A CRISE DA PROTENÇÃO E O SENTIMENTO DO ABSURDO: UMA ANÁLISE FENOMENOLÓGICA DA TEMPORALIDADE NA CLÍNICA CONTEMPORÂNEA

Publicado em 19/08/2026 - ISBN: 978-65-272-2779-3

Título do Trabalho
A CRISE DA PROTENÇÃO E O SENTIMENTO DO ABSURDO: UMA ANÁLISE FENOMENOLÓGICA DA TEMPORALIDADE NA CLÍNICA CONTEMPORÂNEA
Autores
  • Clara Canola Neris Bomnome
  • José Manoel Bertolote
Modalidade
Apresentação online
Área temática
III - PSICOLOGIA E QUESTÕES CONTEMPORÂNEAS
Data de Publicação
19/08/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1486986-a-crise-da-protencao-e-o-sentimento-do-absurdo--uma-analise-fenomenologica-da-temporalidade-na-clinica-contempor
ISBN
978-65-272-2779-3
Palavras-Chave
Psicopatologia, Protenção, Absurdo, Temporalidade, Clínica
Resumo
O presente trabalho investiga as configurações do sofrimento psíquico contemporâneo sob a ótica da psicopatologia fenomenológica, especificamente no que concerne à desestruturação da temporalidade vivida. O objetivo é analisar como certas experiências de esvaziamento existencial revelam uma alteração na estrutura da consciência temporal, para além das categorizações nosológicas tradicionais. Fundamenta-se na análise fenomenológica da consciência interna do tempo, conforme descrita por Husserl, que compreende a percepção como um fluxo composto pela tríade "retenção-apresentação-protenção". Enquanto a retenção mantém o passado imediato e a apresentação apreende o "agora", a protenção constitui a abertura pré-reflexiva ao porvir e a antecipação de horizontes de sentido. Articula-se essa falha na dinâmica temporal ao que Albert Camus descreve como o sentimento do absurdo: o divórcio entre o homem e sua própria vida. Clinicamente, observa-se que, quando a capacidade de protenção empobrece, o fluxo da intencionalidade estagna, resultando em um presente hipertrofiado onde o mundo perde sua familiaridade e o futuro torna-se uma barreira opaca. Esse fenômeno é relatado como uma sensação de "tempo parado" ou de um amanhã destituído de promessa. Ressalta-se que tal condição configura uma perturbação da temporalidade, distinta de déficits puramente volitivos, na qual a paralisia da agência decorre de uma descontinuidade na experiência do ser-no-mundo. A metodologia pauta-se em uma análise fenomenológico-hermenêutica, operando a articulação entre a fenomenologia transcendental e a aplicação da fenomenologia existencial à clínica. Discute-se a necessidade de uma prática terapêutica que acolha essa desestruturação, visando a reabilitação da intencionalidade e a retomada da capacidade do sujeito de projetar-se. Conclui-se que o reconhecimento da fragilidade da estrutura temporal é fundamental para a compreensão da dignidade do sofrimento e para a construção de estratégias de cuidado que permitam a rearticulação de sentidos frente ao horizonte do absurdo.
Título do Evento
II Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico Existencial
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BOMNOME, Clara Canola Neris; BERTOLOTE, José Manoel. A CRISE DA PROTENÇÃO E O SENTIMENTO DO ABSURDO: UMA ANÁLISE FENOMENOLÓGICA DA TEMPORALIDADE NA CLÍNICA CONTEMPORÂNEA.. In: Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial. Anais...Rio de Janeiro(RJ) South American Copacabana Hotel, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1486986-A-CRISE-DA-PROTENCAO-E-O-SENTIMENTO-DO-ABSURDO--UMA-ANALISE-FENOMENOLOGICA-DA-TEMPORALIDADE-NA-CLINICA-CONTEMPOR. Acesso em: 05/11/2026

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