TRABALHO DOMÉSTICO, CUIDADO E INVISIBILIDADE DE GÊNERO: UMA VISÃO FENOMENOLÓGICA À LUZ DE HANNAH ARENDT.

Publicado em 19/08/2026 - ISBN: 978-65-272-2779-3

Título do Trabalho
TRABALHO DOMÉSTICO, CUIDADO E INVISIBILIDADE DE GÊNERO: UMA VISÃO FENOMENOLÓGICA À LUZ DE HANNAH ARENDT.
Autores
  • Valéria Souza De Oliveira
  • Gustavo Henrique Costa Silva
  • Isabelle Torres Fernandes
  • YOLANDA BORBA COSTA
Modalidade
Apresentação presencial
Área temática
II - PSICOLOGIA E QUESTÕES SOCIAIS
Data de Publicação
19/08/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1491973-trabalho-domestico-cuidado-e-invisibilidade-de-genero--uma-visao-fenomenologica-a-luz-de-hannah-arendt
ISBN
978-65-272-2779-3
Palavras-Chave
labor, ação, psicologia do trabalho, fenomenologia
Resumo
Este estudo propõe uma análise fenomenológica-existencial do trabalho doméstico enquanto fenômeno constitutivo da condição humana e campo político de organização do trabalho, investigando como o labor e o cuidado se manifestam no mundo da vida de mulheres historicamente posicionadas na base da divisão sexual e racial do trabalho no Brasil. Inserido na Psicologia das Organizações e do Trabalho, o objetivo é descrever como essa atividade, embora vinculada à manutenção da vida e à repetição cotidiana, ultrapassa a lógica da necessidade e se configura como espaço de luta por reconhecimento, dignidade e visibilidade pública. A partir da estrutura da vita activa, compreende-se o labor como dimensão ontológica marcada pela temporalidade circular e pela implicação da corporeidade na sustentação do mundo comum, evidenciando que aquilo que mantém a vida é atravessado por hierarquizações históricas das formas de aparecer e de ser reconhecido socialmente. No contexto brasileiro, essa dimensão é inscrita em corpos generificados e racializados cuja presença assegura a continuidade da vida coletiva e, paradoxalmente, permanece invisibilizada. O espaço doméstico configura-se como campo organizacional singular, atravessado por relações assimétricas de poder, no qual o cuidado emerge como prática intencional que articula responsabilidade, afeto, saber-fazer e produção de mundo. Longe de constituir extensão natural do feminino, o trabalho doméstico revela-se território político onde se tensionam pertencimento e exclusão, reconhecimento formal e marginalização simbólica. A naturalização histórica do cuidado, articulada à herança escravocrata, sustenta uma lógica persistente de desvalorização que resiste a transformações institucionais, instaurando condição liminar entre reconhecimento jurídico e invisibilidade concreta. Essa configuração interfere na constituição identitária e na possibilidade de converter o labor em ação reconhecida, produzindo um sofrimento ético atrelado à interdição do aparecer público. Conclui-se que reconhecer o trabalho doméstico como fenômeno existencial, organizacional e político implica deslocá-lo da esfera da necessidade para o horizonte da ação e do reconhecimento, ampliando a Psicologia das Organizações e do Trabalho para incluir práticas que, embora silenciosas, sustentam estruturalmente a vida social e configuram modos próprios de resistência e afirmação de dignidade.
Título do Evento
II Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico Existencial
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

OLIVEIRA, Valéria Souza De et al.. TRABALHO DOMÉSTICO, CUIDADO E INVISIBILIDADE DE GÊNERO: UMA VISÃO FENOMENOLÓGICA À LUZ DE HANNAH ARENDT... In: Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial. Anais...Rio de Janeiro(RJ) South American Copacabana Hotel, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1491973-TRABALHO-DOMESTICO-CUIDADO-E-INVISIBILIDADE-DE-GENERO--UMA-VISAO-FENOMENOLOGICA-A-LUZ-DE-HANNAH-ARENDT. Acesso em: 06/11/2026

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