SOFRIMENTOS CONTEMPORÂNEOS: COMO A TECNOLOGIA TEM MODIFICADO NOSSA FORMA DE SER-NO-MUNDO?

Publicado em 19/08/2026

Título do Trabalho
SOFRIMENTOS CONTEMPORÂNEOS: COMO A TECNOLOGIA TEM MODIFICADO NOSSA FORMA DE SER-NO-MUNDO?
Autores
  • Paula Couceiro Figueiredo
Modalidade
Apresentação online
Área temática
III - PSICOLOGIA E QUESTÕES CONTEMPORÂNEAS
Data de Publicação
19/08/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1528370-sofrimentos-contemporaneos--como-a-tecnologia-tem-modificado-nossa-forma-de-ser-no-mundo
ISSN
Palavras-Chave
sofrimento; tecnologia; fenomenologia; contemporaneidade; técnica - moderna.
Resumo
Este trabalho propõe uma reflexão acerca dos sofrimentos contemporâneos a partir das transformações tecnológicas que atravessam, organizam e modulam a existência humana na atualidade. O objetivo é compreender de que modo a técnica, para além de sua dimensão instrumental, tem reconfigurado a forma de habitar o mundo, afetando a constituição do ser-no-mundo e os modos de experimentar a si, o outro e o tempo. Como fundamento teórico, toma-se a analítica existencial de Martin Heidegger, especialmente a noção de ser-no-mundo e sua crítica à era da técnica, em interlocução com as análises de Byung-Chul Han sobre as formas contemporâneas de subjetivação. Trata-se de um estudo teórico-bibliográfico, de caráter hermenêutico, que articula a compreensão heideggeriana da técnica moderna como um modo de desvelamento do real com a crítica de Han à sociedade do desempenho, da transparência e da hiperconectividade. Em Heidegger, a técnica não se reduz a um conjunto de instrumentos, mas instaura um horizonte no qual os entes passam a aparecer sob a lógica da disponibilidade, da produtividade e do controle. Em Han, esse horizonte ganha contornos específicos no neoliberalismo digital, em que o sujeito, longe de ser apenas coagido externamente, converte-se em agente de sua própria exploração, submetendo-se voluntariamente à exigência incessante de desempenho, visibilidade e otimização. Nesse contexto, os sofrimentos contemporâneos assumem feições singulares: cansaço crônico, ansiedade difusa, vazio existencial, dispersão da atenção, empobrecimento da experiência e enfraquecimento da relação com a alteridade. A tecnologia, assim, não comparece apenas como mediação externa, mas como força configuradora de temporalidades, vínculos e modos de presença, incidindo sobre a própria abertura de mundo que constitui a existência humana. Conclui-se que os sofrimentos contemporâneos não podem ser compreendidos exclusivamente em registro psicologizante, uma vez que remetem a transformações históricas e ontológicas no modo como o humano se relaciona com o mundo. A aproximação entre Heidegger e Byung-Chul Han evidencia que o predomínio da lógica técnica e performativa produz um estreitamento das possibilidades existenciais, comprometendo formas mais originárias de habitar, demorar-se e encontrar sentido. Tal discussão mostra-se particularmente relevante para o campo clínico, ao favorecer uma escuta do sofrimento atenta às condições históricas de mundo que o tornam possível.
Título do Evento
II Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico Existencial
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FIGUEIREDO, Paula Couceiro. SOFRIMENTOS CONTEMPORÂNEOS: COMO A TECNOLOGIA TEM MODIFICADO NOSSA FORMA DE SER-NO-MUNDO?.. In: Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial. Anais...Rio de Janeiro(RJ) South American Copacabana Hotel, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1528370-SOFRIMENTOS-CONTEMPORANEOS--COMO-A-TECNOLOGIA-TEM-MODIFICADO-NOSSA-FORMA-DE-SER-NO-MUNDO. Acesso em: 28/09/2026

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