A EXISTÊNCIA EM TEMPOS NEOLIBERAIS: CULTURA TERAPÊUTICA E O ASFIXIAMENTO DO EXISTIR

Publicado em 19/08/2026

Título do Trabalho
A EXISTÊNCIA EM TEMPOS NEOLIBERAIS: CULTURA TERAPÊUTICA E O ASFIXIAMENTO DO EXISTIR
Autores
  • Cícero José Barbosa da Fonseca
  • Luana Ferreira Beder
Modalidade
Apresentação presencial
Área temática
III - PSICOLOGIA E QUESTÕES CONTEMPORÂNEAS
Data de Publicação
19/08/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1528326-a-existencia-em-tempos-neoliberais--cultura-terapeutica-e-o-asfixiamento-do-existir
ISSN
Palavras-Chave
Fenomenologia Existencial, Neoliberalismo, Existência, Cultura terapêutica, Alteridade.
Resumo
Este trabalho discute como a cultura terapêutica contemporânea se articula ao imperativo da autonomia neoliberal na produção de subjetividades orientadas para a autossuficiência, desempenho, autogestão e aprimoramento contínuos, o que desemboca numa asfixia da experiência existencial do ser no mundo. Busca-se compreender como essa lógica culpabiliza o sujeito de forma exclusiva e apartada das dinâmicas sociais e passa a converter sofrimento, angústia e mal-estar em sinais de inadequação pessoal que demandam rápida correção. Nesse contexto, soluções químicas e estratégias de autorregulação são frequentemente apresentadas como respostas legítimas para eliminar desconfortos e restaurar suposta funcionalidade, reforçando a ideia de que viver bem corresponde a manter produtividade e estabilidade constantes. Discute-se que a cultura terapêutica doutrina modos corretos de existir, em que o sujeito aparece no mundo através de horizontes definidos e não a partir dele mesmo, como também busca o aniquilamento do outro, pois considera que a alteridade interrompe fluxos de eficiência, expõe tensões e diferenças na convivência humana, o que promove o afastamento do foco em si. A experiência vem sendo substituída pela eficácia, enquanto indeterminação, desorganização, estranhamento, morte, sofrimento e mistério passam a ser tratados como processos insustentáveis e insuportáveis à vida. O conflito natural que emerge entre sujeitos numa relação genuína, produzindo fenômenos e afetações e possibilitando a passagem que os torna outros, tem sido evitado, enquanto a existência voltada ao alcance da melhor versão é incentivada. A partir de uma leitura fenomenológico-existencial, sustenta-se a importância de recolocar em cena os processos existenciais, reconhecendo a potência ética da relação eu-tu, da afetação e da transformação produzida no encontro com o outro, do qual não se sai ileso. A discussão é atravessada por contribuições de teóricos clássicos como Hannah Arendt, Martin Buber, Martin Heidegger e Jean-Paul Sartre, e modernos como Byung-Chul Han, Franco Berardi, Alexandre Cabral e Gilberto Safra. Considera-se que resistir à colonização terapêutica dos afetos implica em sustentar experiências abertas à incerteza, liberdade e alteridade como dimensões constitutivas do existir, que surgem como um gérmen de mundo dentro de ser a partir da vivência do encontro.
Título do Evento
II Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico Existencial
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FONSECA, Cícero José Barbosa da; BEDER, Luana Ferreira. A EXISTÊNCIA EM TEMPOS NEOLIBERAIS: CULTURA TERAPÊUTICA E O ASFIXIAMENTO DO EXISTIR.. In: Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial. Anais...Rio de Janeiro(RJ) South American Copacabana Hotel, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1528326-A-EXISTENCIA-EM-TEMPOS-NEOLIBERAIS--CULTURA-TERAPEUTICA-E-O-ASFIXIAMENTO-DO-EXISTIR. Acesso em: 28/09/2026

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