ABANDONO AFETIVO E O HABITAR: CONTRIBUIÇÕES A PARTIR DE HEIDEGGER

Publicado em 19/08/2026

Título do Trabalho
ABANDONO AFETIVO E O HABITAR: CONTRIBUIÇÕES A PARTIR DE HEIDEGGER
Autores
  • BRUNA ALVES SCHIEVANO
  • Pedro Vitor Barnabé Milanesi
Modalidade
Apresentação online
Área temática
III - PSICOLOGIA E QUESTÕES CONTEMPORÂNEAS
Data de Publicação
19/08/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1528123-abandono-afetivo-e-o-habitar--contribuicoes-a-partir-de-heidegger
ISSN
Palavras-Chave
abandono afetivo, fenomenologia, habitar
Resumo
O abandono afetivo é concebido como um fenômeno relacionado à ausência de interesse, presença e convivência afetiva, bem como à negligência e fragilização do cuidado por parte de pais ou responsáveis, não se restringindo ao abandono material. Como impactos, configuram-se disposições afetivas histórica e relacionalmente sedimentadas que atravessam o desenvolvimento do sujeito e acompanham seu modo de ser. Nessa direção, a presente pesquisa ancora-se na noção de construir, conforme desenvolvida por Heidegger, compreendida a partir do antigo alto-alemão buan/bauen, que remete a habitar, permanecer e morar. Do verbo bauen deriva a forma bin (eu sou/ich bin), indicando que construir está intrinsecamente ligado ao modo de ser do homem, que se constitui ao habitar. Entretanto, Heidegger aponta para um esquecimento desse caráter originário, na medida em que já não se reconhece o habitar como traço fundamental do ser-homem. Compreende-se que é somente ao habitar que o ser humano pode construir lugares e articular espaços, não havendo oposição entre homem e espaço, pois o espaço não é um objeto externo, nem uma experiência interna. Habitar não se reduz à ocupação física, mas diz respeito ao modo fundamental de ser-no-mundo, sendo que construir já é, em si mesmo, habitar . Trata-se de um existencial de caráter ontológico, que abre possibilidades para o ser-homem existir e se relacionar com o mundo. A partir dessa compreensão, este estudo investiga os modos de habitar o mundo de pessoas que vivenciaram o abandono afetivo, buscando compreender seus efeitos na constituição existencial. Questiona-se: como esses sujeitos habitam o mundo? Quais aberturas afetivas se tornam possíveis ou interditadas nessa experiência? Para a construção do estudo, foi empregada a revisão narrativa de literatura, possibilitando análise crítica das contribuições teóricas. No horizonte compreensivo delineado, evidenciam-se modos de habitar marcados por restrição da liberdade, fragilização da autonomia, do pensar e exposição à vulnerabilidade, acompanhados por angústia, dificuldade de adaptação e empobrecimento da expressão de si. O estudo justifica-se por sua relevância para a prática clínica, ao qualificar o cuidado, ampliando a escuta e favorecendo intervenções mais sensíveis às marcas do abandono afetivo. Nesse cenário, a clínica configura-se como espaço de reconstrução de modos de habitar, favorecendo que o sujeito possa novamente abrigar-se em seu existir.
Título do Evento
II Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico Existencial
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SCHIEVANO, BRUNA ALVES; MILANESI, Pedro Vitor Barnabé. ABANDONO AFETIVO E O HABITAR: CONTRIBUIÇÕES A PARTIR DE HEIDEGGER.. In: Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial. Anais...Rio de Janeiro(RJ) South American Copacabana Hotel, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1528123-ABANDONO-AFETIVO-E-O-HABITAR--CONTRIBUICOES-A-PARTIR-DE-HEIDEGGER. Acesso em: 28/09/2026

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