o discurso de ódio atua performativamente, instituindo a subordinação pela repetição de normas que fixam o feminino em uma ontologia de inferioridade. Complementarmente, Bell Hooks revela como essa misoginia é uma ideologia de dominação incorporada, que se manifesta de forma interseccional no patriarcado de supremacia branca. conforme descrito por Vladimir Safatle, tal cenário é mantido por uma racionalidade cínica, onde a falência da crítica permite que a opressão seja reconhecida, mas mantida sob uma indiferença irônica. A perspectiva decolonial atua como chave de leitura evidenciando a inseparabilidade entre misoginia e colonialidade do poder e do saber. Como horizonte crítico, mobiliza-se Exu contra Dionísio, de Alexandre Marques Cabral, propondo, pela figura da Pombagira, a subversão do ideal de parecer mulher ditado pela colonialidade. Conclui-se que a misoginia pode ser compreendida como um dos atravessamentos fundamentais dos modos de ser e parecer mulher, exigindo sua denúncia e a ruptura com o logocentrismo ocidental, afirmando o corpo como potência de resistência frente ao cerceamento histórico da modernidade capitalista.
Título do Evento
II Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico Existencial
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ANDRADE, Virgínia Machado De; MENDONÇA, Viviane Melo de; SANTOS, Vinícius Ferreira dos. SER OU PARECER MULHER: O PRIMEIRO DOS ATRAVESSAMENTOS? UM OLHAR FENOMENOLÓGICO DECOLONIAL.. In: Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial. Anais...Rio de Janeiro(RJ) South American Copacabana Hotel, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1529399-SER-OU-PARECER-MULHER--O-PRIMEIRO-DOS-ATRAVESSAMENTOS-UM-OLHAR-FENOMENOLOGICO-DECOLONIAL. Acesso em: 28/09/2026

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