AUTISMO COMO MODO DE SER-NO-MUNDO NA ERA DA TÉCNICA: ORGANIZAÇÃO EXISTENCIAL, DESORGANIZAÇÃO ESTRUTURAL E VIOLÊNCIA IDENTITÁRIA

Publicado em 19/08/2026 - ISBN: 978-65-272-2779-3

Título do Trabalho
AUTISMO COMO MODO DE SER-NO-MUNDO NA ERA DA TÉCNICA: ORGANIZAÇÃO EXISTENCIAL, DESORGANIZAÇÃO ESTRUTURAL E VIOLÊNCIA IDENTITÁRIA
Autores
  • João Paulo Martins
Modalidade
Apresentação online
Área temática
III - PSICOLOGIA E QUESTÕES CONTEMPORÂNEAS
Data de Publicação
19/08/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1480491-autismo-como-modo-de-ser-no-mundo-na-era-da-tecnica--organizacao-existencial-desorganizacao-estrutural-e-violen
ISBN
978-65-272-2779-3
Palavras-Chave
Autismo, Fenomenologia-existencial, Ontologia, Violência identitária
Resumo
O presente trabalho propõe uma leitura fenomenológico-existencial do autismo, deslocando a compreensão deficitária para uma interrogação ontológica dos modos de ser-no-mundo hoje reunidos sob o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista. Parte-se da hipótese de que rigidez, repetição ou fixação podem ser compreendidas, em nível mais originário, como tentativas de organização da experiência diante de formas intensas de exposição, descontinuidade e desorganização do mundo vivido. O objetivo não é propor uma nova etiologia do autismo nem substituir os debates clínicos e diagnósticos, mas explicitar o horizonte existencial no qual certas experiências autistas podem ser pensadas para além da lógica normativa da adaptação. Para tanto, articula-se uma leitura crítica da constituição histórica do autismo como identidade diagnóstica com a analítica existencial de Martin Heidegger e com a interpretação de Marco Antonio Casanova acerca da transitoriedade, da historicidade dos modos de existência e da violência identitária. A partir desse referencial, o autismo é pensado não como simples insuficiência funcional, mas como forma fáctica de habitar o mundo em que a experiência pode exigir arranjos específicos de estabilização do espaço, do tempo, do corpo e das relações. Rotinas, repetições, interesses específicos, refúgios espaciais, previsibilidade e seletividade relacional são compreendidos como possíveis modos de composição de mundo, sobretudo em um contexto marcado por aceleração temporal, saturação sensorial, instabilidade das rotinas, multiplicidade de demandas e exigência permanente de flexibilidade. Sem a pretensão de atribuir à pessoa autista um acesso ontológico privilegiado, sustenta-se que certas formas de experiências autistas de relação com objetos, espaços, tempos e ritmos corporais podem explicitar modos de aparecimento do mundo que escapam à redução técnico-funcional dominante. Assim, gestos, repetições e seletividades sensoriais podem ser lidos não apenas como disfunções adaptativas, mas como formas fácticas pelas quais dimensões não imediatamente utilitárias da experiência vêm à presença. Conclui-se que essa mudança de perspectiva permite recolocar o autismo para além de uma lógica exclusivamente corretiva, interrogando o que as experiências autistas revelam sobre os modos contemporâneos de organização da vida e sobre a violência implicada na imposição de uma única medida de existência.
Título do Evento
II Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico Existencial
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MARTINS, João Paulo. AUTISMO COMO MODO DE SER-NO-MUNDO NA ERA DA TÉCNICA: ORGANIZAÇÃO EXISTENCIAL, DESORGANIZAÇÃO ESTRUTURAL E VIOLÊNCIA IDENTITÁRIA.. In: Anais do Congresso Internacional de Psicologia Fenomenológico-Existencial. Anais...Rio de Janeiro(RJ) South American Copacabana Hotel, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-internacional-de-psicologia-fenomenologico-existencial-/1480491-AUTISMO-COMO-MODO-DE-SER-NO-MUNDO-NA-ERA-DA-TECNICA--ORGANIZACAO-EXISTENCIAL-DESORGANIZACAO-ESTRUTURAL-E-VIOLEN. Acesso em: 05/11/2026

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