QUANDO TUDO VIRA TRAUMA: A PATOLOGIZAÇÃO DO SOFRIMENTO NA CULTURA TERAPÊUTICA CONTEMPORÂNEA

Publicado em 19/08/2026

Título do Trabalho
QUANDO TUDO VIRA TRAUMA: A PATOLOGIZAÇÃO DO SOFRIMENTO NA CULTURA TERAPÊUTICA CONTEMPORÂNEA
Autores
  • Carolina Andressa Gomes Alves
  • Cícero José Barbosa da Fonseca
Modalidade
Apresentação presencial
Área temática
III - PSICOLOGIA E QUESTÕES CONTEMPORÂNEAS
Data de Publicação
19/08/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1528654-quando-tudo-vira-trauma--a-patologizacao-do-sofrimento-na-cultura-terapeutica-contemporanea
ISSN
Palavras-Chave
Trauma, Cultura Terapêutica, Fenomenologia Existencial, Sofrimento, Contemporaneidade.
Resumo
Nas últimas décadas, observa-se a expansão da chamada cultura terapêutica, marcada pela centralidade da linguagem psicológica na interpretação das experiências humanas. Nesse contexto, a categoria de trauma ganha destaque e passa a operar como chave privilegiada de compreensão do sofrimento, frequentemente associado a eventos disruptivos e experiências de ruptura. No entanto, sua ampliação no discurso contemporâneo tende a abarcar um conjunto cada vez mais amplo de vivências, contribuindo para a generalização e homogeneização de experiências distintas. O presente trabalho propõe problematizar essa expansão, partindo da hipótese de que, na contemporaneidade, o trauma deixa de se referir exclusivamente a experiências singulares de ruptura para se constituir como uma gramática dominante de interpretação da vida, através da qual o sofrimento passa a ser compreendido como erro, disfunção ou inadequação individual. Tal movimento desloca o sofrer de sua dimensão existencial e social, reforçando sua leitura como algo a ser corrigido ou suprimido. O objetivo deste estudo é analisar como essa onipresença do conceito de trauma impacta a compreensão do ser-no-mundo e a produção de subjetividades. Para tanto, articula-se uma leitura fenomenológico-existencial, inspirada nas contribuições de Karina Okajima Fukumitsu, em diálogo com Martin Heidegger e Marco Casanova, que compreendem o sofrimento não como falha técnica, mas como dimensão constitutiva da existência. Essa perspectiva é tensionada por uma abordagem crítica fundamentada em Frantz Fanon, que evidencia o caráter histórico e social da dor psíquica. A metodologia consiste em uma pesquisa teórica de revisão bibliográfica. Através desse entrecruzamento, demonstra-se que a centralidade contemporânea do trauma implica um duplo apagamento: de um lado, esvazia-se o sentido existencial do sofrimento; de outro, obscurecem-se as condições sociais e políticas que o produzem. Conclui-se que a ampliação indiscriminada do conceito dificulta a distinção entre experiências que demandam intervenção clínica e aquelas inerentes à condição humana, contribuindo para a produção de sujeitos convocados à autorregulação e à responsabilização individual, deslocando o foco da medicalização da vida para a análise das transformações no modo como o sofrer é nomeado e significado na cultura atual.
Título do Evento
II Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico Existencial
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ALVES, Carolina Andressa Gomes; FONSECA, Cícero José Barbosa da. QUANDO TUDO VIRA TRAUMA: A PATOLOGIZAÇÃO DO SOFRIMENTO NA CULTURA TERAPÊUTICA CONTEMPORÂNEA.. In: Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial. Anais...Rio de Janeiro(RJ) South American Copacabana Hotel, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1528654-QUANDO-TUDO-VIRA-TRAUMA--A-PATOLOGIZACAO-DO-SOFRIMENTO-NA-CULTURA-TERAPEUTICA-CONTEMPORANEA. Acesso em: 28/09/2026

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