DASEINSANÁLISE E FRANTZ FANON, UM DIÁLOGO POSSÍVEL

Publicado em 19/08/2026

Título do Trabalho
DASEINSANÁLISE E FRANTZ FANON, UM DIÁLOGO POSSÍVEL
Autores
  • Guilherme Leonardo Ferreira Balieiro
Modalidade
Apresentação online
Área temática
I - PRÁTICAS PSICOLÓGICAS
Data de Publicação
19/08/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1528619-daseinsanalise-e-frantz-fanon-um-dialogo-possivel
ISSN
Palavras-Chave
Daseinsanálise, Frantz Fanon, Clínica Racializada, Alice Holzhey-Kunz, Racismo
Resumo
Como tornar a daseinsanálise mais correspondente ao território brasileiro é uma pergunta que me persegue, as demandas racializadas que aparecem em minha clínica não são plenamente abarcadas pelas teorias. Ser terapeuta é um esforço que necessita de liberdade criativa e dedicação à escuta do sofrimento das pessoas, a daseinsanálise de Holzhey-Kunz proporcionou uma mudança significativa nas práticas terapêuticas fenomenológicas hermenêuticas. A interpretação das inclusões pré-ontológicas em conjunto com o sentido velado do sofrimento por meio da escuta particularmente aguçada, possibilita uma compreensão do conteúdo que aparece em terapia como remetente das estruturas existenciais da condição humana, entretanto, ao longo de suas obras é privilegiada a experiência ontológica velada presente no sofrimento em contraponto ao acontecimento ôntico que revelou o conteúdo existencial encoberto. Tal desproporção ôntico-ontológica, a hipervalorização do ontológico e o rebaixamento do ôntico, pode se mostrar desastrosa se conduzimos a atenção para as situações concretas das pessoas do Brasil. Afinal, seria a experiência de sofrimento presente em uma existência marcada pelo racismo apenas relevante na medida que esse racismo, como violência ôntica, revela algo sobre a sua condição humana, como experiência ontológica? Para se aprofundar é preciso ter uma escuta atenta aos pacientes do Brasil assim como outros referenciais, que têm suas vivências em outros contextos. “O negro não goza da [...] descida ao verdadeiro inferno”, em poucas palavras Fanon indica um caminho interessante e condizente com a proposta da Holzhey-Kunz de sofrer com o próprio ser. As pessoas negras brasileiras tem o seu não-ser, a nadidade constitutiva da existência que abre os campos de possibilidade, negada pela situação colonial que cristaliza todas as suas possibilidades de ser na identidade de negro, essa identidade, dentro do sistema colonial, sempre atrelada a características pejorativas. Proponho que a experiência concreta tem aqui o foco exatamente na medida em que causa o sofrimento com o próprio ser por meio das violências ônticas que sedimentam modos de ser marcados pelo racismo, estruturando a negação da sua negatividade originária, em outras palavras, se sofre por não plenamente poder ser, não se gozar de poder ser mera possibilidade. Em outras palavras, no Brasil o racismo se estrutura como um sofrimento com a existência, a partir da negação sistemática da liberdade da condição humana.
Título do Evento
II Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico Existencial
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BALIEIRO, Guilherme Leonardo Ferreira. DASEINSANÁLISE E FRANTZ FANON, UM DIÁLOGO POSSÍVEL.. In: Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial. Anais...Rio de Janeiro(RJ) South American Copacabana Hotel, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1528619-DASEINSANALISE-E-FRANTZ-FANON-UM-DIALOGO-POSSIVEL. Acesso em: 28/09/2026

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