A SIMBOLOGIA PRESENTE EM NOITES BRANCAS, DE FIÓDOR DOSTOIÉVSKI

Publicado em 27/10/2025 - ISBN: 978-65-272-1779-4

Título do Trabalho
A SIMBOLOGIA PRESENTE EM NOITES BRANCAS, DE FIÓDOR DOSTOIÉVSKI
Autores
  • Júlia Vitória Menezes Bezerra
  • Tainara Soares
  • José Carlos Xavier Santos
  • Tiarles de Sousa Soares
  • Ricardo De Moura Guedes
  • Davi Milan
  • Mariana Moreira De Queiroga
Modalidade
Capítulo de livro
Área temática
AT09: Teorias e Pesquisas em Educação
Data de Publicação
27/10/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/conedi-congresso-nacional-educacao-diversidade-inclusao/1327607-a-simbologia-presente-em-noites-brancas-de-fiodor-dostoievski
ISBN
978-65-272-1779-4
Palavras-Chave
Noites Brancas. Simbologia. Emoções.
Resumo
1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS Esta análise centra-se no relato sobre o amor e a solidão de dois jovens, já que o amor é uma temática muito forte, uma força avassaladora de sentimentos de um sonhador por uma jovem, assim, ambos carentes, em busca de algo que preencha o vazio dos seus corações. O gênero em questão é uma novela que, através do romantismo, o querer e o cuidado fazem parte da paixão e do desejo do sonhador, desejo de amar e ser amado com grande intensidade. Cabe ressaltar que a emoção do amor é uma conexão que pode ser passageira. Dessa forma, o amor é uma necessidade humana e o desejo da conquista é motivado a amar, cuidar e viver as emoções de um relacionamento. Portanto, o amor-emoção nasce da compaixão, do acolhimento, segurança e, partilham de momentos alegres e serenos, ou seja, cuidar do outro por um momento que seja, e na novela Noites Brancas (2018), observa-se essas emoções. Partindo desse pressuposto, os leitores são afetados pela necessidade de amar e ser amado, buscando um sentido que faça acreditar que esse sentimento seja algo infinito. Com isso, a solidão leva a carência e deixa frágeis, onde o indivíduo irá confundir gentileza e atenção com amor, pois a falta de reciprocidade entre transmissor e receptor causará grandes danos ao coração e na vida daquele que transmite, mas não recebe o amor na mesma proporção. Portanto, neste artigo, foi proposto investigar a simbologia presente na obra Noites Brancas, publicada em 2018, do autor Fiódor Dostoiévski, assim tem-se como principal objetivo identificar os símbolos que retratam o amor, símbolos estes, no qual assemelham-se a relação do tempo-espaço, os quais as personagens estão vivendo na novela, como por exemplo: a casa, o bosque, a noite e a cor branca. Para atingir o objetivo pré-estabelecido, foi adotada a metodologia de cunho qualitativo por meio da busca de informações em documentos bibliográficos relacionados com o problema de pesquisa. Desse modo, Macedo (1994, p. 13) afirma que de acordo com Paiva (2019, p. 59) que a “pesquisa bibliográfica tem por objetivo contextualizar uma pesquisa e mostrar o que já existe sobre o objeto investigado”. A novela Noites Brancas (2018), narra a história de um sonhador que vive em uma sociedade, onde se considera uma pessoa solitária. Ao andar pelas ruas de São Petersburgo, conhece a jovem Nástienka, pela qual se apaixona ao encontrar ela durante quatro noites, compartilhando suas histórias de vida. Nástienka está à espera do seu amado, impossibilitando o sonhador de viver seu amor por ela. No entanto, ele não tem um final muito feliz e, logo, ela corre para os braços do seu amado. Fiódor Dostoiévski nasceu em 11 de novembro de 1821, em Moscou, na Rússia. Publicou seu primeiro livro em 1848, foi escritor, jornalista e filósofo russo no século XIX. Suas obras literárias são conhecidas por explorarem o psicológico dos indivíduos. Ele é considerado o pai do existencialismo na literatura e um dos maiores escritores romancistas de pequenas histórias e ensaios literários. Sendo assim, essa pesquisa justifica-se pela razão de buscar conhecimentos sobre os símbolos e suas representações referentes ao amor, assemelhando-se às realidades da sociedade, assim como, para entender esse sentimento e suas particularidades no sentido de espaço e tempo referente a obra de Fiódor Dostoiévski. Nesse sentido, cabe ressaltar que se trata de uma obra de amor, numa paixão centrada em amar e ser amado. Para este estudo, foi utilizado como base teórica, principalmente, os postulados de Chevalier e Gheerbrant (2002) referente a simbologia, Laplantine e Trindade (1997) e Jacobi (1995). E, no que diz respeito ao que é o amor, emoção do amor e o porque somos afetados pelo o amor Haddad (2010), Geruza (2010) e Nogueira (2020). Além dessa seção introdutória, este artigo está dividido em quatro seções principais, as quais obedecem à seguinte ordem: inicialmente, discutimos sobre o que se entende sobre o amor, a conexão e a necessidade que os seres humanos têm de serem amados. Logo após, foi exposto o objetivo, com o intuito de apresentar a simbologia, ou seja, os símbolos presentes na obra, tempo e espaço na vida de ambos os personagens. Ainda nesta seção, foi apresentado de maneira breve alguns sentimentos, como por exemplo: o amor e a solidão da novela Noites Brancas (2018). Na terceira seção, foi considerado o corpus de análise, a partir do qual foi realizado a discussão e apontamentos fundamentados em textos que possibilitam a contextualização por meio da pesquisa bibliográfica. Posteriormente, é apresentado algumas considerações acerca da análise desenvolvida, bem como as referências que foram utilizadas ao decorrer desta investigação. 2 SÍMBOLOS E CRONOTOPOS: UMA ANÁLISE LITERÁRIA E SIMBÓLICA EM NOITES BRANCAS A proposição de simbologia é uma forma de análise onde assemelha-se a mensagem de elementos de cada ambiente ou objeto, transmitindo algo que aos olhos humanos vê, mas quando se para para analisá-lo percebe-se que determinada coisa tem importância, dando significado a vida e a situação a qual é vivida e experimentada. Sendo assim, entende-se que o símbolo é primordial para nossa vida, pois conforme apontam Chevalier e Gheerbrant (2002), afirmam que: O símbolo é portanto, muito mais do que um simples signo ou sinal: transcende o significado e depende da interpretação que, por sua vez, depende de certa predisposição. Está carregado de afetividade e dinamismo. Não apenas representa, embora de certo modo encobrindo, como — também de um certo modo— realiza se anula ao mesmo tempo. (Chevalier; Gheerbrant, 2002, p. XVIII). Sob essa ótica, o símbolo depende da pessoa que está interpretando, porque ele não transcende apenas um significado, mas é algo que invade a alma, dando um sentido ao tempo e espaço que está sendo vivido. Portanto, o símbolo é algo que vai mais além dos olhares, está conectado em corações, na mente, em sentimentos, afetividade e conexão entre a pessoa e determinado contexto. Nesse sentido, Jacobi (1995, p. 75) afirma que “o simbolismo transforma o fenômeno em ideia, a ideia em imagem, de tal modo que a ideia permanece sempre infinitamente ativa e intangível na imagem e, mesmo expressa em todas as línguas, permanecer indizível.” Sendo assim, esses termos surgem a fim de mostrar que tanto o símbolo quanto a imagem têm suas representações e significado em cada parcela psíquica no cronotopo de cada receptor ou transmissor. Os autores Laplantine e Trindade (1997), afirmam que: Tanto a imagem quanto o símbolo constituem representações. Essas não significam substituições puras dos objetos apresentados na percepção, mas são, antes, representações, ou seja, a apresentação do objeto percebido de outra forma, atribuindo-lhes significados diferentes, mas sempre limitados pelo próprio objeto que é dado a perceber. (Laplantine; Trindade, 1997, p. 13-14). Logo, para que esse texto tenha presença do símbolo e da imagem, é preciso que se atente ao tempo e espaço presentes nessa novela Noites Brancas (2018), e em determinado lugar, época e personagens. O filósofo Bakhtin classifica que, “[...] numa obra, o cronotopo sempre inclui o elemento axiológico, que só numa análise abstrata pode ser destacado do cronotopo artístico." (Bakhtin, 2018, p. 217). Para tanto, é possível compreender os significados dos símbolos e das imagens de acordo com o tempo e espaço que ambos os personagens estão vivendo, e em cada realidade que são inseridos, dependendo dos seus sentimentos e da sua vida, em conexão com a sociedade e com o próximo, com cada símbolo. Entretanto, é possível entender o símbolo de uma forma direta e visível quando se inclui o cronotopo. Em Noites Brancas (2018), de Dostoiévski, tem-se como símbolos a casa, bosque, noite e a cor branca, onde cada um tem seu significado e sua definição, assemelhando-se com o tempo e espaço, ou seja, na época que é contada a história, nos espaços onde acontecem, e cada qual tem sua importância para definirmos a simbologia apresentada nesta obra, onde tem como principal objetivo o amor na vida de ambos os personagens. Nesse sentido, o autor afirma que o amor é assemelhado aos símbolos, ao cronotopo, onde cada símbolo tem característica e conexão com o personagem, quanto com o objeto. Os símbolos têm como principal objetivo fazer encarar a realidade e se apegar a algo imaginário, que só é percebido quando se está bem atento, fixando a nossa energia psíquica. Conforme é possível perceber no trecho seguinte Chevalier e Gheerbrant (2002), afirmam que: A história do símbolo atesta que todo objeto pode revestir-se de valor simbólico, seja ele natural (pedras, metais, árvores, flores, frutos, animais, fontes, rios e oceanos, montes e vales, planeta, fogo, raio etc.) ou abstrato (forma geométrica, número, ritmo, ideias etc (Chevalier; Gheerbrant, 2002, p. 21). Nessa lógica, irá ser assemelhado os símbolos com o principal presente; o amor, onde o amor é uma conexão profunda entre receptor e transmissor, sendo uma necessidade humana, onde todos nós devemos amar e sermos amados. E os símbolos tendo como objetivo trazer essa conexão ainda mais profunda do real com o imaginário, fazendo-nos sentir o amor com mais intensidade. Partindo desse pressuposto, entende-se que cada símbolo, cada imagem possui seu significado, como por exemplo: Noites e Brancas, estão em conjunto, mais cada um com seu significado, como também o bosque e a casa. Portanto, será identificado os significados de cada um desses elementos e assemelhar com os personagens e com os seus sentimentos, principalmente com o amor. Através do trecho seguinte, Laplantine e Trindade (1997) afirmam que: Imagens são construções baseadas nas informações obtidas pelas experiências visuais anteriores. Nós produzimos imagens porque as informações envolvidas em nosso pensamento são sempre de natureza perceptiva (Laplantine; Trindade 1997 p. 10). Neste sentido, a imagem está conectada com o pensamento, então se constrói uma imagem acústica, e partindo disso, essa imagem torna-se simbólica, dando significado a determinado objeto. As imagens são criadas pelos leitores como por exemplo: a imagem que fazemos de determinada pessoa ou de determinado objeto. Sendo assim, a imagem está conectada ao ser humano. A esse respeito, Laplantine e Trindade (1997, p. 10) definem: “as imagens não são coisas concretas, mas são criadas como parte do ato de pensar. Assim a imagem que temos de um objeto não é o próprio objeto, mas uma faceta do que nós sabemos sobre esse objeto externo”. Desse modo, as imagens, possuem suas próprias representações, embora possa ser criado em mente e estando, portanto, inferior ao símbolo, impondo-se a ele. Conforme apontam (Laplantine e Trindade (1997): [...] Nesse caso, o símbolo prevalece sobre a imagem, à medida que , enquanto a imagem está mais diretamente identificada ao seu objeto referente — embora não seja a sua reprodução, mas a representação do objeto — o símbolo ultrapassa o seu referente e contém, através de seus estímulos afetivos, meios para agir, mobilizar os homens e atuar segundo suas próprias regras normativas [...] (Laplantine; Trindade, 1997, p. 13). Desse modo, as imagens e os símbolos são, extremamente, importantes para a sociedade como um todo, sendo a imagem um objeto que que pode ser criado na mente, e o símbolo o conceito e significado que é dado a determinado objeto, Laplantine; Trindade (1997) afirmam que “tanto a imagem como símbolo constituem representações”. (Laplantine, Trindade 1997, p.13). Para tanto, o teórico propõe que a imagem e o símbolo são coisas diferentes, mas que se ligam através do contexto em que são empregados, seja familiar, político, econômico ou em uma relação de amor, assim, como na novela Noites Brancas (2018), que temos como principal objetivo identificarmos a simbologia presente nesse conto. Ao passo que será explicado e assemelhado esses símbolos, é compreensível cada um segundo seu contexto, a noite estando relacionada com o tempo das gestações, brancas; referindo-se à solidão, ao silêncio, a casa; onde suas almas estão ligadas e encontram refúgio e proteção e se encontram consigo mesmo, e o Bosque; obtendo diversas manifestações, sendo o centro do sentimento do amor de ambos os personagens. Portanto, essa pesquisa é possível entender, simbolicamente, cada elemento presente na novela Noites Brancas (2018), sendo que cada símbolo possui no seu íntimo o seu significado assemelhando-se com o amor presente em ambos os personagens, que irá ser explicado posteriormente, cada símbolo e suas representações. Dito isso, será apresentado nas próximas linhas, uma discussão sobre os símbolos e iremos assemelhar com a novela Noites Brancas (2018) a partir das contribuições teóricas de Chevalier e Gheerbrant (2002), Jacobi (1995), Laplantine e Trindade (1997) e aplicado ao romance Dostoiévski (2018). 3 TEMPO E ESPAÇO NA EXPERIÊNCIA DO SONHADOR SOLITÁRIO: O SIMBOLISMO PRESENTE NA NOVELA A novela Noites Brancas (2018), de Fiódor Dostoiévski, encontra-se intrinsecamente relacionada à simbologia. Nesse viés, percebe-se que o eixo de tempo e espaço dos símbolos, caracteriza-se pelo autor dentro da narrativa com as simbologias que Dostoiévski aborda na obra e através dos símbolos onde a narrativa se passa. Através disso, os lugares e encontros com sua amada é a forma dele passar o tempo e vivenciar os espaços na narrativa da novela. A narrativa inicia com o protagonista – conhecido como o sonhador – conversando com as casas da rua, demonstrando sua solidão e com o hábito de dialogar consigo mesmo. Logo, o protagonista é denominado como sonhador porque não tem nome próprio, sendo um homem que se excluiu do resto do mundo e está perdido dentro da mente e de seus próprios sonhos. Durante a sua caminhada, o sonhador se depara com uma garota chorando, ele a salva de um bêbado, ela agradece, tornam-se amigos e apresenta-se como Nástienka. Observa-se como o sonhador é tímido, mas demonstra amor na primeira oportunidade, caindo apaixonado pelos encantos dela. A partir desses pressupostos, inicia a narrativa de Noites Brancas (2018). Através das quatro noites, eles conversam sobre suas vidas, esperanças e amores, mantendo-se óbvio através da narração por meio de tempo e espaço, o sonhador relata ter lugares preciosos e retoma-os de forma significativa a simbologia. Conforme podemos observar no trecho, a seguir: Virei aqui amanhã sem falta, exatamente aqui, neste mesmo lugar, a esta mesma hora, e ficarei feliz, lembrando o dia anterior. Este lugar já é precioso para mim. Já tenho dois ou três lugares assim em São Petersburgo. (DOSTOIÉVSKI, 2018, p. 30). Nota-se que é evidente a narrativa ser escrita em primeira pessoa pelo fato do personagem ser nomeado sonhador e através da trama ele caminhar e contemplar, mas nunca se aproximar ou conversar com as pessoas. Na obra, Dostoiévski (2018, p. 11) afirma que o sonhador é solitário, ao mencionar que “[...] pareceu-me de repente que eu, um solitário, estava sendo abandonado por todos e que todos se afastavam de mim [...]”, na qual a experiência do sonhador ressalta o papel de tempo e espaço na construção do cronotopo na narrativa, evidenciando como o contexto social e o ambiente intensificam o isolamento do autor. Neste sentido, percebemos o quanto ele vive na solidão, ao conhecer Nástienka, começa a se sentir feliz e especial nas noites em que conversa com ela. Sobre os encontros, o sonhador relata o quanto ela faz ele se sentir bem e o faz se reconciliar com ele próprio, vivendo momentos raros e contando as horas para vê-la novamente. Conforme a passagem a seguir, percebe-se a sua emoção: Dois minutos e a senhora me fez feliz para sempre. Sim! Feliz; quem sabe, pode ser a senhora tenha me reconciliado comigo mesmo, tenha solucionado minhas dúvidas. Talvez momentos assim me aconteçam… Muito bem, amanhã vou lhe contar tudo, a senhora vai saber de tudo, tudo… [...] E nos separamos. Fiquei andando a noite inteira; não conseguia me decidir a voltar para casa. Estava tão feliz… até amanhã. (DOSTOIÉVSKI, 2018, p. 31-32). A esse respeito, Chevalier e Gheerbrant (2002, p. 9) definem que “o termo é igualmente utilizado para designar a capacidade de uma imagem ou de uma realidade de servirem de símbolo como, por exemplo, o simbolismo da lua”. Na narrativa, encontra-se a noite como um dos símbolos, onde, na obra as noites são mais claras e o céu luminoso, logo, Dostoiévski (2018, p. 11) afirma: “era uma noite maravilhosa, uma noite tal como só é possível quando somos jovens [...]. O céu estava tão estrelado, um céu tão luminoso [...]”. Observa-se que é evidente que a simbologia está presente em grande parte da obra de Fiódor Dostoiévski. Nesse sentido, a noite funciona como um símbolo, representando um fenômeno característico de São Petersburgo, em que na noite, acontecem os sonhos mais lúcidos e perturbadores, assemelhando-se a devaneios fantásticos e conferindo à narrativa a um ambiente profundamente romântico. Segundo Chevalier e Gheerbrant (2002, p. 640) “[...] a Noite simbolizada pelo sono e pelo sonho, como um triunfo sobre o tempo [...]”. Nessa perspectiva, o objetivo deste texto é classificar uma imagem simbólica, que apresenta certa caracterização de tempo, espaço e natureza, que se torna o personagem principal do texto. Assim, Chevalier e Gheerbrant (2002, p. 12) indicam que “a expressão simbólica traduz o esforço do homem para decifrar e subjugar um destino que lhe escapa através das obscuridades que o rodeiam”. Para tanto, nessa análise compreende-se que a relação entre tempo e espaço nos textos literários são de ordem subjetiva. Com isso em mente, pode-se elaborar a hipótese de que todos veem o mundo de forma diferente a cada momento de suas vidas, pois “quando o arquétipo aparece aqui e agora do espaço e do tempo, podendo, de algum modo, ser percebido pelo consciente, falamos então de um símbolo” (Jacobi, 1995, p. 72). Nesse viés, entende-se a praticidade da nossa percepção de mundo e através disso entendemos o que há no mundo. Com isso, compreende-se que os símbolos ficaram como conceitos, assim como os signos que é classificada uma parte do mundo, ao passo que “um signo é uma parte do mundo físico do ser, um símbolo é uma parte do mundo humano dos sentidos” (Cassirer, 1944, p. 32). Tendo isso em vista, pode-se compreender também que o símbolo tem várias formas de definições e interpretações. Conforme o trecho a seguir Chevalier e Gheerbrant (2002) afirmam: A palavra símbolo (symbolon), formada a partir do verbo grego symballo, sempre teve que admitir as mais variadas definições e interpretações; no entanto, todas elas concordavam no ponto em que, dessa forma, se queria designar algo que, por trás do sentido objeto é visível, oculta um sentido invisível e mais profundo. (Chevalier; Gheerbrant, 2002, p. 75). Desse modo, o símbolo é transformado através de fenômenos nas ideias de imagens de espaços e tempos, onde permanece de maneira constantemente ativa e intangível na imagem. Para Jacobi (1995, p.75) “o simbolismo transforma o fenômeno em ideia, a ideia em imagem, de tal modo que a ideia permanece sempre infinitamente ativa e inatingível na imagem e, mesmo expressa em todas as línguas, permaneceria indizível”. Nesse contexto, o simbolismo é transformado através de fenômenos nas ideias de imagens de espaços e tempos, onde permanece de maneira constantemente ativa e intangível na imagem através dos símbolos presentes na obra de Dostoiévski. Nesse contexto, o símbolo da noite em Noites Brancas, representa as noites claras, românticas e tranquilas que se tornam para o sonhador solitário as melhores que ele poderia ter. Logo, atribui-se que essas noites simbolizam alegria e encantamento para o sonhador, especialmente por estar na presença de sua amada. E, na passagem que ele sai para encontrá-la, podemos ver essa afirmação: “ontem foi o nosso encontro, nossa terceira noite branca… [...] como a alegria e felicidade torna as pessoas belas”. (Dostoiévski, 2018, p. 32). Para os gregos, a noite (nyx) era a filha da noite e a filha do Caos e a mãe do Céu (Urano) e da Terra (Gaia). Ela engendrou também o sono e a morte, os sonhos e as angústias, a ternura e o engano. As noites eram frequentemente prolongadas segundo a vontade dos deuses, que paravam o Sol e a Lua, a fim de realizarem melhor as suas proezas. A noite percorre o céu envolta num véu sombrio, sobre um carro atrelado com quatro cavalos pretos* , seguida do cortejo de suas filhas, as Fúrias, as Parcas. Imola-se a esta divindade crônica uma ovelha negra. (DOSTOIÉVSKI, 2018, p. 639-640). Neste sentido, o tempo e espaço na obra de Fiódor Dostoiévski estão simbolizados pelo termo Brancas, presente tanto no título quanto na narrativa. Desse modo, percebe-se que esse termo se remete à claridade, felicidade e alegrias na ficção de Noites Brancas através do sonhador, trazendo à tona o símbolo da neblina no céu quando não via a sua amada, a noite perdia a claridade e sentimentos sombrios e obscuros se acumulam em sua mente. Logo, é associado a esse viés que para o sonhador, as noites brancas só eram felizes quando estava ao lado de Nástienka. Logo após essa perspectiva, foi resgatada a simbologia, em que o tempo e espaço se manifestam nas noites brancas. Nesse sentido, o autor utiliza na narrativa o termo branca referindo-se à solidão e ao silêncio, que representam momentos que não se foram vividos plenamente. Em suma, esses elementos refletem na obra a condição do personagem protagonista apresentando-lhe como um ser muito solitário. Com isso, percebe-se que o personagem participa integralmente quando são assemelhados os símbolos de tempo e espaço a sua vivência. Conforme apontam Chevalier e Gheerbrant (2002): Cor do Este, nesse sentido, o branco não é uma cor solar. Tampouco é a cor da aurora, mas sim a da alvorada - esse momento de vazio total entre a noite e o dia, quando o mundo onírico recobre ainda toda realidade: ali está o ser interdito, suspenso numa brancura côncava e passiva. E, por esta razão, esse é o momento dos mandados de busca, dos ataques de surpresa e das execuções das penas capitais, ocasião em que o condenado (conforme exigido por uma tradição que ainda hoje persiste) veste uma camisa branca, significativa de submissão e de disponibilidade. (CHEVALIER; GHEERBRANT, 2002, p. 142-143). Ainda é possível destacar que a cor branca, segundo Chevalier e Gheerbrant (2018, p. 142) afirmam que “[...] conduz a ausência, ao vazio noturno [...]. Nesse viés, o branco não é apenas visual, mas representa o ritmo da narrativa, o fluxo temporal das noites vividas pelo sonhador. Com isso, volta-se a associar símbolo de tempo e espaço, colaborando Fiorin (2018, p. 145) na afirmação que “[...] a relação entre espaço e tempo é indissolúvel. Para tanto, se ilustra, a seguir: Na arte e na literatura, todas as determinações de espaço-tempo são inseparáveis sempre tingidas de um matiz ideológico-emocional. O pensamento abstrato pode, sem dúvida, conceber o tempo e o espaço separados e abstrair seu elemento axiológico-emocional. (Bakhtin, 2018, p. 217). Nesse sentido, analisando o que propõe o simbolismo na narrativa Noites Brancas, é possível observar que os elementos de tempo e espaço se manifestam através da casa e da floresta (bosque). Logo, esses espaços não configuram apenas o cenário da história, mas reflete, principalmente, nos estados emocionais e nas relações dos personagens. Neste caso, “suponha, afinal de contas, há mil possibilidades: talvez ele não estivesse em casa quando a carta chegou e, quem sabe, pode não ter lido até agora, não é? Afinal, tudo pode acontecer. - Sim, sim - Respondeu Nástienka.” (Dostoiévski, 2018, p. 68). Conforme apontam os autores Chevalier; Gheerbrant (2002): O exterior da casa é a máscara ou aparência do homem; o telhado é a cabeça e o espírito, o controle da consciência: os andares inferiores marcam o nível do inconsciente e dos instintos; a cozinha simbolizaria o local das transmutações alquímicas, ou das transformações psíquicas, isto é, um momento da evolução interior. (Chevalier; Gheerbrant, 2002, p. 197). Portanto, a floresta (bosque) também é marcada pelos símbolos, pois a natureza carregava as energias do sonhador solitário. Desse modo, quando o sonhador andava pela floresta ele conseguia se sentir livre como se fosse um pássaro, pois era onde ele encontrava paz, sem sentir cansaço e onde ele se sentia livre e podia recuperar as suas energias. Conforme mostra-nos o trecho na obra de Dostoiévski: Na mesma hora fiquei alegre e atravessei a divisa, andei por campos semeados e por pastos, sem sentir cansaço, apenas sentia, em todo o corpo, que um fardo se desprendia da minha alma [...] Com o avanço da primavera, de repente ela exprime toda sua energia, todas as forças que lhe vêm do céu, e se enfeita e se colore. (Dostoiévski, 2018, p. 23-24). Nesse viés, para Chevalier e Gheerbrant(2018, p. 142) afirmam que “as florestas são tranquilas, lê-se no Dhammapada, desde que o mundo se mantenha longe delas; nas florestas, o santo encontra repouso.” Em consonância a isso, o sonhador solitário encontrava repouso e em meio a barulhos da cidade, ele se sentia enfermo e sufocado “[...] - tamanha era a impressão que a sufocava entre as paredes urbanas” (Dostoiévski, 2018, p. 23). A esse respeito, Bakhtin (1990, p. 211) define que “em literatura, o processo de assimilação do tempo, do espaço, e do indivíduo histórico real que revela neles, tem fluído complexa e intermitentemente”. Na novela de Dostoiévski não é diferente, pois ao ser analisado o tempo, o espaço e o histórico do sonhador, vê-se também o motivo disso é o que ele passa durante a narrativa por estar sozinho e não conseguir socializar. Desse modo, é possível associar a novela Noites Brancas aos símbolos de tempo e espaço discutidos ao decorrer deste artigo, representando a experiência de um sonhador solitário e de uma jovem sonhadora que não era correspondido na mesma proporção que ele. Desse modo, associa-se a observação de Renfrew (2017, p. 146), “assim como o tempo é visível na imagem apresentada, do mesmo modo [...], as pessoas e lugares são representados como suscetíveis ao movimento do tempo (e da história).” Portanto, é possível interpretar que a partir da análise geral da obra Noites Brancas (2018), percebe-se que a simbologia permeia a narrativa, refletindo a visão e a intenção de Fiódor Dostoiévski. Por fim, com base no tempo e espaço dos símbolos das quatro noites brancas, observa-se que o último capítulo, intitulado “manhã”, apresenta uma ambiguidade, pois interpreta-se que aquelas noites brancas se revelam como ilusões e sonhos, marcadas por um amor que não correspondido na mesma proporção e conduzindo o narrador a uma solidão profunda e inconsolável. Observa-se nesse artigo científico a relação entre os símbolos e o amor, investiga-se sobre a simbologia presente na obra Noites Brancas, publicada em 2018, do autor Fiódor Dostoiévski. Para tal, inicialmente, analisou-se a simbologia referente a casa, o bosque, a noite e a cor branca. Com isso, foi possível desenvolver um estudo e mostrar o que significa cada símbolo presente na narrativa de Dostoiévski. O trajeto percorrido para que se pudesse chegar às análises entre os símbolos e a sua relação com o amor, foram recortes, em que foram buscadas a encontrar clarezas baseadas, principalmente, nos ambientes onde aconteceram cada cena da novela, na qual os envolvidos viveram grandes emoções, que através disso, foi capaz de mexer com o lado psicológico do narrador-personagem e dos outros personagens presentes na narrativa. O percurso teórico-metodológico adotado neste estudo foi orientado por autores como Chevalier e Gheerbrant (2002), Laplantine e Trindade (1997) e Paiva (2019), cujas contribuições fundamentaram a análise dos elementos simbólicos presentes na narrativa. Assim, a partir da investigação de fragmentos textuais, constatou-se que o estudo da simbologia possui relevância significativa, pois permite compreender a função dos símbolos e a maneira como eles estruturam o tempo, o espaço e as experiências dos personagens na obra. Para tanto, a simbologia presente na narrativa, é capaz de nos mostrar o valor e o significado de cada imagem ou símbolo que se faz presente, contendo uma representação que envolve o lado sensorial e psicológico dos personagens. Neste sentido, pode-se utilizar, fazer referência e comparação de diferentes tipos de elementos no cotidiano do narrador-personagem e da sua amada Nástienka que irá permitir observar as particularidades de cada símbolo. Logo, verifica-se que, a simbologia na narrativa, possui fatos que marcam os personagens na novela Noites Brancas (2018), resultando possivelmente, em argumentos que reforçam a importância de estudar com mais aprofundamento às questões que envolvem algum tipo de simbologia. Destaca-se o símbolo da noite em que pode ser visto como algo ruim e que logo em seguida nos dar a esperança de algo melhor com a chegada do amanhecer. Essa afirmação reforça que é fundamental o estudo da simbologia presente na obra de Dostoiévski. Ressalta-se, aqui, que através dessa comparação, na qual foi possível envolver um duplo sentido em relação às quatro noites em que os personagens viveram suas emoções psicológicas e sensoriais, cada um com sua particularidade vivida ao longo da narrativa, bem como na base dessa premissa, consideramos a importância de estudar a simbologia. Ao longo dessa pesquisa, foi possível analisar o simbolismo em cada parte da trama. É nítido o desespero do narrador-personagem ao caminhar pelo bosque na esperança de ver a sua amada, o refúgio que Nástienka buscava na sua casa toda vez que estava precisando controlar suas emoções e fugia desesperadamente ao seu quarto, a noite branca na qual muitas vezes a solidão pairava sobre eles e o vazio insaciável em e vossos corações durante toda a novela Noites Brancas (2018). Dessa forma, a pesquisa sobre simbologia revelou-se de grande importância, pois possibilitou a compreensão dos símbolos e dos múltiplos significados que podem assumir. Esse estudo demonstrou que determinados elementos simbólicos não apenas enriquecem a análise literária, mas também podem ser associados à experiência pessoal, influenciando tanto a razão quanto as emoções no cotidiano. A partir dessas constatações, afirma-se a necessidade de estudos que contemplem a pesquisa da simbologia como parte importante no entendimento dos símbolos e a sua relevância para o gênero literário, assim como a relação e os questionamentos fictícios como na realidade. Espera-se que esta proposta possa contribuir para indagações existentes, assim como servir de fundamentação e provocação para outros pesquisadores.
Título do Evento
CONEDI - Congresso Nacional de Educação, Diversidade e Inclusão
Título dos Anais do Evento
Anais do Conedi - Congresso Nacional de Educação, Diversidade e Inclusão.
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
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BEZERRA, Júlia Vitória Menezes et al.. A SIMBOLOGIA PRESENTE EM NOITES BRANCAS, DE FIÓDOR DOSTOIÉVSKI.. In: Anais do Conedi - Congresso Nacional de Educação, Diversidade e Inclusão.. Anais...Quintana(SP) sp, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/Conedi-congresso-nacional-educacao-diversidade-inclusao/1327607-A-SIMBOLOGIA-PRESENTE-EM-NOITES-BRANCAS-DE-FIODOR-DOSTOIEVSKI. Acesso em: 03/04/2026

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